(7.jul.26) - Paulo Betti apresenta Autobiografia Autorizada na 10ª Feira Literária de Bonito (FLIB), em Mato Grosso do Sul. Foto: Tero Queiroz
“Eu fui e sou ainda adepto da manuscrita". A defesa da escrita à mão foi um dos temas centrais da coletiva concedida por Paulo Betti na manhã de 7 de julho, no Hotel da Praça, em Bonito (MS), antes da apresentação do monólogo Autobiografia Autorizada na 10ª FLIB.
Durante a conversa com jornalistas, o ator afirmou que escrever manualmente provoca um processo diferente da digitação e ajuda na organização do pensamento.
“Há um processo que acontece na cabeça na medida em que você pensa e faz a curadoria do que vai escrever. É diferente da digitação", salientou.
Como exemplo, Betti citou mudanças na educação da Suécia que retomam o uso do caderno de caligrafia após um período de forte digitalização nas escolas.
“Era tudo digitalizado para a criançada. Agora voltou de novo o caderno de caligrafia", comentou.
O ator ainda deixou um conselho ao público:
“Tomem notas, se possível, à mão".
A peça que mudou com o público
Paulo Betti contou que Autobiografia Autorizada passou por várias transformações desde a estreia, em 2015.
“Quando eu estreei, ela durava duas horas”, lembrou.
Já durante a pandemia, o texto foi reduzido.
“Transformei a peça em uma hora durante o tempo devido aquelas lives que podiam ter só uma hora”, revelou.
Hoje, segundo ele, a montagem tem cerca de uma hora e vinte minutos.
“Ainda é comprida? É. Mas o público hoje tem reagido bem", avaliou.
O ator observou que apresentações em praça pública exigem outra relação com o público.
“Vai ter gente que assiste uma cena, depois levanta, vai embora", disse.
“Está faltando uma boa peça de teatro”, diz Paulo Betti
“Está faltando muito pegar uma peça boa". A frase foi usada por Paulo Betti para resumir uma preocupação que atravessou boa parte da conversa com jornalistas.
Ao falar sobre teatro na atualidade, Betti disse admirar grupos que escrevem seus próprios espetáculos, mas afirmou que sente falta de montagens baseadas em grandes dramaturgias.
“Eu adoro quando a garotada escreve e faz, mas eu ando vendo coisas e falo assim: se tivesse uma boa peça ali para os atores seria melhor", disse.
Entre as recomendações, Paulo Betti destacou ‘A Vida de Galileu’, de Bertolt Brecht.
Também indicou ‘Os Mambembes', de Artur Azevedo, como exemplo de texto que ainda pode render novas montagens.
Livros que recomenda
Questionado sobre leituras essenciais da literatura brasileira, Betti respondeu que é obrigatório ler obras “obras tradicionais".
Para ele, estão nessa lista Grande Sertão: Veredas e Memórias Póstumas de Brás Cubas.
Também encabeça a lista Graciliano Ramos, em especial o livro São Bernardo.
Homenagem
Ao final da coletiva, Betti comentou a morte do dramaturgo Benedito Ruy Barbosa.
“Benedito é um autor muito forte, muito importante", declarou.
O ator lembrou que sua primeira novela de maior repercussão foi Os Imigrantes, escrita por Benedito.
Também recordou a história da novela Pantanal.
“A Globo não quis fazer . O Benedito levou para a Manchete".
Para Betti, uma das principais contribuições do autor foi levar o Brasil rural às telas.
“Ele levou o homem do campo para a televisão".
Básico para quem faz teatro
Entre uma lembrança e outra, Paulo Betti resumiu aquilo que considera fundamental para quem está começando na profissão.
“Duas coisas fundamentais: decorar o texto e não esbarrar no cenário", decretou.
Segundo ele, é esse o tipo de orientação que costuma repetir nos encontros com artistas locais durante a circulação da peça pelo país.