Manoel Carlos, o Maneco, morre aos 92 anos após 3 décadas de sucesso
Ele foi autor de folhetins como 'Laços de Família'
10 JAN 2026 • POR TERO QUEIROZ • 20h58
Manoel Carlos Gonçalves de Almeida, conhecido como Maneco, morreu neste sábado (10.jan.25) no Rio de Janeiro (RJ). Ele tinha 92 anos.
Autor, diretor e produtor de novelas, Maneco sagrou-se como referência da teledramaturgia brasileira.
A morte de Manoel Carlos foi confirmada por um comunicado divulgado nas redes sociais pelo perfil Boa Palavra. O falecimento ocorreu por volta das 20h.
Em nota oficial, a família informou que o velório será fechado e restrito a familiares e amigos próximos. Também solicitou respeito à privacidade neste momento de luto.
Maneco construiu uma das carreiras mais sólidas da história da televisão brasileira. Sua obra destacou-se pelo retrato realista das relações humanas e dos conflitos familiares.
O autor ficou especialmente marcado pela criação das Helenas, personagem recorrente em suas novelas. A figura feminina tornou-se um dos maiores símbolos da dramaturgia nacional.
Outro elemento característico de sua obra foi a ambientação no Leblon. O bairro carioca ganhou protagonismo como cenário de histórias centradas no cotidiano urbano e emocional.
Em entrevistas, Maneco afirmava que ambientar dramas intensos sob a paisagem ensolarada do RJ suavizava a recepção do público às tramas.
Ao longo de mais de 60 anos de carreira, o autor também assinou minisséries de grande impacto cultural. Entre elas estão “Malu Mulher”, “Presença de Anita” e “Maysa – Quando Fala o Coração”.
Entre as novelas de maior repercussão estão “História de Amor”, “Por Amor”, “Laços de Família” e “Mulheres Apaixonadas”, todas com forte audiência e reconhecimento crítico.
30 ANOS DE SUCESSO
Maneco nasceu em 14 de março de 1933. Apesar de paulista na certidão de nascimento, fazia questão de declarar seu vínculo afetivo e cultural com a Capital carioca.
O caminho até se tornar um dos autores mais respeitados da televisão brasileira foi atípico. Aos 14 anos, trabalhou como auxiliar de escritório, fora do meio artístico.
Paralelamente, integrou o grupo Adoradores de Minerva. O coletivo se reunia na Biblioteca Municipal de São Paulo para discutir literatura e teatro.
Entre os integrantes estavam Fernanda Montenegro, Fernando Torres, Fábio Sabag, Flávio Rangel e Antunes Filho, nomes centrais da cultura brasileira.
A estreia como ator ocorreu em 1951, aos 17 anos, na TV Tupi paulista. Manoel Carlos atuou no “Grande Teatro Tupi”, sob direção de Antunes Filho.
No ano seguinte, recebeu prêmio de ator revelação. A partir daí, passou a atuar também como produtor, diretor e roteirista.
Entre 1953 e 1959, participou da fase inaugural da TV Record. Trabalhou ainda na TV Itacolomi, em Belo Horizonte, e na TV Rio e TV Tupi, no Rio de Janeiro.
Nesse período, adaptou mais de 100 teleteatros para a televisão brasileira. Também colaborou com o Jornal do Commercio, em Recife.
Na década de 1960, integrou produções da TV Excelsior. Na TV Rio, dividiu a redação do “Chico Anysio Show” com Ziraldo e Mário Tupinambá.
Além de roteirista, atuou como diretor do programa e de “O Homem e o Riso”, humorístico estrelado por Chico Anysio e exibido também pela TV Record.
Em 1964, participou da criação da “Equipe A”, responsável por escrever e produzir programas marcantes da televisão brasileira.
Entre eles estão “Hebe Camargo”, “O Fino da Bossa”, “Bossaudade”, “Esta Noite se Improvisa”, “Alianças para o Sucesso”, “Para Ver a Banda Passar” e “Família Trapo”.
Manoel Carlos chegou à TV Globo em 1972. Sua estreia foi como diretor-geral do programa Fantástico, cargo que ocupou por três anos.
No mesmo período, colaborou com o programa de entrevistas “Globo Gente”, apresentado por Jô Soares.
Em 1978, após mais de 150 adaptações para a televisão, estreou como novelista na Globo. Ele transformou o romance “Maria Dusá”, de Lindolfo Rocha, na novela “Maria, Maria”.
A produção foi exibida no horário das 18h, com direção de Herval Rossano e Nívea Maria no papel principal.
Depois disso, ele emplacou mais 14 folhetins na emissora carioca como os sucessos de público e crítica: “Laços de Família”, “Mulheres Apaixonadas” e “Por Amor”, além de “Baila Comigo” (1981).
Pelo menos por 30 anos, Maneco liderou a preferência do público no que se referisse aos folhetins:
- Década de 1980: Sua primeira Helena, personagem icônica de suas tramas, apareceu em "Baila Comigo" (1981), marcando o início de uma era.
- Década de 1990: O autor tornou-se amplamente conhecido e aclamado, com novelas de grande sucesso como "História de Amor" (1995) e "Por Amor" (1997).
- Década de 2000: Manoel Carlos continuou a dominar o horário nobre com novelas memoráveis como "Laços de Família" (2000) e "Mulheres Apaixonadas" (2003), que alcançaram picos de audiência.
Maneco só se afastou da TV Globo após "Em Família" (2014). A novela não teve boa aceitação do público e, na época, empacou em 30,2 pontos no Ibope, a segunda pior performance da história da emissora até aquele ano.
VIDA PESSOAL
Há cerca de seis anos, Maneco foi diagnosticado com Parkinson.
Manoel Carlos teve três casamentos e deixa cinco filhos. Entre eles está a atriz Júlia Almeida, que desde a infância acompanhava o autor e colaborava na construção de cenas.
