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SENTOU EM CIMA!

Após 13 anos, Sesc MS leiloa memória do cinema de rua de Campo Grande

Paraestatal entrega prédio histórico à especulação imobiliária

4 FEV 2026 • POR TERO QUEIROZ • 16h23
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Após 13 anos sentado no projeto, Sesc MS entregará prédio histórico ao mercado imobiliário. Foto: Tero Queiroz

A cena cultural de Campo Grande (MS) sofre mais um golpe em um dos seus endereços mais icônicos. A cidade que não possui sequer um teatro público municipal e uma prefeita anticultura (Adriane Lopes), agora é alvejada pelo braço do chamado Sistema S. 

Isso porque, o Sesc MS desistiu oficialmente de transformar o antigo Cine Campo Grande em um centro cultural.

O prédio, que respira a história da sétima arte na Capital, agora será vendido ao melhor lance.

São 13 anos de uma tutela que resultou apenas em portas fechadas e promessas vazias à população.

Até o ano passado, a instituição sustentava a narrativa de uma revitalização que nunca saiu do papel.

ESVAZIAMENTO CULTURAL

Cine Campo Grande já foi um dos mais frequentados cinemas de rua da Capital sul-mato-grossense. Foto: Tero Queiroz Cine Campo Grande já foi um dos mais frequentados cinemas de rua da Capital sul-mato-grossense. Foto: Tero Queiroz 

O leilão, com lance inicial de R$ 4,9 milhões, é o símbolo de um desmonte cultural mais amplo.

Agora, as opções artísticas da entidade se restringem ao Teatro Prosa, isolando o público do centro.

O destino do antigo cinema segue o roteiro da "desertificação cultural" da região central da cidade.

Interessados no imóvel têm até o dia 24 de fevereiro para formalizar propostas na RP Leilões.

BONITO NO MARTELO

A "limpeza de ativos" do Sesc MS não para no asfalto e chega ao principal destino ecoturístico do estado.

O antigo Sesc Balneário, em Bonito, também será leiloado com lance mínimo de R$ 15 milhões.

O espaço, que oferecia lazer acessível às margens do Rio Formoso, está fechado desde a pandemia.

Enquanto a estrutura apodrece, em nota, a instituição ligada ao Sistema S (paraestatal que consome diversos benefícios fiscais) alega que os imóveis "não atendem mais necessidades estratégicas".

Para quem faz e consome arte, a estratégia parece ser uma só: o lucro acima do fomento cultural.

O leilão de Bonito ocorre pela Casa de Leilões, com encerramento previsto para 25 de fevereiro.