Logo TeatrineTV

CARNAVAL 2026

A que se deve o grande sucesso do Bloco Calcinha Molhada na Capital de MS?

Bloco se tornou atrativo principalmente para o público feminino

9 FEV 2026 • POR TERO QUEIROZ • 17h29
Imagem principal
(7.fev.26) - Grande público lota pra Aquidauana na edição de 2026 do Bloco Calcinha Molhada. Foto: Tero Queiroz

Fundado em 2016 como uma reunião despretensiosa de amigas, o Bloco Calcinha Molhada consolidou-se como um dos maiores, mais importantes movimentos do Carnaval de Rua da capital sul-mato-grossense e mais fervilhantes.

A festa que, ocupando a Praça Aquidauana, além de oferecer shows com bons artistas de MS e atrações de artes cênicas, carrega a bandeira da liberdade feminina, da ocupação democrática dos espaços públicos e conquistou algo que Blocos mais populosos ainda batalham para alcançar. 

Em entrevista concedida no último sábado (7.fev.26) durante mais uma edição carnavalesca do Bloco na Praça Aquidauana, ao pé do palco, a atriz, produtora cultural e uma das idealizadoras do retorno do bloco em 2022, Camila Schneider — toda adereçada de brilhos, colorido e gentileza — falou sobre o crescimento exponencial da festa, dos desafios logísticos de gerir uma equipe de 140 pessoas e da surpreendente relação com a vizinhança da praça.

(7.fev.26) - Camila Schenider, cofundadora do Bolco Calcinha Molhada. Foto: Tero Queiroz (7.fev.26) - Camila Schneider, cofundadora do Bloco Calcinha Molhada. Foto: Tero Queiroz 

"Tem uma diferença bem grande [de quando começamos para hoje]. O bloco começou em 2016 de uma maneira bem pequena. Só as meninas que inauguraram o bloco, com o propósito de curtir só com os amigos. De repente, a coisa começou a crescer; quando a gente viu, a galera estava dobrada", introduziu. 

Além de Camila, Raína Menezes (fundadora) e Renata Dias também são responsáveis pela retomada do bloco.

Segundo Cam ila, ela e Renata já participavam do bloco como foliãs e, em 2022, decidiram assumir a continuidade do projeto junto com Raína, que havia fundado o bloco anos antes e dado uma pausa nas atividades em 2018.  

Camila destacou que com o crescimento, as lideranças do Bloco viram também crescer os desafios de realizar o encontro, agora com um público gigantesco no triângulo das Rua Aquidauana com a Dom Aquino e Barão do Rio Branco, no bairro Amambai. 

"É uma luta todo ano para a gente estar aqui. A gente tem toda uma articulação com os poderes públicos, uma articulação de levantar também todo mundo. Apesar de a gente ter um incentivo hoje da Fundação de Cultura do Estado, da prefeitura, a gente tem vários custos, e eles também são muito particulares, justamente pelo bloco ter crescido. Então, é um desafio muito grande, e muita coisa, a gente vende coisas [para levantar dinheiro],  quem vê, a praça cheia não imagina o trabalho que está por trás. A gente tem mais ou menos 140 pessoas trabalhando no bloco hoje. Então, é bem pesado, mas é gratificante", revelou.

O Bloco Calcinha Molhada se tornou atrativo principalmente para o público feminino, por ser um espaço seguro para elas — o que deveria ser comum em todo canto, mas não é.

Mulheres se divertem em segurança no Bloco Calcinha Molhada. Foto: Tero Queiroz Mulheres se divertem em segurança no Bloco Calcinha Molhada. Foto: Tero Queiroz 

Camila contou sobre os retornos que as organizadoras tem recebido do público, especialmente das mulheres: 

"É muito gratificante quando a gente vê toda essa galera, quando as pessoas vêm dizer para a gente o quão felizes e seguras estão aqui, isso preenche a gente. O bloco começou como iniciativa de segurança para as mulheres no Carnaval, e as mulheres disseram para a gente que elas se sentem seguras para vir para cá, com a roupa que elas quiserem, podendo dançar à vontade. É realmente um grande espetáculo, é um desejo de cada uma de nós da organização se realizando", declarou.  

Avisos pelo espaço, em cartazes, reforçam cobrança de respeito às mulheres. Foto: Tero Queiroz Além de respeito no público, palco teve garantido o protagonismo feminino. Foto: Tero Queiroz 

Com o público, de fato confortável, a reportagem do TeatrineTV quis saber como tem sido a relação do Bloco Calcinha Molhada com entorno da Praça Aquidauana. Camila foi categórica a destacar o apoio dos moradores ao bloco:

"Isso é muito curioso, porque a gente vem sempre distribuindo comunicados [panfletos e semelhantes] às pessoas, avisando o dia do evento, explicando como é que vai ser. Dos últimos anos para cá, a gente tem tido uma receptividade muito grande. Não chega para a gente uma resistência ao bloco. O que chega, na verdade, é uma preocupação, às vezes, de não ter espaço para a festa anual do bloco". 

 
 
 
 
 
Ver essa foto no Instagram
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

Um post compartilhado por ABC • Aglomerado de Blocos de Carnaval de Rua de CG (@abc.rua)

Segundo a produtora, o impacto para a comunidade local tem se mostrado cada vez mais positivo, inclusive, economicamente.

“Pelo menos aqui na Praça Aquidauana tem uma demanda da população ocupando a praça. Então, a vizinhança geralmente diz para a gente que esse é o momento em que as pessoas olham para a praça e também têm a oportunidade de fazer uma renda extra. Então, se vocês olharem em volta, a gente tem vários vendedores que são pessoas que moram aqui”.  

Com essa matemática, segurança + oportunidade, o Bloco Calcinha Molhada, chegou à fase de integração com diversas gerações de moradores da região Central. Além do grande público dos bairros periféricos, crianças, jovens e adolescentes, o bloco também conquistou a atenção do público idoso. 

"Aqui na praça Aquidauana tem muitos idosos. Os idosos vêm. A gente tem ali, do outro lado da rua, senhoras de 97 anos que moram aqui na frente da praça e estão na cadeirinha delas, aproveitando, curtindo. Então a gente sente, na verdade, uma receptividade dos vizinhos mesmo. Às vezes, tem um vizinho ou outro que pode ser que tenha mais resistência, mas, para a gente, chega mais acolhimento do que outra coisa", concluiu. 

Na festa do sábado (7.fev), duas horas antes da meia-noite, o palco teve um problema técnico — queda de energia devido a falha no gerador —, e, diante disso, o público se mostrou apoiador máximo do Bloco Calcinha Molhada e permaneceu até a meia-noite, horário em que seria encerrada a festa na Praça Aquidauana.