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COLETIVO ENEGRECER

Projeto leva oficinas de pintura e colagem à Comunidade Quilombola de MS

As atividades ocorrem no dia 14 de março e fazem parte do projeto "Reafirmando Territórios"

9 MAR 2026 • POR FERNANDO PRESTES* • 17h30
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Participantes do projeto Reafirmando Territórios | Foto: Cecília Hanna

A Comunidade Quilombola Chácara do Buriti recebe, neste sábado (14.mar.26), uma série de oficinas gratuitas de pinturas e colagem voltadas para adolescentes da comunidade.

As atividades fazem parte do projeto “Reafirmando Territórios”, desenvolvido pelo Coletivo Enegrecer, que utiliza a arte como instrumento para discutir identidade, pertencimento e memória cultural.

Atividades do projeto | Foto: Reafirmando TerritóriosAtividades do projeto | Foto: Reafirmando Territórios

A iniciativa foi idealizada pela artista Erika Pedraza e surgiu a partir do interesse do coletivo em ampliar o diálogo com comunidades quilombolas de Mato Grosso do Sul. A proposta é promover encontros que incentivem a criação artística ao mesmo tempo em que valorizem as histórias e referências culturais presentes nesses territórios.

“A ideia já tinha surgido há alguns anos, quando nós do Coletivo Enegrecer entendemos que queríamos nos aproximar das comunidades quilombolas do estado. Queríamos oferecer nossa arte através de oficinas e promover esse contato com a nossa ancestralidade regional e a troca de saberes”, explicou Erika. 

Pintura sendo realizada no projeto | Foto: Cecília HannaPintura sendo realizada no projeto | Foto: Cecília Hanna

A programação inclui duas oficinas principais; A atividade de pintura será conduzida pela artista visual Thalita Valiente, enquanto a oficina de colagem manual ficará sob responsabilidade de Yasmin Alexandre. As propostas foram pensadas para estimular a criatividade dos jovens e ampliar reflexões sobre identidade durante a adolescência.

De acordo com Erika, trabalhar essas questões nesse período da vida pode contribuir para o fortalecimento emocional e social dos participantes. A pré-adolescência são fases essenciais na construção da identidade. Trabalhar autoestima e empoderamento afro nesse momento contribui muito para a formação desses jovens. A arte pode ser também uma ferramenta terapêutica e de fortalecimento emocional”, afirmou.

Atividade de pintura | Foto: Cecília HannaAtividade de pintura | Foto: Cecília Hanna

Na oficina de pintura, Thalita Valiente propõe que os adolescentes observem o próprio cotidiano como fonte de inspiração. Elementos do território, lembranças familiares e sentimentos pessoais podem servir como base para as criações.

“A proposta é que eles percebam que aquilo que faz parte da vida deles também pode virar arte. Pode ser um objeto simples, um lugar da comunidade, um momento vivido com a família ou até um sentimento. Muitas vezes algo que parece pequeno carrega um significado enorme”, disse.

Ela destaca que transformar experiências em imagens pode ajudar os jovens a reconhecer o valor das próprias vivências. “A pintura permite transformar memórias e afeto em imagem. Muitas vezes aquilo que é difícil de colocar em palavras aparece de forma muito forte na arte. Isso ajuda a reconhecer a riqueza das próprias histórias e do lugar onde vivem, completou. 

Participantes do projeto reunidos | Foto: Cecília HannaParticipantes do projeto reunidos | Foto: Cecília Hanna

Já a oficina de colagem apresentará técnicas de composição a partir de materiais cotidianos, como revistas e papéis reutilizados. Inspirada na produção da artista brasileira Rosana Paulino, a atividade busca mostrar que a criação artística pode partir de recursos simples.

De acordo com Yasmin Alexandra, o que mais a atrai na colagem são as possibilidades infinitas de criação “a partir de coisas que já existem no mundo. Revistas, livros, papéis, objetos simples… tudo pode ganhar novos sentidos”, relatou.

Professora e aluna no projeto 'Reafirmando Territórios' | Foto: Cecília HannaProfessora e aluna no projeto 'Reafirmando Territórios' | Foto: Cecília Hanna

Segundo ela, a proposta é estimular a experimentação e ampliar o olhar dos participantes sobre sobre o processo criativo. “Quero mostrar que para criar arte não é preciso ter materiais raros ou caros. Muitas vezes algo que já está em casa pode ser o ponto de partida para uma criação. A colagem abre esse espaço para experimentar, brincar com as imagens e transformar o que já existe em algo novo”, contou.

Além das oficinas, o encontro inclui rodas de conversa entre artistas e jovens da comunidade. A proposta é criar um ambiente de escuta e diálogo sobre cultura, identidade e experiências de vida.

Para Erika, esse contato direto também contribui para reconhecer a importância das comunidades quilombolas dentro da produção cultural. “ A arte é expressão. Quando um aluno faz um autorretrato, por exemplo, ele mostra como se enxerga. E quando ele gosta do resultado, automaticamente está dizendo que gosta de si mesmo. Levar arte ao quilombo é também reconhecer que esses eventos acontecem dentro da própria comunidade”, destacou.

As oficinas integram as ações do projeto “Reafirmando Territórios”, que ao longo de suas atividades busca estimular a imaginação, a autoestima e a valorização das histórias e memórias presentes na Comunidade Quilombola Chácara Buriti. Ao final do processo, as obras produzidas pelos participantes também farão parte de uma exposição coletiva junto com trabalhos dos artistas do Coletivo Enegrecer, celebrando a arte como território de encontro, identidade e resistência.

Este projeto conta com investimento da PNAB (Política Nacional Aldir Blanc), do Governo Federal, através do MinC (Ministério da Cultura), executado pela Prefeitura de Campo Grande, por meio da Fundac (Fundação Municipal de Cultura).