Riedel nomeia Alessandro Menezes secretário e Cultura escapa de evangélico bolsonarista
Nos bastidores, havia uma disputa pelo cargo de R$ 34.398,40. Menezes já era o secretário-adjunto desde março
2 ABR 2026 • POR TERO QUEIROZ • 13h54
Alessandro Menezes de Souza, ou apenas Alessandro de Souza, foi oficialmente nomeado ao comando da Secretaria de Estado de Turismo, Esporte e Cultura (Setesc) na 4ª feira (1.abr.26). A íntegra.
A definição ocorre após a saída de Marcelo Miranda, que deixou o cargo para disputar as eleições de 2026.
A escolha segue a estratégia de continuidade administrativa adotada pelo governador Eduardo Riedel neste ano eleitoral.
Nos bastidores, havia uma disputa pelo cargo de R$ 34.398,40. De Souza já era o secretário-adjunto desde março.
Entretanto, Riedel estava entre escolher de Souza ou o bolsonarista evangélico Herculano Borges (atualmente vereador em Campo Grande).
Parece que o bom senso do governador prevaleceu, e, por isso, escolheu Alessandro de Souza, sendo um quadro mais técnico para comandar a superpasta.
A 'bocona da Setesc'
O vereador Herculano Borges, que atualmente já fatura R$ 26.080,98 de salário na Câmara, estava de olho no aumento, mesmo tendo, inclusive, protagonizado episódios de censura à arte na capital do estado.
A ação de censura de Herculano à arte ocorreu em 2017, durante a exposição “Cadafalso”, no Museu de Arte Contemporânea (Marco), em Campo Grande.
À época, Herculano integrou um grupo de parlamentares que acionou a polícia contra uma obra da artista Alessandra Cunha, a Ropre, resultando na apreensão temporária do trabalho.
O episódio é lembrado pelos produtores culturais como símbolo de ódio de políticos conservadores contra a arte e a liberdade de expressão.
A eventual nomeação de Herculano era vista, pela classe artística, como risco para as áreas que compreendem a superpasta, que, nas mãos de Herculano, poderia virar uma extensão de sua ideologia radical.
Perfil técnico sob demandas
A Setesc reúne três áreas — cultura, turismo e esporte — e opera políticas de fomento, editais e programas que impactam diretamente a economia criativa no estado.
Com perfil técnico, Menezes construiu carreira na área de tecnologia e gestão pública, com passagens pelo Instituto Municipal de Tecnologia da Informação e pela Superintendência de Gestão da Informação do Estado.
Também possui experiência em articulação institucional, tendo atuado em funções estratégicas em governos anteriores.
A nomeação sinaliza que o governo priorizou controle administrativo, execução orçamentária e estabilidade em meio ao calendário eleitoral.
O novo secretário assume o desafio de dialogar com um setor historicamente sensível à participação social e à diversidade de expressões.
Uma das demandas mais urgentes para a cultura, e o que Miranda não conseguiu efetivar, é a atualização do Sistema Estadual de Cultura, criar programas estaduais para as artes, criar uma plataforma própria para inscrição de editais, promover programas de fortalecimento do teatro, dança, música, culturas de rua e artes visuais, conseguir executar o edital do Fundo de Investimentos Culturais (FIC) anualmente e, de fato, promover a execução de políticas pela diversidade artística nos municípios.
Um dos setores que ganhou com Miranda foi o artesanato; agora é preciso impulsionar outros setores. Com o perfil técnico de Alessandro, a expectativa é de que o diálogo com o setor cultural seja efetivo.
