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Documentário revisita raízes do racismo estrutural no Brasil

A série estreia no dia 7 de abril às 22h, no SescTV

2 ABR 2026 • POR FERNANDO PRESTES* • 18h58
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Série 'Coleção Antirracista' estreia 7/4, terça, às 22h, no SescTV | Foto: Olhar Imaginário.

Dirigida por Val Gomes,  série documental “Coleção Antirracista” estreia no dia 7 de abril às 22h no canal SescTV, com exibição semanal às terças-feiras, às 22h, e disponibilidade posterior na plataforma Sesc Digital.

 A produção é composta por oito minidocumentários que discutem a formação e a permanência do racismo estrutural no Brasil a partir de diferentes perspectivas históricas e sociais.

Com episódios de cerca de 12 minutos, a série articula análises de pesquisadores e intelectuais para abordar temas centrais da história brasileira, como o período colonial, a escravidão, as políticas de branqueamento e os debates atuais sobre ações afirmativas. Participam dos episódios nomes como Sueli Carneiro, Cida Bento, Salloma Salomão e Lia Schucman, que contribuem para a leitura crítica dos processos que moldaram as desigualdades raciais no país.

O episódio de abertura, intitulado “O Mito da Democracia Racial”, examina a construção da ideia de que o Brasil teria desenvolvido uma convivência equilibrada entre diferentes grupos raciais ao longo do século XX. A narrativa mostra como esse conceito foi difundido por setores intelectuais e políticos e como ele pode ter servido para encobrir desigualdades estruturais. O programa também relaciona essa noção a fatores históricos como o colonialismo, a miscigenação forçada e a influência de teorias eugenistas.

Durante o episódio, a filósofa Sueli Carneiro aponta que a miscigenação no Brasil está diretamente ligada à violência do período colonial. “A miscigenação é, em primeiro lugar, produto do estupro colonial que foi praticado pelo colonizador sobre mulheres indígenas, primeiramente, e posteriormente sobre mulheres africanas escravizadas”, afirmou.

A psicóloga e pesquisadora Cida Bento também questiona o uso recorrente da miscigenação como argumento para negar o racismo. “Toda vez que a gente quer colocar o dado cor/raça em um determinado cadastro para ver a situação de negros e brancos, as pessoas dizem: mas ninguém sabe quem é negro e quem é branco no Brasil. Somos tão miscigenados”, comentou.

Ao longo da série, os episódios percorrem diferentes momentos e temas da história nacional, incluindo a exclusão da população negra do acesso à educação, as disputas em torno das políticas de cotas e as desigualdades no mercado de trabalho. A proposta é evidenciar como decisões políticas e construções ideológicas contribuíram para a manutenção de hierarquias raciais.

Com curadoria do historiador Bruno Garcia e equipe majoritariamente negra, a produção reúne depoimentos e análises que buscam ampliar o entendimento sobre as origens do racismo no país e suas consequências na sociedade contemporânea.

SERVIÇO

Série documental
Direção e curadoria: Val Gomes
Curadoria: Bruno Garcia
Produção: Olhar Imaginário
Conteúdo: 8 episódios
Duração: 12 minutos cada
Estreia: abril, às terças-feiras, às 22h, no SescTV
Reexibições: quarta, 18h15; sexta, 10h; sábado, 13h45; segunda, 3h45
Episódios de abril:
 
7/4 — O Mito da Democracia Racial (Ep. 1)
14/4 — Da Escravidão à Abolição (Ep. 2)
21/4 — Cota não é Esmola (Ep. 3)
28/4 — Raça, Trabalho e Direitos (Ep. 4)
Participações: Sueli Carneiro, Cida Bento, Salloma Salomão, Lia Schucman
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