Exposição gratuita é aberta com arte negra e indígena em Campo Grande
A programação será aberta nesta quinta-feira (30.abr.26), às 19h
29 ABR 2026 • POR FERNANDO PRESTES* • 17h29
A exposição “Entre Completudes e Efemeridades” será aberta nesta quinta-feira (30.abr.26), às 19h, no Arquivo Público Estadual, no segundo andar da Fundação de Cultura de Mato Grosso do Sul, em Campo Grande. Clique aqui.
Com entrada gratuita, a mostra reúne obras de artistas contemporâneos e produções de crianças da Comunidade Quilombola Chácara Buriti, resultado de oficinas realizadas em março pelo Coletivo Enegrecer.
A abertura também contará com apresentações musicais da banda BatuqueCanta, da artista Preta Princesa e da DJ Afro Queer, ampliando a programação cultural da noite com diferentes linguagens artísticas.
Com curadoria de Auriellen Leonel, a exposição foi construída a partir do diálogo entre artistas que também desenvolvem pesquisas em seus processos criativos. Segundo a curadora, a proposta vai além de debates raciais e destaca experimentações com materiais, suportes e novas formas de criação. “Os artistas também estão pesquisando, experimentando materiais e suportes, criando novas possibilidades sem perder a essência de suas trajetórias”, afirmou.
“A mostra propõe ao público uma reflexão sobre aquilo que costuma passar despercebido no cotidiano. A ideia é valorizar elementos simples e ressignificar objetos e materiais por meio da arte. A expectativa é que o público sinta essa efemeridade e consiga olhar para as materialidades sob uma nova perspectiva”, explicou.
Nesta edição, o Coletivo Enegrecer amplia sua atuação ao reunir artistas negros, pardos e indígenas, fortalecendo o intercâmbio entre diferentes identidades e territórios. As obras apresentadas exploram formatos que se distanciam da tela convencional e utilizam materiais alternativos, dialogando com a produção contemporânea.
Crianças participantes das oficinas | Foto: DivulgaçãoIdealizadora do projeto, Erika Pedraza destaca o objetivo coletivo da iniciativa. “Somos um grupo de artistas negros, pardos e indígenas, cada um com sua linguagem, mas caminhando juntos por um único intuito: fazer arte contemporânea em Mato Grosso do Sul com potência e criatividade”, disse.
Um dos núcleos centrais da exposição é formado pelos trabalhos desenvolvidos por crianças da Comunidade Quilombola Chácara Buriti, que participaram de oficinas de pintura e colagem. Para Erika, a presença dessas produções no espaço expositivo fortalece o reconhecimento e a autoestima dos participantes. “A gente traz as crianças como artistas da exposição. Elas não estão ali como espectadoras, mas como parte do projeto”, destacou.
Segundo a artista, ocupar espaços culturais também contribui para o sentimento de pertencimento e para a formação das crianças diante das desigualdades sociais e raciais. “Quando elas se veem nesse lugar, sendo reconhecidas, isso fortalece”, completou.
A iniciativa conta com recursos da Política Nacional Aldir Blanc (PNAB), do Ministério da Cultura, com execução da Prefeitura de Campo Grande, por meio da Fundação Municipal de Cultura.
ESTAGIÁRIO FERNANDO PRESTES SOB A SUPERVISÃO DA REDATORA ALY FREITAS*
