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"DIFERENTES-IGUAIS"

Associação dos Artistas captura R$ 28 milhões em MS e "encosta na ex"

Repasse de R$ 11 milhões ao 19º Festival América do Sul ainda não aparece no Portal da Transparência, apesar de publicação no Diário Oficial

6 MAI 2026 • POR TERO QUEIROZ • 19h45
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Em 2024, o presidente da Associação dos Artistas, Arnaldo Catalan Júnior, que à época também era diretor de Cultura no município de São Manuel, afirmou que sua OSC pretendia renovar a realização de festivais no estado. - Reprodução

A Associação dos Artistas, localizada em Santos (SP), responsável pela execução do 19º Festival América do Sul (FAS 2026), previsto para ocorrer de 14 a 17 de maio, em Corumbá, capturou R$ 17.289.961,51 do orçamento cultural de Mato Grosso do Sul apenas em 2025.

Neste ano, como mostramos aqui, a execução do FAS tem orçamento estimado em R$ 11 milhões. A prova.

O robusto recurso dos cofres culturais está levando a Associação Paulista a acumular R$ 28.289.961,51 num período de dois anos, o que faria a organização quase alcançar a ex-realizadora de festivais no estado, Máxima Social.

Vale lembrar que, entre 2021 e 2022, em seu penúltimo ciclo à frente dos grandes festivais de Mato Grosso do Sul, a Máxima Social capturou R$ 34.302.882,82 para execução de quatro projetos. São eles:

A “economia” da Associação dos Artistas em relação à Máxima Social é de exatos R$ 6.012.921,31, já que os R$ 28,28 milhões também correspondem à execução de quatro projetos. São eles:

Entretanto, a execução orçamentária da cultura estadual ainda tem mais seis semestres pela frente neste ciclo. Mantido o ritmo atual de captação de recursos, a Associação dos Artistas deve superar o volume capturado pela Máxima Social no mesmo período.

MIGALHAS PARA OS ARTISTAS LOCAIS

O que a Máxima Social e a Associação dos Artistas têm em comum, além de serem de fora do Estado, é o fato de ambas oferecerem “migalhas” do recurso cultural aos artistas sul-mato-grossenses.

Em documentos de edital lançado pela Associação dos Artistas, em 28 de abril, para “selecionar artistas locais” (o edital na íntegra), fica escancarado que, apesar do discurso de valorização da produção sul-mato-grossense, o certame prevê a contratação de apenas um projeto por linguagem — teatro, circo, dança e cultura de rua — além de três atrações musicais e oito estilistas na área de moda.

Na prática, o total destinado aos artistas do Estado soma R$ 168 mil. O valor representa cerca de 1,5% do orçamento global do festival em 2026.

Para além do percentual reduzido, as condições impostas transferem aos próprios artistas a maior parte dos custos de participação, incluindo transporte, hospedagem, alimentação e estrutura técnica em quase todas as categorias.

Essa é a chamada estratégia do “cachê colocado” — uma condição em que se “aumenta o cachê” para que o próprio artista arque com os custos básicos para realização de uma apresentação artística em Corumbá.

Além disso, o modelo prevê pagamento parcelado: 50% na assinatura do contrato e o restante em até 30 dias após o término do evento — ou seja, os artistas que lutem caso não tenham capital para custear antecipadamente as despesas.

Em contraponto a esse cenário precário imposto ao artista de MS, a programação do festival conta com as chamadas “atrações nacionais” — concentradas 100% na música — com cachês que, juntos, somam R$ 1 milhão para apenas três apresentações.

O espaço segue aberto para a Associação dos Artistas caso a organização queira se posicionar acerca do conteúdo.