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FESTIVAL DE CINEMA

Em busca de apoios, Curta Campo Grande abre inscrição internacional paga

Filmes do Brasil podem se inscrever gratuitamenta até 30 de junho

11 MAI 2026 • POR TERO QUEIROZ • 14h04
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Festival Curta Campo Grande, de Mato Grosso do Sul, busca apoios para a 3ª edição e abre inscrições para filmes internacionais. Foto: Reprodução

O Festival Curta Campo Grande anunciou sua 3ª edição com uma mudança importante: pela primeira vez, o festival passa a aceitar produções internacionais.

De acordo com o anúncio, as inscrições começaram em 1º de maio e seguem até 30 de junho de 2026, pela plataforma FilmFreeway.

Filmes brasileiros participam gratuitamente. Já produções de outros países pagam taxa de US$ 10 (R$ 49,38 na cotação desta 5ª feira, 7 de maio). 

O festival será realizado de 26 a 31 de outubro, em Campo Grande (MS), e é organizado pela Corixo Produções.

Os troféus do Curta Campo Grande são o Tuiuiú, ave símbolo do Pantanal sul-mato-grossense. Foto: ReproduçãoOs troféus do Curta Campo Grande são o Tuiuiú, ave símbolo do Pantanal sul-mato-grossense. Foto: Reprodução

Voltado exclusivamente ao curta-metragem, a ação vem ganhando espaço no circuito audiovisual e agora amplia seu alcance para além do país.

A abertura internacional, segundo o diretor geral Dannon Lacerda, é resultado de um movimento que já vinha acontecendo nas edições anteriores.

“A internacionalização não surge como um movimento oportunista, mas como consequência direta de um processo de escuta e observação curatorial”, afirmou.

Ele lembrou que, já na primeira edição, o festival recebeu inscrições de fora do Brasil, mesmo sem essa previsão no regulamento.

“Isso revelou não apenas uma demanda reprimida, mas também um potencial de inserção do festival em um circuito mais amplo”.

Dannon Lacerda (diretor do festival), Bianca Machado (direção de produção) e Carol Dória (direção de comunicação), durante a 2ª edição do Curta Campo Grande, realizada na Estação Cultural Teatro do Mundo. Foto: ReproduçãoDannon Lacerda (diretor do festival, ao centro), Bianca Machado (direção de produção, à direita) e Carol Dória (direção de comunicação, à esquerda), durante a 2ª edição do Curta Campo Grande, realizada na Estação Cultural Teatro do Mundo. Foto: Reprodução

A localização do Mato Grosso do Sul, na fronteira com Paraguai e Bolívia, também é apontada como fator que favorece o diálogo com outros países.

“Na prática, a internacionalização amplia o horizonte curatorial do festival, transformando-o em um espaço de circulação de olhares, estéticas e narrativas diversas”, disse Lacerda.

Com a mudança, o festival passa a ter quatro mostras competitivas: Curta Brasil, Curta MS, Curta Doc e a nova Curta Internacional.

A organização argumentou que a criação da mostra estrangeira não reduz o espaço das produções locais.

“A ideia é colocar essas obras em relação, permitindo que o cinema produzido em Mato Grosso do Sul seja visto dentro de um contexto mais amplo, sem perder sua especificidade”, defendeu Lacerda.

O realizador do festival também sustentou que vem ajustando sua estrutura a partir das experiências das edições anteriores, especialmente na relação com o público e na formação dos debates.

“Um festival de cinema não se constrói apenas pela programação, mas também pelo modo como articula encontros”, afirmou Lacerda.

Exclusivamente dedicado ao curta-metragem, a ação mantém esse formato como eixo central. Para o diretor, trata-se de um espaço de experimentação dentro do audiovisual. Ele citou o cineasta Abbas Kiarostami ao defender o formato como um território de liberdade criativa.

Podem se inscrever filmes finalizados em 2025 ou 2026, com até 30 minutos de duração. As obras selecionadas concorrem ao Troféu Tuiuiú, em categorias técnicas e artísticas, além do voto popular.

Com a entrada no circuito internacional, o Festival Curta Campo Grande mantém sua proposta de aproximar diferentes cinematografias e ampliar a circulação do curta-metragem a partir do Centro-Oeste brasileiro.

O diretor presidente da Fundtur  Bruno Wendling e o diretor do festival Curta Campo Grande, Danon Lacerda. O diretor presidente da Fundtur  Bruno Wendling e o diretor do festival Curta Campo Grande, Dannon Lacerda. 

Até o momento, segundo Lacerda, apenas a Fundação de Turismo de Mato Grosso do Sul (Fundtur) sinalizou que oferecerá apoio ao festival. A expectativa de Lacerda é que as instâncias de Cultura ajudem no único festival de cinema da capital do estado.

“Por enquanto, a única sinalização positiva que temos é da Fundtur. Estamos aguardando os editais do município e do Estado para inscrevermos o projeto, pois sem o apoio dessas instituições nosso festival não poderá ser realizado plenamente. Também encaminhamos pedidos de apoio ao Sesc e ao Sebrae”, disse Lacerda.

Ainda segundo o idealizador, nas duas primeiras edições a Prefeitura de Campo Grande apoiou a ação por meio de edital com recurso oriundo da Lei Paulo Gustavo (LPG) e da Política Nacional Aldir Blanc (PNAB), do Ministério da Cultura (MinC), no governo do presidente Lula (PT). Lacerda alertou que a espera do recurso dos chamados Arranjos Regionais destinados ao audiovisual, porém, travou o diálogo com o poder público nas duas esferas. O realizador ressaltou que é preciso o Executivo municipal e estadual fazer investimentos próprios em festivais locais.

“Não podemos ficar esperando esses recursos dos Arranjos Regionais, que só virão em julho. Isso impediria a seleção ampla e as etapas próprias de um festival de cinema. Não podemos deixar as mostras e festivais apenas dentro dos Arranjos Regionais. Os projetos dos Arranjos vão começar apenas no final do ano, isso sendo bastante otimista”, concluiu Lacerda.

Procurada pela reportagem por meio da sua assessoria de imprensa, a FCMS disse estar aberta a discutir a demanda: "Por enquanto ainda não foi firmado nenhum apoio ao Festival, a Fundação ainda não foi procurada pela organização e se coloca à disposição para tratativas", respondeu.