Com orquestra, festival em MS homenageia estrela latino-americana 'La Negra'
Maestro revela que ela seria uma das atrações em edições anteriores, mas cancelou a agenda devido ao seu estado de saúde
11 MAI 2026 • POR TERO QUEIROZ • 17h32
A cantora argentina Mercedes Sosa, também conhecida por 'La Negra' — apelido carinhoso dado por fãs — será homenageada na abertura do 19º Festival América do Sul 2026, em Corumbá (MS), no dia 14 de maio, às 19h30. Ela é a personagem do espetáculo “Mercedes Sosa – A Voz da América do Sul” que abre a programação artística do evento no palco principal e reúne orquestras e intérpretes em uma leitura sinfônica do repertório da artista.
Considerada a "Voz da América Latina" e a "Voz dos Sem Voz", Sosa foi uma figura central do movimento Nueva Canción Latinoamericana, que utilizava a música para denunciar injustiças sociais e política.
A apresentação une a Orquestra Sinfônica de Campo Grande e a Orquestra de Câmara do Pantanal, vinculada ao Moinho Cultural Sul-Americano. A proposta é aproximar a música de concerto da canção popular latino-americana, mantendo como referência a obra de Mercedes Sosa, marcada por interpretações de forte carga poética e social.
O repertório inclui canções consagradas como “Gracias a la Vida”, “Todo Cambia”, “Volver a los 17”, “Duerme Negrito” e “Canción con Todos”.
As interpretações serão feitas por Juci Ibanez, Lorrayne Espíndola e Marta Cel. O cantor Virgílio Miranda participará em “Años”, música eternizada no dueto entre Mercedes Sosa e Pablo Milanés.
A direção musical e os arranjos são do maestro Eduardo Martinelli, que explicou que a construção do espetáculo buscou preservar a identidade sonora original das canções.
“Para não perder a força do que foi a Mercedes Sosa e do que ela significa, a gente buscou encaixar a orquestra como um complemento na essência dela. O violão, a percussão e a flauta andina continuam protagonistas. A orquestra entra como mais um integrante”, afirmou em entrevista ao TeatrineTV.
Segundo Martinelli, a intenção foi evitar que a formação sinfônica assumisse protagonismo sobre os elementos tradicionais das músicas.
“A orquestra não entra para descaracterizar. Entra para somar, como um elemento a mais dentro da linguagem que já existe nas canções”, disse.
Martinelli avaliou que a combinação entre orquestra e repertório popular também pode provocar um novo olhar do público sobre a música de concerto.
“Muitas pessoas ainda se perguntam o que uma orquestra tem a ver com música latino-americana. Mas esse encontro mostra quantas linguagens diferentes uma orquestra pode assumir”, comentou.
O maestro relembrou ainda uma conexão anterior com a artista argentina. Mercedes Sosa chegou a ser anunciada no Festival América do Sul em edições passadas, mas não chegou a se apresentar por questões de saúde.
“Naquele período, eu havia sido convidado para fazer a orquestração do show dela. De certa forma, essa homenagem hoje também carrega um pouco dessa memória”, afirmou.
A montagem do espetáculo envolveu um processo de adaptação das obras originais para a formação orquestral e para os arranjos vocais atuais.
“As músicas não existem para orquestra, não estão nos tons das cantoras e nem estruturadas em duetos ou trios. Tudo precisou ser reconstruído”, explicou.
Para Martinelli, o Festival América do Sul ocupa um espaço estratégico na valorização da integração cultural do continente.
“O festival precisa buscar uma importância global, não só como palco de grandes shows, mas como espaço de integração artística”.
Ele lembra que, em edições anteriores, o evento reuniu músicos de diferentes países da América do Sul em uma mesma orquestra, algo que considera essencial para o projeto.
“Tivemos artistas do Uruguai, Argentina, Brasil, Paraguai, Bolívia, Chile, Colômbia, Peru, Equador, Suriname e Guiana. Isso é algo que deveria ser permanente”, concluiu.
O Festival América do Sul acontece de de 14 a 17 de maio, em Corumbá. Siga o TeatrineTV no Instagram e fique sabendo de tudo!
