"O festival tem que voltar à sua essência", cobram veteranos Jerry Espíndola e Rodrigo Teixeira
Artistas sul-mato-grossenses que acompanharam o surgimento do FAS em 2004
18 MAI 2026 • POR TERO QUEIROZ • 21h30
Após o show musical da turnê "40 Tons" de qualidade impecável (leia abaixo) realizado no penúltimo dia (16.mai.26) do 19º Festival América do Sul (FAS 2026), em Corumbá (MS), os artistas sul-mato-grossenses veteranos Jerry Espíndola e Rodrigo Teixeira, que acompanharam o surgimento do FAS em 2004, cobraram que a organização faça uma reavaliação de conceito acerca da programação oferecida em 2026.
"O Festival América do Sul está consolidado, mas eu acho que está faltando uma participação maior dos artistas locais, que antigamente era muito maior. Eu senti falta, nesse festival, de ter mais shows regionais, das outras áreas estarem mais presentes, mais artistas, porque a cultura sul-mato-grossense, a arte sul-mato-grossense, ela é muito poderosa para estar tão discreta num festival com tanto volume de dinheiro. Eu não vi os sul-americanos aqui", lamentou Jerry logo após o show, numa entrevista exclusiva ao TeatrineTV.
Ao lado de Jerry, na mesma entrevista, Rodrigo Teixeira orientou que haja um tempo maior de preparação para o festival, para que assim possam corrigir os problemas de produção.
"Acho que o festival tem que conseguir fazer a produção mais anteriormente, para conseguir trazer os artistas daqui, os sul-americanos. Acredito que o Festival América do Sul tem esse recorte de América do Sul, de tornar Corumbá o centro de tudo", opinou Teixeira.
Jerry defendeu, de maneira enfática, que é urgente uma reavaliação do conceito do festival, para que ele não perca a sua missão político-cultural.
"Esse festival nasceu para fazer integração sul-americana (...). E a gente sabe disso, porque, cara, a gente que faz um trabalho no Paraguai, esse trabalho nasceu aqui no festival, com as pessoas que a gente conheceu aqui. Então, acho assim, que esse festival tem que voltar à sua essência, que é ser um festival da América do Sul", defendeu Jerry.
Teixeira disse que, além da integração artístico-cultural, é preciso que o festival tenha em sua "face" a representação dos artistas sul-americanos dos municípios de países fronteiriços com Corumbá.
"Representar esses artistas da região, da nossa região. Então, é ter um 'terra adentro' de Assunção [Paraguai]; a gente trazer o pessoal de Corrientes [Argentina]; trazer o pessoal de Resistência [Argentina]; trazer de Misiones [Argentina], né? Esse trecho que vai de Campo Grande a Corrientes e a gente tem várias cidades e artistas nesse trecho. Talvez o festival também seja um promotor desses artistas da região, tanto daqui quanto da América do Sul, Argentina e Paraguai. Eu sinto falta disso. Da gente trazer os protagonistas dessa música, desse outro eixo que a gente faz parte, eles estarem presentes. Eu acho que, se a gente conseguir fazer isso, vai ser um passo muito importante para nossa cadeia produtiva", pontuou.
Para ambos os artistas, a missão do Festival América do Sul está sendo esquecida e precisa urgentemente ser resgatada para restabelecer o valor cultural, e até de identificação, dos sul-mato-grossenses com o festival. Apesar desse ponto crítico central, Jerry agradeceu o espaço e aproveitou o momento para agradecer ao público corumbaense e ao tratamento dado pela organização.
"Corumbá é uma cidade linda, a estrutura está maravilhosa, produção nota 10. Um beijo para vocês e que o próximo tenha muito mais artistas mato-grossenses e que também tenha os artistas da América do Sul", declarou.
O SHOW "40 TONS"
O espetáculo "40 Tons", da turnê de Jerry Espíndola (Marcos Jerônimo Miranda Espíndola), executou músicas de pop rock referenciadas na música de fronteira (polca, guarânia, chamamé...), que criaram uma atmosfera própria às margens do Rio Paraguai, no Palco América do 19º Festival América do Sul, no Porto Geral corumbaense. Além disso, o show apresentou os estilos reggae/rap, entre outros estilos musicais mesclados na música fronteiriça.
Jerry apresentou letras espetaculares de Alzira E (Beijos de Imã), autorais e, na ocasião, executou músicas que estarão no próximo disco do artista sul-mato-grossense.
"A gente vem fazendo já esse show desde 2022 e estamos alargando esse repertório. Agora com as músicas do disco novo. Hoje aqui a gente já apresentou duas do disco novo. É um repertório que tem composições próprias, parcerias minhas e do Rodrigo 'Caia no Samba'; com Alzira, com Arruda, com Anelis Assumpção, e eu trouxe também hoje duas músicas de artistas que eu admiro muito, que são o Charas Gabriel e o Vinil Moraes, com 'O Jogo Vai Virar', o grande hit do Chá Noise. E o André Stábile, que é um outro baita compositor, que é de Curimba. A música 'Well'", explicou Jerry.
Teixeira é o aliado do samba no disco e, conforme o próprio Jerry, o artista e jornalista está "sempre comigo!". Teixeira celebrou o projeto e destacou o valor histórico-cultural da produção musical do colega de palco.
"Legal esse trabalho do Jerry, que é um trabalho pop rock, né? Um trabalho que vem numa linha que, não sei hoje, eu acho que hoje no Mato Grosso do Sul, a gente não tem tantos trabalhos autorais de pop rock. E eu acho que o Jerry segura essa bandeira muito fortemente no trabalho dele", concluiu Teixeira.
Assista a essa entrevista (acima), em vídeo, no Instagram do TeatrineTV (@teatrinetv).
