Rifa financia projeto inédito sobre a cultura cigana em MS
Bailarina busca apoio para gravar documentário contra apagamento aos povos Romani
8 JUN 2026 • POR TERO QUEIROZ • 11h31
A pesquisadora e ativista Ana Flávia Paes, de 27 anos, lançou uma campanha colaborativa.
A arrecadação visa financiar o projeto documental "Vozes & Ofícios Romani".
O objetivo central é documentar as trajetórias artísticas da comunidade cigana brasileira.
Conhecida no meio artístico como "Ciganinha" , a idealizadora iniciou na dança em 2015.
Atualmente, é bailarina profissional e representante cultural em Campo Grande (MS).
Em 2022, Ana Flávia tornou-se Imortal pela Academia Internacional de Letras e Artes do Brasil Romani (AILA).

A entidade é a primeira voltada aos povos Romani a ser reconhecida pela ONU.
O novo projeto audiovisual que ela dirige segue em andamento em 2026.
A iniciativa tem apoio da Subsecretaria de Defesa dos Direitos Humanos e de instituições ciganas.
COMBATE AO APAGAMENTO HISTÓRICO
Em entrevista ao TeatrineTV, Ana Flávia explicou que o projeto nasceu da necessidade de dar voz aos reais protagonistas.
Ela apontou que o documentário é uma ferramenta contra a apropriação cultural.
"A ideia do 'Vozes & Ofícios Romani' nasceu da minha experiência prática trabalhando com a cultura e com a arte. Ao longo da minha trajetória, passei a observar muitas representações distorcidas e coisas inventadas que não condizem com a realidade. Mantendo uma comunicação direta com ciganos de verdade, passei a acompanhar as reclamações legítimas deles sobre o apagamento que sofrem, enquanto pessoas de fora ganham visibilidade e tentam falar por eles", introduziu.
A pesquisa abrangerá as três principais etnias ciganas: Rom, Calon e Sinti.
Ana argumentou que as entrevistas ocorrerão de forma totalmente voluntária e respeitosa.
"Se for um trabalho em conjunto ou família, teremos duas formas de gravação: em grupo para falar da arte e do trabalho deles, e individual com as mesmas perguntas para cada integrante que quiser relatar suas vivências. A regra obrigatória é que todos sejam ciganos. O participante dita o limite, sempre com respeito", explicou.
Ela detalhou que o escopo de ofícios registrados será abrangente.
Isso inclui desde atividades artísticas e saberes holísticos até o comércio e profissões liberais.
"Estou de mente aberta para o que o campo trouxer, incluindo a tradição de muitas mulheres ciganas com saberes holísticos, por ser algo muito familiar, muitas prefiram não mostrar a prática abertamente, mas estou disponível para conversar com as que quiserem falar sobre esse ofício, que é um sustento legítimo e não religião. Sei que também posso me deparar com vários ofícios práticos no Brasil, como o artesanato em cobre, ourivesaria, cutelaria, a barganha de carros, feiras, venda de tecidos ou profissões liberais".
DEMOCRATIZAÇÃO DO ACESSO
A estratégia de difusão do conteúdo aposta nas redes sociais para atingir o público jovem e escolar.
O material audiovisual será distribuído gratuitamente no formato de vídeos curtos.
"A minha estratégia principal usar o formato de reels no perfil oficial do projeto (@vozeseoficiosromani). A expectativa é ir além do circuito cultural tradicional, fazendo com que esse audiovisual chegue a escolas, pesquisadores e ao público geral para combater preconceitos e desmistificar estereótipos", definiu.
Para a ativista, a sociedade precisa reconhecer a pluralidade da população romani.
"Os ciganos estão no Brasil desde a colonização e influenciaram profundamente a nossa cultura, mas infelizmente sempre foram apagados pela sociedade. Existe um erro muito grande de achar que eles são todos iguais e tentar falar por eles, sendo que a realidade traz uma diversidade gigante. Os ciganos trabalham, têm seus empregos e já fazem parte da sociedade brasileira, mas muitas vezes sofrem exclusão pelo simples fato de serem quem são", completou.
SERVIÇO
Os recursos da rifa pagarão a infraestrutura técnica e logística das gravações pelo Brasil.
Os apoiadores concorrem a um prêmio em dinheiro.
- Sorteio: R$ 500 no Pix.
- Valor da cota: R$ 20.
- Como comprar: Via transferência Pix para a chave celular (67) 99341-5684.
- Link para escolher o nº da Rifa: https://rifa-73864.web.app/home?id=HA2wt3Q9ZZwGuJwomCCJ
