Ator vive ex-prefeito e governador divisionista de MS na mega-produção 'Lydia'
Político foi casado com Celina, irmã da multiartista sul-mato-grossense Lídia Baís
17 JUN 2026 • POR ALY FREITAS • 17h48
O artista Tero Queiroz, deu vida ao ex-prefeito de Campo Grande (MS) e governador do Mato Grosso uno, Vespasiano Barbosa Martins, no longa-metragem Lydia, que encerrou suas filmagens em maio de 2026 em Campo Grande (MS).
Nascido em 1889, em Sidrolândia (MS), Vespasiano estudou medicina no Rio de Janeiro e voltou para Campo Grande para atuar como ginecologista e cirurgião. Martins ingressou também na política, tendo se tornado personagem central na luta pela divisão do Mato Grosso.
Foi prefeito de Campo Grande 3 vezes, senador, deputado federal, governador do antigo Mato Grosso e um dos nomes por trás do Estado de Maracaju, em 1932 — movimento que anos depois ajudou a criar o Mato Grosso do Sul.
Foi casado com Celina, irmã da multiartista sul-mato-grossense Lídia Baís.
A família ficcional de Lídia Baís com o diretor de cinema Ricardo Pieretti Câmara. Na imagem estão os personagens Lídia Baís (Betrice Sayd), Amélia Baís (Gisele Sater), Bernardo Baís (Duda Mamberti), Giovanna Zottino (Celina Baís) e Vespasiano Martins (Tero Queiroz). Foto: Elis Regina NogueiraNo longa-metragem de ficção ‘Lydia’, dirigido por Ricardo Pieretti Câmara, com codireção de Mariana Villas-Bôas, Tero disse que realizou uma “mutação”.
"O Vespasiano era um cara muito singular à época, seguia os ritos, mas não era ‘quadradão’. Isso é, um personagem desafiador por ser descolado diante da época, mas sem escancarar sua subversividade. Era um político agradável, mas também obstinado em fazer nascer nosso Mato Grosso do Sul", introduziu
Tero Queiroz no set de filmagens do longa-metragem de Lydia. Foto: Elis Regina NogueiraTero adiantou acerca do trabalho de preparação do personagem em conjunto com a preparadora corporal e o preparador de elenco.
"O que o público verá na tela, nesse filme, é um trabalho minucioso dos preparadores Monique Paes e Joel Yamaji. Eles transformaram um corpo do campo em um corpo de época. Eu sinto como se fosse um metamorfo em uma mutação", descontraiu o ator.
‘Lydia’ é protagonizado por Beatrice Sayd, e tem no elenco Ney Matogrosso, Duda Mamberti, Alzira E, Ana Brun, Jéssica Barbosa Cauim, Zahy Tentehar, Ambrosio Vilhalva, Maria Alice, Breno Moroni, Gisele Sater, Renan Braga, Giovanna Zotino, Fábio Umeda, Pâmela Yule, Jorge Aluvaiá, Bianca Machado, Leandro Marques e Gabriel Brito.
Lídia Baís (Betrice Sayd), Giovanna Zottino (Celina Baís) e Vespasiano Martins (Tero Queiroz). Foto: Elis Regina NogueiraCom quinze anos de carreira nas artes da cena, Tero é reconhecido por integrar o elenco de grandes produções como as novelas Pantanal e Terra e Paixão, ambas da TV Globo.
Nesse uma década e meia, o artista sul-mato-grossense esteve em contato com astros da dramaturgia brasileira como Renato Góes, Irandhir Santos, Glória Pires, Cauã Reymond, Johnny Massaro, Ney Matogrosso, entre outros.
Além disso, o artista conta com um portfólio que chega a 16 títulos entre curtas, longas, séries e participações em TV.
Filmagens do longa-metragem Lydia ocorreram no casarão tombada Museu Morada dos Baís em Campo Grande (MS). Foto: Elis Regina NogueiraPara Tero, o longa ‘Lydia’, que conta produção executiva de Juliana Domingos e supervisão artística de Joel Pizzini, da Pólofilme, marca um momento de auge do cinema de MS e se trata de uma mega-produção do cinema brasileiro.
"É uma mega-produção, na minha opinião. Pois veja, você tem nessa equipe do Lydia, grandes profissionais do cinema brasileiro como o diretor de fotografia Alziro Barbosa (que tem uma centena de filmes na bagagem); a Carol Araújo, que é sul-mato-grossense, mas vive em São Paulo e tem uma carreira brilhante como assistente de direção (no Lydia é a 1ª assistente). Eu mesmo trabalhei com a Carol na série Insustentáveis em 2017", citou.
Além disso, o filme conta com profissionais com quem Tero trabalhou em grandes projetos da sua carreira.
"Tem na equipe a chefe da caracterização Valéria Toth, com quem trabalhei na novela Pantanal e tem centenas de projetos numa carreira justamente reconhecida de mais de 20 anos; igualmente reconhecida é a chefe do departamento de figurino Mariana Sued, que como a Toth tem uma carreira brilhante no audiovisual brasileiro… Estou citando apenas algumas personalidades de um time enorme de profissionais incríveis do Lydia. E todas essas pessoas, notei no set, estavam numa troca franca com os profissionais locais que eram maioria na equipe do filme", declarou Tero.
Vespasiano Martins é cunhado da multiartista Lídia Baís. Foto: Elis Regina NogueiraO artista salientou que o filme não conta a história de Vespasiano, que ao se opor à ditadura do Estado Novo (1937–1945) e ao governo de Getúlio Vargas na década de 1930, acabou sendo alvo de atentado, foi exilado para Argentina e Paraguai.
Apesar de ser apenas uma participação, o o artista adiantou, sem muitos detalhes, como imprimiu o ídolo da política sul-mato-grossense.
“Eu acho que as pessoas devem ir ao cinema em busca de saber da história da Lydia, que é espetacular, e é disso que o filme se trata. O que posso dizer acerca do que apresentamos do Vespasiano, é que trouxemos com muito carinho características marcantes desse personagem que viveu no Mato Grosso, mas sempre quis ser o Sul de um estado emancipado. Foi um visionário", disse.
O ator ainda ressaltou que a qualidade da equipe de caracterização amplia o diferencial desse trabalho.
"Acho que com a ‘mágica’ da equipe de caracterização (maquiagem e figurino), quem curte nosso trabalho verá algo completamente novo no que se refere a personagem. É o meu primeiro trabalho nesse subgênero que chamamos de drama de “época”, e espero, sinceramente, que o filme chegue muito longe”, prospectou.
O longa-metragem Lydia é financiado com R$ 1 milhão oriundo da Lei Paulo Gustavo, do Ministério da Cultura, do governo federal. O projeto do filme foi contemplado num edital lançado pela Fundação de Cultura de Mato Grosso do Sul (FCMS), ente local responsável pelo gerenciamento do recurso federal.
A caracterizadora Mariana Sued prepara o personagem Vespasiano Martins, vivido por Tero Queiroz. Foto: Elis Regina NogueiraAlém de ‘Lydia’, outras 15 produções receberam recursos da LPG em MS. Para Tero, o financiamento federal deu a oportunidade de Mato Grosso do Sul se contar nos cinemas.
“Acho simbólico, que essa é primeira vez na história que Mato Grosso do Sul terá tantas produções sendo lançadas por meio de incentivo público. Somente neste ano, estimamos que cerca de 10 filmes serão anunciados. A LPG e agora Aldir Blanc, supriram uma falta histórica de recursos para o audiovisual brasileiro e, em MS, nem se fala. O estado nunca investiu efetivamente em cinema, agora gerencia a verba federal e pode ver como investir em cinema é investir em memória", defendeu.
Tero argumentou que oportunizar que filmes sejam produzidos:
"É devolver para a sociedade de maneira direta não apenas os impostos, mas o direito à preservação da história, a documentação, a valorização cultural, e tantos outros mecanismos que poderíamos passar horas teorizando. Porém, podemos resumir que o estado que investe em cinema, investe individualmente em cada habitante".
Tero Queiroz dá vida a Vespasiano Martins no longa-metragem Lydia. Foto: Elis Regina NogueiraO artista declarou ainda estar lisonjeado de ter sido escolhido para viver Vespasiano e trabalhar com profissionais de alto escalão do cinema nacional.
"Tem gente que a gente admira e quando trabalha junto passa a amar profundamente. Estou falando da minha produtora Juliana Domingos, com quem sempre quis trabalhar e agora pude. Falo também da Monique, do Yamaji, que foram além de profissionais incríveis, acreditaram que em nossa troca humana, sincera, que juntos poderíamos criar algo potente e aqui estamos. Entregamos um personagem repleto de singularidades e Yamaji e Monique detêm a maioria dos créditos", explicou.
Por fim, o ator agradeceu a equipe de direção do filme e amigos de longa data.
"Também agradeço ao diretor Ricardo, que é um amigo e agora meu diretor. E agradeço ao meu amigo Joel Pizzini, que é alguém com quem também sempre quis trabalhar. Esse filme é um presente nesse momento da minha vida, e essas são algumas pessoas a quem agradeço por simplesmente acreditar na capacidade do nosso trabalho de ator”, completou.
Quem quiser acompanhar os trabalhos de Tero Queiroz, pode o seguir nas redes sociais sendo que ele usa mais o Instagram (@teroqueiroz) ou pode também acompanhar as atualizações no site oficial do artista.
FICHA TÉCNICA
- Direção: Ricardo Pieretti Câmara
- Codireção: Mariana Villas-Bôas
- Supervisão Artística: Joel Pizzini
- 1ª Assistente de Direção: Carol Araújo
- 2º Assistente de Direção: Renan Braga
- 3ª Assistente de Direção: Isabela Lopes
- Direção de Elenco: Ybyrá Casting
- Preparação de Elenco: Joel Yamaji
- Preparação Corporal: Monique Paes de Castro Pereira
- Produtora Executiva: Juliana de Cássia Domingos
- Direção de Produção: Fabi Rezek
- Diretor de Fotografia: Alziro Nascimento Junior
- Diretora de Arte: Mariana Villas-Bôas
- Coordenadora de Arte: Eloah Toledo Amarilia
- Figurinista: Mariana Sued de Mendonça Ribeiro
- Caracterizadora: Valéria Toth
- Técnica de Som Direto: Maria Clara Cervantes
- Still Fotográfico: Elis Regina
- Produção: Polofilme
