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SONORA (MS)

Prefeitura contrata MEI do RS por 3,2 mil para gerir PNAB

Será pago apenas R$ 266 mensais pelo serviço

24 JUN 2026 • POR TERO QUEIROZ • 16h37
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Em diversos municípios, esse trabalho costuma ser executado por uma equipe de ao menos 10 pessoas | Foto: Reprodução

A Prefeitura de Sonora (MS) oficializou a contratação de uma empresa registrada como Microempreendedor Individual (MEI) para prestar assessoria técnica na execução da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura (PNAB). O contrato, publicado no Diário Oficial do Município (a prova), nesta 4ª feira (24.jun.26), tem valor total de R$ 3,2 mil e vigência de 12 meses.

O acordo foi firmado entre o Fundo Municipal de Cultura e a empresa Arthur Pinheiro de Oliveira Marques - CNPJ 60.039.287/0001-95 (o cartão), por meio da Dispensa Eletrônica nº 010/2026.

A empresa de Arthur tem sede em Novo Hamburgo (RS) e foi aberta em 23/03/2025. Isso é, tem pouco mais de um ano de atividade.  

Segundo o extrato, o objeto é a prestação de serviços de consultoria e assessoria para implementação do segundo ciclo da PNAB no município.

A contratação chama atenção pelo valor. Dividido pelo período de vigência, o montante corresponde a aproximadamente R$ 266 mensais para acompanhar uma política pública que movimenta recursos federais destinados ao setor cultural.

A PNAB exige uma série de procedimentos técnicos, como orientação jurídica e administrativa, elaboração de documentos, acompanhamento de editais, suporte aos fazedores de cultura e prestação de informações ao Governo Federal. Em diversos municípios, esse trabalho costuma ser executado por uma equipe de ao menos 10 pessoas.

Por meio do Portal da Transparência da Prefeitura (a prova), a reportagem do TeatrineTV localizou os contratos com a MEI, que ficou responsável por praticamente todas as etapas técnicas da execução local da PNAB. Entre as atribuições estão a análise do plano de ação aprovado, organização da documentação necessária, elaboração dos editais e formulários, cadastro e mapeamento dos agentes culturais do município, além do acompanhamento dos processos de seleção dos projetos que disputarão os recursos federais.

O trabalho também inclui o monitoramento da execução dos projetos contemplados, atendimento aos agentes culturais cadastrados, produção de relatórios de acompanhamento e suporte técnico na prestação de contas dos recursos públicos. O contrato prevê ainda a entrega de formulários de cadastro, editais publicados, relatórios periódicos e um relatório final de prestação de contas, cobrindo desde a fase de planejamento até a conclusão da aplicação dos recursos da PNAB no município.

A legislação permite a participação de MEIs em contratações públicas, entretanto, uma empresa tão jovem costuma não ter preferência nessa escolha. Além disso, por ser um contrato de 12 meses, Arthur terá de realizar todo o trabalho praticamente sozinho.  

No primeiro ciclo da PNAB, em 2024, o município era chefiado pelo prefeito Enelto Ramos da Silva (PP). Na época, o município recebeu R$ 136.148,00 e esse recurso, existem denúncias, não chegou aos artistas que são compostos por músicos, dançarinos, teatrólogos, artesãos e artistas plásticos. Ainda assim, somado ao rendimento, Sonora executou o repasse de 106% do valor aos artistas, o que equivale a R$ 145.330,00.

FUNCIONÁRIOS DA PREFEITURA CONTEMPLADOS

A reportagem apurou que, no primeiro ciclo da PNAB, alguns servidores da prefeitura que executou o edital acabaram recebendo os recursos federais.

Por exemplo, Andrelina Mafalda de Paula, que é professora de educação especial e recebe salário bruto de R$ 12 mil, recebeu R$ 2.403,79.

Outra contemplada com pouco mais de R$ 2,4 mil, Bruna Patrícia de Jesus é diretora de uma escola, onde trabalha 40 horas semanais desde 2012, e ainda possui um vínculo estatutário de mais 20 horas com a prefeitura desde 2020, atuando como professora de matemática. Pelos dois cargos, a professora recebe a bagatela de R$ 21,9 mil mensais.

Outra contemplada com os R$ 2,4 mil da PNAB é a Rainha do Rodeio de Sonora, Camila Martins de Souza, que tem como "hobby" dançar. Ela mantém uma empresa de estética de cílios na cidade. Não localizamos nenhum trabalho artístico de Camila que lhe confira o direito à verba cultural.

Também empresária, mas do ramo da engenharia, outra contemplada com os R$ 2,4 mil da verba cultural em Sonora foi Cecylia Vieira Prado, dona da Prado Engenharia e Soluções Ltda., empresa que realiza serviços de engenharia elétrica.

Na área de montagem de estruturas para eventos, foi contemplado um homem que carrega no sobrenome o próprio serviço que oferece: Cleversom Toldo. Ele, porém, foi contemplado com R$ 6 mil da verba cultural. Cleverson já teve contratos superiores a R$ 70 mil com a Prefeitura de Sonora e também contratos com a Câmara Municipal.

Também beneficiária de R$ 2,4 mil da cultura foi Danielle da Silva Mateus, que, há apenas sete dias, em 17 de junho de 2026, abriu um MEI para atuar no ramo de pensão e aluguel de quartos. Não localizamos qualquer trabalho cultural de Danielle disponível na internet ou em redes sociais.

Para não estender demasiadamente o conteúdo, vamos listar abaixo quem teve comprovação de atuação artística localizada pela reportagem, quem não teve nenhuma atividade cultural identificada e quais beneficiários também são servidores da prefeitura que receberam a verba:

Já nesse clico 2 da PNAB, Sonora é chefiada pela prefeita Maria Clarice Ewerling (MDB). Nesta edição o município recebeu R$ 132.073,00 do Ministério da Cultura (MinC) para repassar aos artistas.

A pasta que gerencia a verba é chamada de secretaria de Educação e Cultura, chefiada por Josevam Lopes do Nascimento.