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ÁGUA BONITA

'Kaguateka' estreia em aldeia urbana de Campo Grande

'Mesmo na cidade não deixamos de ser indígenas, mantendo a nossa cultura, a nossa língua, a nossa dança, a nossa cosmovisão', afirma uma das protagonistas

25 JUN 2026 • POR TERO QUEIROZ • 11h18
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A exibição marca a primeira apresentação pública da obra na Capital. - Reprodução/Divulgação

A rotina de mulheres indígenas que vivem entre a aldeia e a cidade ganha espaço no documentário “Kaguateka: Aquelas que Resistem”, que terá pré-estreia gratuita nesta 5ª feira (25.jun.26), às 19h30, na Aldeia Urbana Água Bonita, em Campo Grande (MS). 

Dirigido por Gleycielli Nonato Guató, o filme acompanha trajetórias de mulheres que deixaram seus territórios de origem, mas mantêm vínculos com identidade, língua, tradições e modos de vida.

Filme é dirigido por Gleicyelli Nonato Guato. Foto: DivulgaçãoFilme é dirigido por Gleycielli Nonato Guató. Foto: Divulgação

A exibição marca a primeira apresentação pública da obra na Capital.

O documentário recebeu R$ 40.092,00 de recursos oriundos da Política Nacional Aldir Blanc (PNAB), do Ministério da Cultura (MinC), por meio de edital executado pela Prefeitura de Campo Grande, via Fundação Municipal de Cultura (Fundac). A íntegra

Entre as personagens está Mirian Marcos Tsibodowapré, indígena Terena da Terra Indígena Taunay Ipegue, que hoje vive em Campo Grande.

Ela relata que sua participação no projeto veio justamente da experiência de transitar entre a aldeia e o ambiente urbano.

Miriam é uma das protagonistas do documentário 'Kaguateca': Mulheres Que Resistem'. Foto: Tero QueirozMiriam é uma das protagonistas do documentário Kaguateka: Aquelas que Resistem'. Foto: Tero Queiroz

Para Mirian, o filme ajuda a romper visões estereotipadas sobre a presença indígena nas cidades.

"Mesmo na cidade não deixamos de ser indígenas, mantendo a nossa cultura, a nossa língua, a nossa dança, a nossa cosmovisão", afirma.

Vinda de uma família ligada ao movimento indígena, ela é sobrinha de Marcos Terena e Domingos Marcos, nomes históricos na articulação indígena no país, além de filha de Mada Terena, liderança indígena em Campo Grande.

Hoje, Mirian atua na defesa dos direitos das mulheres indígenas e na luta por espaços de inclusão.

"Sofremos duas vezes mais o preconceito, por sermos mulheres e indígenas. Não é fácil, mas não é impossível", completa.

Ela define o documentário como um registro de vivência real e de memória coletiva.

O projeto também contou com apoio técnico do Comitê de Cultura de Mato Grosso do Sul (CCMS), por meio do Programa Nacional dos Comitês de Cultura, em parceria com a Associação Flor e Espinho.

Segundo a diretora da instituição, Nair Gavilan, o trabalho é voltado ao suporte técnico de projetos culturais na elaboração e estruturação para acesso a editais.

A diretora do documentário, Suzie Vito, afirma que o apoio foi decisivo para a realização da obra.

Além de “Kaguateka”, outros 54 projetos foram assessorados no primeiro ciclo da Lei Aldir Blanc em Mato Grosso do Sul. Desses, 39 foram aprovados em editais estaduais e municipais.