O escritor e poeta Sérgio Vaz foi um dos destaques da 10ª edição da Feira Literária de Bonito, realizada entre os dias 7 e 12 de julho em Bonito. Em vídeo-entrevista concedida ao TeatrineTV na 3ª feira (8.jul), o autor fez críticas aos chamados influenciadores digitais quando o assunto é produção de conhecimento.
“Os influenciadores não me influenciam em nada. A não ser apostar, e como eu não aposto, então não serve para nada para mim”, disparou.
Na entrevista, Vaz defendeu a literatura periférica como instrumento de consciência histórica e protagonismo negro.
“A importância da literatura é a gente ter consciência da nossa própria história, do protagonismo que nós temos no Brasil e que muitas vezes não é lembrado. A literatura periférica quer resgatar essa história com novos protagonistas e contada por dentro”, anotou.
Para o escritor, a produção cultural das periferias representa uma reescrita da história a partir de quem vive essa realidade.
“O que é a literatura grega? Feita pelos gregos. O que é a literatura periférica? Feita por gente que mora na periferia. É isso, nós estamos querendo reescrever a história”, disse.
A palavra além do livro
O autor avaliou que a poesia vive um de seus melhores momentos graças à expansão dos saraus, slams e batalhas de rima.
“Hoje nós temos saraus, slams, batalhas de rima, onde o protagonismo é a palavra. Nem sempre é o livro, mas é a palavra”.
Segundo ele, a oralidade aproxima os jovens da literatura e dialoga com tradições ancestrais.
“A literatura está chegando para os jovens através da palavra oral, que já era dos nossos ancestrais. Eu não vejo um momento melhor da poesia do que esse momento atual”, opinou.
Pensamento próprio
Durante a entrevista, o autor também refletiu sobre o cenário político e social do país, defendendo a leitura como ferramenta de autonomia intelectual.
“Nós estamos precisando hoje de foco e concentração nesse país super dividido. Que as pessoas não pensem por nós. Que a inteligência ainda continue humana, natural”.
Ao falar sobre sua trajetória, Sérgio Vaz afirmou que viver da literatura sempre foi o único caminho possível.
“A palavra, o livro, a leitura, a poesia têm tudo a ver comigo, com a minha humanidade. Cada vez que eu venho a um lugar desse eu realizo um sonho”.
Frutos da luta
O poeta ainda comparou a realidade da juventude atual com a de sua geração e avaliou que houve avanços importantes no acesso à informação e à educação.
“A juventude de hoje tem muito mais informação do que a minha época. Na minha época eu não sabia nem o que era fazer uma faculdade. Hoje os jovens estão aqui trabalhando como jornalistas. Seria impensável na minha época. Tem muita coisa para conquistar, mas eu vejo que está muito melhor”, concluiu.
A 10ª FLIB segue até o dia 12 de julho em Bonito, com mesas literárias, lançamentos de livros, oficinas e apresentações culturais.