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BLOSSOM

Projeto aposta na moda e no audiovisual para ampliar vozes e autoestima trans

Desde a sua criação, sete editoriais foram produzidos utilizando a imagem como ferramenta de expressão

8 MAI 2026 • POR FERNANDO PRESTES* • 18h05
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Editorial Projeto Blossom | Foto: Divulgação

Em meio às insistentes narrativas de exclusão contra pessoas trans em Campo Grande — como evidenciado em reportagem recente do TeatrineTV sobre a Lei nº 7.615/26, que impede mulheres trans de utilizarem banheiros femininos na Capital —, a arte segue como uma das principais expressões de resistência.

Nesse contexto, destaca-se o projeto Blossom, que utiliza moda e audiovisual para afirmar existências, ampliar vozes e fortalecer a autoestima.

Criado em 2024, o projeto reúne profissionais LGBTQIA+ da cena cultural de Campo Grande para produzir editoriais de moda e materiais audiovisuais protagonizados por mulheres trans e travestis. 

Desde o início, o projeto já realizou sete produções independentes, utilizando a moda e a imagem como ferramentas de expressão, visibilidade e construção de autoestima em um contexto marcado pelo aumento de ataques e perseguições à população trans no país.

Apesar da equipe técnica reunir diferentes identidades LGBTQIA+, a proposta dos editoriais mantém o foco exclusivo em modelos trans e travestis mulheres.

Projeto Blossom reúne artistas LGBTQIA+ | Foto: DivulgaçãoProjeto Blossom reúne artistas LGBTQIA+ | Foto: Divulgação

O coletivo foi idealizado pelo produtor e diretor criativo Baiflu Alencar e hoje conta com nove integrantes em diferentes áreas da produção artística: Alle Alonso, na fotografia; Nara Forato, responsável por cabelo, maquiagem e unhas; Hanna de Souza, na fotografia e filmagem; Ricardo Augusto, na edição e retoque; Vênus Eugênio, na maquiagem; Guilherme Biajo, como assistente de produção; Charlotte Bruno, na cenografia; e Murilo Gomes, na filmagem. Entre os integrantes do coletivo também estão Charlotte Bruno, travesti, e Vênus Eugênio, pessoa não-binária.

Em entrevista ao TeatrineTV, Baiflu explicou que o projeto nasceu da vontade de unir produção de moda e questões sociais. "O Blossom Forever é um projeto de moda criado em 2024 por mim em conjunto com outros profissionais LGBTQIA+ da área, na capital. O nome do projeto foi inspirado em um dos trabalhos da cantora Urias, na música 'Blossom', do álbum Her Mind", explicou.

COMO O PROJETO ACONTECE

Na construção visual dos editoriais, Baiflu diz utilizar referências vindas da produção de moda e também das histórias pessoais das modelos participantes. Formado em Produção de Moda pelo Senac Hub, ele afirma buscar elementos ligados à vida cotidiana de cada pessoa retratada.

"Tento absorver alguma parte da vida da modelo que possa ser transformada, como seus gostos, hobbies, profissões e etc.", explicou.

A referência, segundo ele, dialoga com a ideia do florescimento de corpos trans em meio às dificuldades sociais e institucionais enfrentadas pela comunidade.

Audiovisual Projeto Blossom | Foto: DivulgaçãoAudiovisual Projeto Blossom | Foto: Divulgação

Baiflu explicou também que além dos ensaios fotográficos, o projeto também passou a investir em ações de convivência e fortalecimento comunitário. Nos últimos meses, o coletivo promoveu encontros entre modelos, equipe e apoiadores, incluindo jantares, coquetéis e rodas de conversa.

Entre as ações realizadas recentemente, ocorreu durante a TRANSocupação "Marcela Aguiar", onde o grupo realizou um "Momento Blossom", com piquenique e debate sobre organização comunitária e cenário político envolvendo pessoas trans.

Baiflu também revelou que o projeto, apesar de sua grande importância, encontra dificuldade para se manter, sendo boa parte dos custos sendo difidos entre os próprios integrantes. O grupo chegou a tentar comercializar impressões fotográficas para arrecadar recursos, mas a iniciativa teve pouco retorno. Para Baiflu, isso também reflete a falta de investimento contínuo em cultura e moda autoral na cidade. Atualmente, o único apoiador fixo do projeto é o Ponto Bar, que cede espaço para produções e encontros do coletivo. 

"O consumo de moda aqui é realmente difícil de ser imposto, mas isso não é culpa do público. É necessário todo um investimento em cultura para que essa economia volte a girar", afirmou.

FUTURO DO PROJETO

Hoje as atividades acontecem apenas na capital sul-mato-grossense, mas o coletivo pretende expandir as produções para cidades do interior por meio de editais culturais. A ideia é registrar experiências de pessoas trans fora dos grandes centros urbanos, especialmente diante das dificuldades relacionadas à segurança, acesso e expressão estética.

Para 2026, o projeto entra em uma nova fase chamada "Blossom Forever". A proposta passa a focar em personalidades trans com atuação política, social e cultural ligada à construção da comunidade LGBTQIA+. Além dos editoriais de moda, os próximos trabalhos devem incluir fashion films, entrevistas, bastidores e conteúdos audiovisuais mais aprofundados sobre as trajetórias dos participantes.

Editoriais de moda do Projeto Blossom | Foto: DivulgaçãoEditoriais de moda do Projeto Blossom | Foto: Divulgação

O termo "Forever", segundo o coletivo, faz referência a pessoas consideradas marcantes dentro da luta LGBTQIA+, especialmente figuras que ajudaram a construir espaços de resistência e reconhecimento para a comunidade. A nova etapa será guiada pela pergunta: "o que te faz ser eterno?".

Mais informações do projeto pelo instagram: @blossom.proj

ESTAGIÁRIO FERNANDO PRESTES SOB A SUPERVISÃO DA REDATORA ALY FREITAS*