Diversos trabalhadores da cultura sul-mato-grossense usaram as redes sociais na 4ª.feira (23.set.26) e 5ª feira (24.set), para contestar a demissão súbita do analista em cultura do Sesc MS, Paulo Henrique dos Santos Oliveira.
Segundo apuração do TeatrineTV, Paulo é bailarino, formado em Artes Cênicas e Dança pela UEMS, e possui especializações em Arte e Educação e em Gestão Cultural: Cultura, Desenvolvimento e Mercado. Ele integrava o quadro de colaboradores do Sesc MS desde 2022 e trabalhou em ações voltadas à produção e difusão cultural sul-mato-grossense, incluindo atividades de curadoria relacionadas ao Palco Giratório e à programação do Teatro Prosa.
Procurado pela reportagem, Paulo preferiu não se manifestar sobre o desligamento.
Amigo de longa data de Paulo, o artista e produtor cultural Markinhos Mattos, classificou a demissão como “abrupta" em publicação no Instagram.
“E nos leva a refletir sobre a importância das pessoas que, cotidianamente, constroem a cultura dentro das instituições", apontou Mattos.
Ainda segundo o trabalhador da cultura, Paulo tem reputação ilibada à frente do cargo.
“Ao longo de quatro anos, esteve à frente de processos que possibilitaram a aprovação de projetos sul-mato-grossenses no Palco Giratório, contribuindo diretamente para que a produção artística de Mato Grosso do Sul pudesse circular, ser vista, apreciada e reconhecida em diferentes lugares do país", argumentou.
O Grupo de Pesquisa em Danças Populares Brasileiras Renda que Roda, vinculado aos cursos de Teatro e Dança da Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul (UEMS), onde Paulo é graduado, exigiu justificativa para a demissão. A íntegra.
“Com uma formação consolidada e um compromisso genuíno com a cultura, sua saída representa uma perda irreparável para o SESC MS e para toda a comunidade artística do Estado e esperamos que sua demissão seja decentemente justificada”, anotou.
Para a Cia Teatro do Mundo, o desligamento foi descrito como "manobra desastrosa".
"Ainda sem entender como o Sesc MS pode ter retirado do seu quadro de colaboradores o Paulo. O Mato Grosso do Sul perde muito com sua saída inesperada. Quem está por trás dessa manobra desastrosa? União e olho vivo, moçada. Tem algo de pobre nesse reino". A íntegra.
Os Colegiados Setoriais de Teatro de Mato Grosso do Sul e de Campo Grande também divulgaram um manifesto conjunto apontando a singularidade de Paulo no cargo.
“Raros são os gestores que conseguem aliar rigor técnico, presença constante no território, escuta ativa e sensibilidade genuína para com a diversidade e a pluralidade dos nossos grupos. Paulo Henrique dos Santos Oliveira personifica essa rara convergência", salientaram os trabalhadores do teatro.
No documento, os colegiados também afirmam que a saída de Paulo representa um retrocesso no diálogo com a instituição.
“Com sua saída, perde o Sesc, perdem as artistas e os artistas, e sobretudo, a cena cultural de Mato Grosso do Sul. Interrompe-se um canal de diálogo construído com base no respeito, na dignidade das relações e na compreensão profunda do fazer artístico", sustentou.
Os colegiados encerraram o manifesto agradecendo a atuação do analista e pedindo que o Sesc MS reveja seus conceitos, optando por preservar os espaços de diálogo com a comunidade teatral do Estado. A íntegra.
A reportagem do TeatrineTV procurou o Sesc MS para ouvir a instituição sobre o caso, mas não obteve retorno até a publicação desta matéria. O espaço segue aberto para manifestação.