Reeleito, Eduardo Riedel, inicia seu projeto contra a Cultural sul-mato-grossense. Foto: Chico Ribeiro
O governador de extrema direita Eduardo Riedel (PP) começou sua movimentação contra a Cultura sul-mato-grossense. Já é certo nos corredores da Secretaria de Estado de Turismo, Esporte e Cultura (Setesc) que a pasta será extinta nesse segundo mandato de Riedel. O ex-tucano, agora bolsonarista, deve transferir as fundações vinculadas à pasta para outra estrutura do governo.
O TeatrineTV apurou que a Cultura deve, de novo, ficar subordinada aos desejos da Secretaria de Estado de Governo e Gestão Estratégica (Segov).
A proposta, que vazou na 4ª.feira (4.nov.26), deve atingir a Fundação de Cultura de Mato Grosso do Sul (FCMS).
A medida não é nenhuma novidade. Riedel apenas repete um movimento já realizado pelo seu padrinho político, Reinaldo Azambuja (PL), que extinguiu a Secretaria de Estado de Cultura e Cidadania em 2018.
Esse conteúdo faz parte da série de reportagens 'Uso dos Recursos Públicos Culturais em MS', do TeatrineTV.
SEM COMPROMISSO COM A CULTURA
A extinção de uma secretaria exclusiva para a Cultura por Azambuja veio com a Lei Estadual nº 5.304, criada na tentativa de cortar gastos de um governo ruim.
Na época, com a reforma, a Secretaria de Estado de Cultura e Cidadania deixou de existir em 1º de janeiro de 2019. Suas competências, assim como a Fundação de Cultura e a Fertel, foram incorporadas à Segov.
Diante da ineficácia do corte e devido à pressão dos trabalhadores da Cultura, a estrutura foi retomada em 2021, quando Azambuja recriou a Secretaria de Estado de Cidadania e Cultura (Secic). Na época, para receber e gerir recursos da Lei Paulo Gustavo, lançada pelo Legislativo federal em meio à pandemia de Covid-19.
A Fundação de Cultura voltou a ficar vinculada à pasta, que também passou a coordenar as subsecretarias de políticas públicas.
INIMIGO ELEITO COM VOTOS DA CULTURA
Apadrinhado por Azambuja, Riedel concorreu ao governo em 2022 e venceu no 2º turno com votos expressivos do setor cultural. O motivo? O adversário de Riedel era o declarado inimigo da Cultura, Capitão Contar.
Já eleito, em 2023, Riedel desmembrou a Secretaria de Estado de Turismo, Esporte, Cultura e Cidadania, dando origem à Secretaria de Estado de Cidadania (SEC) e à atual Setesc.
Na ocasião, as fundações de Cultura, Turismo e Esporte permaneceram vinculadas à Setesc.
Também nos seus primeiros atos de mandato, Riedel deu esperança de que faria uma gestão pró-cultura. Ele entregou equipamentos culturais que estavam com obras paralisadas ao longo dos 8 anos de Azambuja.
Riedel convocou um encontro no Palácio Popular da Cultura e lotou o local com centenas de trabalhadores das artes para anunciar uma agenda completa, chamada de "MS Cultural", que incluía dezenas de projetos a serem executados pela gestão.
Dentre as promessas estavam a retomada de prêmios como Rubens Corrêa, Circulação de Dança, investimento no setor audiovisual, realização de festivais de maneira mais participativa, realização da Mostra Boca de Cena, além da execução anual do Fundo de Incentivo à Cultura (FIC), único edital de fomento executado pelo governo destinado às artes.
Agora, três anos se passaram, e praticamente nenhuma das promessas do "MS Cultural" foi cumprida.
Na contramão da esperança, o "tempo" converteu Riedel em um dos piores gestores para a Cultura na história de Mato Grosso do Sul. Desde a redemocratização do Estado, em 1982, não houve, na avaliação deste jornal, um gestor tão prejudicial à Cultura quanto Eduardo Riedel.
No seu 1º mandato, Riedel executou apenas um edital do FIC e está caloteando o pagamento desse certame. O 'afilhado' de Azambuja é dono de um marco surpreendente. Ele conseguiu ter uma gestão cultural pior que a gestão de seu padrinho, que, em 8 anos, lançou 4 editais do FIC.
A fracassada gestão da Fundação de Cultura de Mato Grosso do Sul (FCMS), chefiada pelo radialista Eduardo Mendes Pinto, tem parte dos louros da má gestão de Riedel. Isso porque, em 3 anos, a FCMS esgotou toda a verba cultural em contratações diretas (pagando shows sertanejos e religiosos) e, sem qualquer força de articulação, Eduardo Mendes não conseguiu mostrar ao governador um caminho decente a ser seguido.
Também deve ser dado o crédito dessa má gestão à Setesc, agora comandada por Alessandro Menezes, que assistiu a todo esse descalabro sem propor nada à sua subordinada e muito menos levar as demandas à Governadoria.
Em 3 anos, a Setesc de Riedel não teve nenhuma proposta estruturada de programa contínuo de investimento em nenhuma área da Cultura.
O tempo também revelou que o mal combatido na eleição de 2022, Capitão Contar, chegou ao cargo de senador tendo como aliado de primeira hora o mesmo grupo político de Azambuja e Riedel.
O tempo mostrou que a extrema direita odeia a Cultura e se passa por "moderada" para chegar ao poder.
O tempo escancarou que os únicos beneficiados com a nociva gestão cultural de Riedel foram os "chegados", os sertanejos e os cantores gospel.