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10ª FEIRA LITERÁRIA DE BONITO

Em show na FLIB, banda desafia rejeição ao “novo”

É preciso “jogar essa semente”, dizem artistas sul-mato-grossenses

Por TERO QUEIROZ • 10/07/2026 • 08:51
Em show na FLIB, banda desafia rejeição ao “novo” (7.jul.26) - Banda executa mega-show autoral em Bonito durante a Feira Literária de Bonito,. Foto: Tero Queiroz

O show “Dois Lados”, apresentado na noite da 3ª feira (7.jul.26), na abertura da 10ª Feira Literária de Bonito (FLIB), destacou-se pelo repertório majoritariamente autoral estigando o debate comum no circuito musical sul-mato-grossense: por que o público ainda resiste a ouvir músicas inéditas?

(7.jul.26) - Carlos Colman durante show na 10ª FLIB, Foto: Tero Queiroz

Para o compositor Carlos Colman, essa justamente a indagação que o levou a criar o projeto ao lado de Marcos Mendes, Maria Cláudia e Ana Duarte. 

“Começamos a perceber que as pessoas estavam tocando sempre as mesmas músicas. Então resolvemos fazer um projeto que aparentemente era meio perigoso: tocar música autoral”, introduziu logo após o show.

Ainda segundo Colman, a ideia surgiu dentro do projeto Companhia do Mundo, criado para apresentar composições próprias que raramente encontravam espaço nas programações tradicionais.

“A gente começou a perceber que ninguém tinha coragem de mostrar alguma coisa nova. E eu tinha composições, o Marquinhos também, aí nos unimos", contou. 

Entre o forró e a MPB

Marcos Mendes explicou que o repertório foi construído justamente para mostrar a diversidade das composições dos dois artistas.

“O Carlinhos tem muita coisa que não é a mesmice, não é o mesmo ritmo. Eu também tenho reggae, tenho música mais para o lado da MPB. Procuramos fazer uma mescla para mostrar nossa forma de compor”, detalhou.  

Para Colman, as influências do projeto atravessam diferentes gerações musicais.

“Nós somos da geração pós-sertanejo, pós-Beatles, pós-Rolling Stones. São todas as nossas influências colocadas aí”, observou.

Rejeição ao novo

(7.jul.26) - 'Dois Lados' defende a música autoral na 10ª FLIB. Foto: Tero Queiroz (7.jul.26) - Maria Cláudia apresenta espetáculo 'Dois Lados' na 10ª FLIB. Foto: Tero Queiroz (7.jul.26) - Maria Cláudia apresenta espetáculo 'Dois Lados' na 10ª FLIB. Foto: Tero Queiroz (7.jul.26) - Ana apresenta espetáculo 'Dois Lados' na 10ª FLIB. Foto: Tero Queiroz (7.jul.26) - 'Dois Lados' defende a música autoral na 10ª FLIB. Foto: Tero Queiroz (7.jul.26) - Carlos Colman apresenta espetáculo 'Dois Lados' na 10ª FLIB. Foto: Tero Queiroz

Colman contou que as apresentações realizadas no interior do estado revelaram uma dificuldade do público em aceitar repertórios inéditos.

“As pessoas não estão preparadas para receber o novo, o novo entre aspas. Querem sempre a mesma coisa, o sertanejo universitário e essa coisa toda", lamentou.  

Mesmo assim, o grupo decidiu manter a proposta original.

“Desde o começo a ideia era tocar nem que fosse para uma pessoa ou duas. Nós íamos tocar a nossa música”.

Colman comparou a situação de hoje com a trajetória de clássicos da música brasileira.

“Uma canção como ‘Tocando em Frente’, antes de alguém começar a tocar, também era desconhecida. Então você tem que começar a tocar”, declarou. 

A semente para o futuro

(7.jul.26) - Marcos Mendes defende som autoral na Feira Literária de Bonitio (10ª FLIB). Foto: Tero Queiroz

Apesar da resistência inicial, Marcos Mendes disse que o projeto também revelou uma carência do público por novidades.

“Ao mesmo tempo que existe rejeição pelo novo, existe também uma carência. As pessoas ficam no show e perguntam: ‘Que músicas são essas?’”.

O músico afirmou que houve momentos em que o grupo pensou em seguir o caminho mais fácil.

“Às vezes a gente pensa: ‘Podia fazer o que todo mundo faz, que é mais fácil para conquistar o público’. Mas se a gente não fizer isso, não vamos ter nada de novo para mostrar”.

Para ele, o objetivo principal sempre foi deixar um legado.

“Talvez essas músicas sejam cantadas daqui a 20, 30 ou 40 anos. A gente tinha que jogar essa semente”.

FLIB é circulação

(7.jul.26) - Maria Cláudia na FLIB. Foto: Tero Queiroz

A cantora Maria Cláudia, que participou pela primeira vez da feira, destacou a receptividade do público bonitense.

“Fiquei impressionada. O público é muito afetivo, muito receptivo. Isso é o bom: mostrar coisas daqui e coisas de fora que se misturam”, comentou. 

Por fim, Marcos Mendes avaliou que a FLIB cumpre um papel importante na valorização da escrita, no caso, das letras musicais. 

“Ter uma feira literária para mostrar os nossos valores nas letras e nas páginas é de extrema importância para a nossa cultura”, concluiu. 

 


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