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CINCO SESSÕES

Instalação 'Bailar no Escuro' une linguagens artísticas no Casarão Thomé

Esculturas e elementos cenográficos compõem o ambiente, dialogando com a arquitetura de 1947

Por TERO QUEIROZ • 03/02/2026 • 15:40
Imagem principal Hallison e Verônica estreiam 'Bailar no Escuro' ocupa o Casarão Thomé, em Campo Grande (MS). Foto: Lunar Fotografias

A instalação-performática 'Bailar no Escuro' ocupa o Casarão Thomé, em Campo Grande (MS), para uma temporada de cinco sessões gratuitas a partir desta 6ª feira (6.fev.26).

Idealizado pelo duo Halisson Nunes e Verônica Lindquist, o projeto integra dança contemporânea, literatura e tecnologia em uma experiência sensorial.

As apresentações ocorrem 6ª feira, às 19h, e seguem no sábado (7.fev.26) e domingo (8.fev.26) com sessões às 19h e 20h30.

De acordo com os idealizadores, o trabalho propõe um estado de presença no qual o público constrói a narrativa a partir de recortes visuais específicos.

A classificação indicativa é de 14 anos e haverá acessibilidade em Libras em todas as sessões.

Os ingressos são limitados e devem ser retirados no local com uma hora de antecedência.

O Casarão fica na Rua 14 de Julho, 3169, no bairro São Francisco.

DINÂMICA E TECNOLOGIA

Parte do cenário preparado para a instalação performática. Foto: Lunar FotografiaParte do cenário preparado para a instalação performática. Foto: Lunar Fotografias

A obra define-se pelo formato de instalação-performática, onde o espectador ocupa um ponto fixo.

O público é acomodado no mobiliário da casa, sem transitar pelos cômodos durante a ação.

“Não há deslocamento do espectador pelo espaço: cada pessoa assiste à obra a partir do seu campo de visão, criando uma experiência singular, determinada pelo lugar que ocupa”, explicou Halisson Nunes.

Recursos tecnológicos, como monitores e vídeo mapping, são utilizados para interferir no ambiente.

As imagens projetadas atravessam os três cômodos ocupados pela obra, alternando entre visibilidade e ocultação.

A narrativa visual buscará deslocar a percepção do real, operando nos intervalos entre o que é visto e o que é ouvido.

ORIGEM LITERÁRIA

Projeto nasceu do poema homonimo Bailar no Escuro de  Verônica Lindquist. Foto: Lunar FotografiaProjeto nasceu do poema homônimo Bailar no Escuro de  Verônica Lindquist. Foto: Lunar Fotografias

O conceito central deriva da prosa poética homônima escrita por Verônica Lindquist durante o período pandêmico.

O texto original serve como base para o cruzamento entre as artes visuais e a expressão corporal.

“'Bailar no Escuro' é a junção de experimentações no encontro de linguagens entre artes visuais, literatura e expressão corporal. Quando entramos nesse campo, surgem inquietações sobre as relações humanas no mundo contemporâneo, que depois se expandem para pensar as relações interespécies, uma comunicação mais subterrânea, imagética”, detalhou Verônica.

Simbolicamente, a performance concentra-se no espaço do "quarto de despejo" da residência.

O local atua como metáfora para o acúmulo de memórias e fragmentos históricos atravessados pelos corpos dos performers.

PROCESSO CRIATIVO

Projeto traz como uma das fontes de inspiração a natureza e as interconexões das plantas. Foto: Lunar FotografiasProjeto traz como uma das fontes de inspiração a natureza e as interconexões das plantas. Foto: Lunar Fotografias

A construção cênica optará pela ausência de uma coreografia fixa ou predeterminada.

A ação é desenvolvida em tempo real, baseada em dispositivos de ativação e na relação com o espaço físico.

“Entendemos que o trabalho precisava ser vivo. A expressão corporal não é coreografada, mas construída no agora, como nas performances. Cada sessão é diferente da anterior, porque depende do espaço, das relações e da presença de quem está ali”, adiantou Halisson.

A duração total da experiência é de 40 minutos.

Esculturas e elementos cenográficos compõem o ambiente, dialogando com a arquitetura de 1947.

ESPAÇO E MEMÓRIA

Bailar no Escuro será realizado no Casarão Thomé na Capital. Foto: Lunar FotografiasBailar no Escuro será realizado no Casarão Thomé na Capital. Foto: Lunar Fotografias

O Casarão Thomé é um patrimônio histórico construído pela família responsável por diversas obras de infraestrutura na capital.

Atualmente, o local é gerido por Miska Thomé e mantém um acervo de documentos e objetos da época.

“Tenho encontrado minha pesquisa artística nos patrimônios históricos. Quando conheci o Casarão Thomé, senti que ele poderia ser um espaço de ocupação cênica”, pontuou Halisson.

Para a construção da obra, não há hierarquia entre o texto literário e a movimentação dos artistas.

“Penso a obra como camadas. Quando o texto aparece, ele não domina a cena, mas dialoga com a instalação e com a performance, criando uma composição cheia de transparências”, descreveu Verônica.

A obra propõe uma experiência sensorial que cruza dança contemporânea, literatura, artes visuais e tecnologia. Foto: Lunar FotografiasA obra propõe uma experiência sensorial que cruza dança contemporânea, literatura, artes visuais e tecnologia. Foto: Lunar Fotografias

O poema aborda a busca por comunicação e o contato com o outro, além de refletir sobre a virtualidade.

“É um tatear no escuro que cria ritmo, diálogo, expansão e retração. Uma dança. Desse escuro emergem memórias, ancestralidades e também reflexões sobre o virtual, que transcendem a ideia de presença física”, analisou a artista.

A temática estende-se à observação de formas de comunicação naturais, como as redes subterrâneas de plantas.

“O trabalho questiona essa separação entre real e virtual. Observamos as plantas, as redes subterrâneas, os rizomas, as teias. Essas imagens nos ajudam a perceber que nossa ideia de rede digital nasce da própria natureza, de como nos comunicamos com ela e com nós mesmos”, concluiu Verônica.

O projeto foi obteve R$ 40.020,00 de financiamento via edital da Política Nacional Aldir Blanc (PNAB) do Ministério da Cultura no governo do presidente Lula (PT). 

A execução ocorre via edital gerenciado pela Fundação Municipal de Cultura (Fundac), vinculada à Prefeitura de Campo Grande. A íntegra


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Tags: Bailar no Escuro, Casarão Thomé, Halisson Nunes, Miska Thomé, Verônica Lindquist

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