O Coletivo Arte em Movimento realizou, nos dias 13 e 14 de dezembro, o I Workshop de Ballet Clássico e Dança Criativa, reunindo familiares e moradores da região em uma programação gratuita composta por aula aberta e mostra de coreografias. A atividade aconteceu na Associação de Moradores do Parque Residencial Maria Aparecida Pedrossian (AMAPE), na capital sul-mato-grossense.
Dividido em dois dias, o workshop apresentou ao público o desenvolvimento técnico e artístico das bailarinas atendidas pelo coletivo.
No dia 13, participaram crianças de 5 a 10 anos, integrantes do grupo infantil.
Já no dia 14, foi a vez do grupo juvenil, formado por bailarinas de 10 a 17 anos, que apresentaram exercícios de ballet clássico, avanços técnicos e coreografias autorais construídas de forma coletiva ao longo do ano.
De acordo com a coordenação, a proposta do workshop foi diferente das edições anteriores, quando o coletivo produziu espetáculos autorais apresentados no Teatro do CRAS do Jardim Noroeste.
Projeto leva dança a crianças e adolescentes do Maria Aparecida Pedrossian | Foto: DivulgaçãoEm 2025, diante das dificuldades de acesso a recursos e apoios, a iniciativa priorizou um formato mais acessível, voltado à comunidade, sem abrir mão da qualidade artística e pedagógica.
Criado em 2022, o Coletivo Arte em Movimento atua na formação artística de 35 crianças e adolescentes, principalmente de bairros periféricos, como o Maria Aparecida Pedrossian.
As aulas de ballet clássico seguem o método da Royal Academy of Dance, reconhecido internacionalmente, e são ministradas por Myla Barbosa, bailarina, coreógrafa, pedagoga e diretora teatral, com mais de 40 anos de atuação na cultura sul-mato-grossense.
Crianças durante aula do projeto de dança da AMAPE | Foto: Reprodução/ Arquivo AMAPE“Demos continuidade às aulas de ballet, que sempre foram prestigiadas na Amape. Hoje, o orgulho do coletivo é abranger toda nossa região, uns vêm de bairros distantes para oportunizar seu filho ao contato com arte, arte essa comprometida com o coletivo, construção de novas perspectivas de cultura e educação, juntos adquirimos novos saberes e aprimoramos ideias criativas e construtivas”.
Ainda de acordo com Myla, a continuidade do projeto depende do engajamento da comunidade e do fortalecimento das políticas públicas culturais.“É desanimador ver o projeto aprovado pelo poder público e o recurso não acompanha o cronograma, a cultura precisa ser vista como base da educação. No MS precisa olhar para a Cultura, que é o alicerce de um povo. O que nos falta é estímulo por meio de políticas públicas, interesse e repasses de verbas que sejam de forma comprometida”,informou.
Lucimar, mãe da aluna Éshiley Vitória, disse que poder ver a filha se realizando na dança e poder proporcionar esse sonho a ela é motivo de imenso orgulho e felicidade. “Um agradecimento especial à Professora Myla. Seu trabalho junto ao Coletivo Arte em Movimento é verdadeiramente inspirador. A dedicação, o carinho e o entusiasmo com que ela conduz as aulas são contagiantes. Ela não apenas ensina passos, mas também a alegria e a disciplina que a arte do balé exige, obrigada por todo o apoio e por abrirem portas para o desenvolvimento e a realização dos nossos jovens”, declarou.
Lucimar e filha Éschiley | Foto: ReproduãoIsadora Dantas de 17 anos, moradora do Jardim Noroeste, revelou que começou a participar do projeto com 14 anos como aluna de ballet clássico, “hoje, três anos depois, eu já atuo como ensaiadora e ajudante da professora. Ser valorizada dentro desse espaço mudou minha visão sobre mim mesma e sobre o meu futuro. No coletivo a gente não aprende só técnica de dança, a gente aprende disciplina, convivência, trabalho em grupo e, principalmente, a acreditar nas nossas capacidades. É um projeto que abre portas e mostra que arte também é pertencimento”.
Isadora Dantas, 17 anos e Ana Carla Espíndola Aprendizes e ensaiadoras | Foto: ReproduçãoSegundo Ana de Oliveira, mãe de Ana Carla, aprendiz e ensaiadora nas aulas, “o coletivo em que ela participa transformou não só a relação dela com a dança, mas também com o mundo. Minha filha ganhou disciplina, confiança, sensibilidade e um senso de pertencimento que não tem preço. A dedicação da professora Myla e dos demais voluntários, o cuidado com cada aluno e o compromisso em abrir portas fazem uma diferença enorme”, expressou.
Ana junto da filha Ana Carla Espíndola | Foto: Reprodução/ ArquivoA aluna Ana Carla falou que o Coletivo Arte em Movimento transformou a vida dela como bailarina e como pessoa. “Faço dança desde os 5 anos e estou no coletivo há 3 anos, e foi aqui que mais cresci, aprendi e me desenvolvi, e aprendendo um método tão importante como o Royal, cada ensaio, cada orientação e cada experiência me ajudaram a melhorar minha técnica, minha disciplina, e minha forma de me expressar. Ter uma atividade como essa dentro da nossa própria comunidade faz toda a diferença. A Amape é um espaço acessível, acolhedor e cheio de oportunidades, onde nós, jovens, podemos aprender, nos dedicar e sonhar sem precisar sair de onde vivemos. Sei que sem esse coletivo eu não teria evoluído tanto. Aqui, a dança ganha ainda mais sentido para mim, e a dedicação realmente vira crescimento”, dissertou.
ESTAGIÁRIO FERNANDO PRESTES SOB A SUPERVISÃO DA REDATORA ALY FREITAS*





