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ARTESANIA

Conheça o artesão de Coxim que criou o troféu do Carnaval pantaneiro

A peça esculpida, traz um peixe com chapéu de bobo da corte

Por TERO QUEIROZ • 25/02/2026 • 23:44
Imagem principal Robertson Isan Vieira, ceramista e produtor cultural, de 57 anos, nascido e criado em Coxim, Mato Grosso do Sul. Fotos: Arquivo pessoal

O Troféu Folia do Carnaval 2026 de Coxim (MS) carrega as águas do Pantanal e a alma de Robertson Isan Vieira.

Aos 57 anos, o ceramista e produtor cultural sul-mato-grossense traduz a identidade regional no barro.

Robertson, faz grandes vazos de cerâmica adornados com grafismos indígenas e signos pantaneiros em Coxim (MS). Fotos: Arquivo pessoalRobertson faz grandes vasos de cerâmica adornados com grafismos indígenas e signos pantaneiros em Coxim (MS). Fotos: Arquivo pessoal

Em entrevista ao TeatrineTV, Robertson contou sobre o início de sua relação com a artesania.  

“Minha relação com o fazer manual começa na infância. Meu pai era pescador, escultor em madeira e confeccionava tarrafas. Cresci acompanhando esse trabalho ligado ao rio e à vida ribeirinha. Foi ali que aprendi o valor do tempo, da matéria e do trabalho feito com as mãos", introduziu.  

Robertson e o pai nas águas do Rio Taquari. Foto: Arquivo pessoalRobertson e o pai nas águas do Rio Taquari. Foto: Arquivo pessoal

Nesse ambiente pantaneiro ele criou a estética do que viria se tornar obras de arte. 

“A cerâmica veio mais tarde, mas carrega essa base: identidade, território e memória”, explicou Robertson.

Robertson modelando um jacaré em uma madeira. Foto: Arquivo pessoal

Suas referências visuais misturam o cotidiano ribeirinho com os tradicionais grafismos indígenas.

“Tenho pesquisado referências de alguns grafismo Kadiwéu a partir dos estudos do Memorial Henrique Spengler. Também dialogo com elementos do cotidiano ribeirinho — peixes, redes, frutos, o movimento das águas do Pantanal. Minha produção parte dessa observação e pesquisa. Não se trata de reprodução, mas de interpretação em cerâmica, principalmente em relevos e peças com temática ligada à pesca e à cultura pantaneira", detalhou.  

Robertson fez diversas formações e teve orientações para inserir-se no mercado de venda de artesanatos. Foto: Arquivo pessoalRobertson fez diversas formações e teve orientações para inserir-se no mercado de venda de artesanatos. Foto: Arquivo pessoal

Para aprimorar o trabalho e tornar as peças atrativas ao mercado, Robertson contou com apoios institucionais. 

"Ao longo da trajetória, participei de consultorias e treinamentos do SEBRAE/MS, que contribuíram para estruturar melhor o trabalho. Também integro a plataforma Made in Pantanal, que valoriza a produção regional", explicou. 

Os troféis do carnaval pantaneiro em Coxim, criados por Robertson. Foto: Arquivo pessoalProcesso de feitura dos troféis do carnaval pantaneiro em Coxim, criados por Robertson. Foto: Arquivo pessoal

Convidado pela Liga Carnavalesca de Coxim, o artista modelou o prêmio dos blocos vencedores deste ano.

“Sempre participei do Carnaval como brincante”, disse Robertson, que aceitou a missão como um desafio.

Deunice Andrade de Oliveira foi responsável por colorir o troféu. Foto: Arquivo pessoalDeunice Andrade de Oliveira foi responsável por pintar o troféu criado por Robertson. Foto: Arquivo pessoal

A peça esculpida, que ganhou cores pelas mãos de Deunice Andrade de Oliveira, traz um peixe com chapéu de bobo da corte.

“Pensei a peça como símbolo da identidade local. Busquei traduzir movimento, alegria e pertencimento”, afirmou.

O troféu criado por Robertson Isan Vieira para o Carnaval 2026 em Coxim. Foto: Arquivo pessoalO troféu criado por Robertson Isan Vieira para o Carnaval 2026 em Coxim. Foto: Arquivo pessoal

Para o produtor cultural, existe um recompensa singular em atuar no interior de Mato Grosso do Sul.

“A principal alegria é perceber que a produção local pode ganhar reconhecimento sem perder sua raiz”, avaliou.

Robertson atua na Associação Espaço das Artes e ministra aulas de modelagem no CAPS de Coxim.

“Sustentabilidade, para mim, envolve economia, responsabilidade ambiental e impacto social”, definiu o artesão.

Peças artesanais criadas por Robertson. 

Apesar das vitórias, ele reconheceu que produzir longe dos grandes centros exige articulação.

“O maior desafio é o acesso — a mercado, formação e visibilidade”, ponderou.

Ainda assim, ele acumula prêmios pelo simbolismo e qualidade de seu trabalho, que alcançam a Capital sul-mato-grossense e até mesmo fora do estado.

Robertson durante o projeto 'Encontro da Cerâmica nas Águas do Pantanal', idealizado pela ceramista Andrea Lacet. Foto: Arquivo pessoal

"Algumas conquistas marcaram essa caminhada, como a Medalha Conceição dos Bugres, o primeiro lugar na categoria Inovação Tecnológica no 1º Festival de Artesanato do Estado e a exposição permanente das peças “Vaso Piraputanga” e “Dourado” no Bioparque Pantanal", citou, destacando que os reconhecimentos foram resultado do projeto “Encontro da Cerâmica nas Águas do Pantanal”, idealizado pela ceramista Andrea Lacet.

"São reconhecimentos que fortalecem a trajetória e demonstram que é possível produzir no interior e dialogar com outros espaços", comentou Robertson.

Para o futuro, o artista disse estar preparando a execução do projeto cultural “Ícones do Barro”, apoiado pelo FIC/MS, que será realizado em Coxim e Rio Verde de Mato Grosso. 

“A proposta é oferecer formação em cerâmica com foco na iconografia regional e na valorização da identidade local”, adiantou.

O objetivo de Robertson é claro: manter o olhar voltado para as próprias raízes enquanto expande o alcance das suas peças de arte.

“A intenção é seguir aprofundando pesquisa, formação e produção autoral, mantendo o vínculo com o território e ampliando horizontes”, concluiu.

 


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Tags: Coxim, Pantanal, Robertson Isan Vieira, Troféu Folia do Carnaval 2026

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