Entre os dias 26 e 28 de março, a Cidade Universitária da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), em Campo Grande, recebe a segunda edição do FESTIVAL DA JUVENTUDE. Além de shows e apresentações culturais, o evento reúne uma série de oficinas voltadas à formação artística, com participação de profissionais do audiovisual e da literatura.
A programação inclui atividades conduzidas pela atriz Shirley Cruz e pelo cineasta sul-mato-grossense Joel Pizzini, que compartilham experiências acumuladas ao longo de suas trajetórias no cinema e na televisão.
Segundo o produtor e curador do festival, Febraro de Oliveira, as oficinas têm papel central na proposta do evento. “As oficinas transformam o festival de palco em laboratório. Enquanto os shows e apresentações oferecem inspiração e visibilidade, as oficinas oferecem processo e aprofundamento. Elas deslocam o jovem da posição de espectador para a de criador”, afirmou.
As atividades são gratuitas e abertas ao público mediante inscrição no site do festival.
A oficina “Em Cena, a Ação”, conduzida por Shirley Cruz, aborda interpretação para cinema e televisão. A atriz iniciou sua carreira no filme Cidade de Deus e, ao longo de mais de duas décadas de trabalho, participou de produções para cinema, televisão e streaming.
Entre seus trabalhos estão a série Filhos do Carnaval, a novela Bom Sucesso e a produção Cidade de Deus: A Luta Não Para. No cinema, atuou em filmes como O Clube das Mulheres de Negócios e A Melhor Mãe do Mundo.
Shirley Cruz, que ministra a oficina Em Cena a Ação | Foto: DivulgaçãoDurante a oficina, a atriz pretende discutir experiências vividas em testes, ensaios e gravações. “A vivência potencializa o meu conhecimento. Em vinte e cinco anos de carreira passando por projetos importantíssimos, eu já tive centenas de oportunidades de experimentar aquilo que eu ensino. Eu não suponho, eu vivi e isso faz toda diferença na mentoria”, comentou.
Ela também destaca a importância de compreender o funcionamento coletivo do cinema. “É muito importante o ator ter um entendimento mínimo sobre alguns departamentos e um conhecimento maior em outros, para que o seu trabalho seja realizado com toda potência. O ator é o resultado final de tudo que foi planejado e trabalhado antes de chegar ao set de filmagem”.
Para Shirley, iniciativas como o festival ajudam a aproximar jovens de possíveis caminhos profissionais. “Mais do que inspirar, o que já é fantástico — porque sonhar é fundamental — é aproximar esses jovens dos seus sonhos para que se materializem. Minha carreira não é uma história contada, ela é uma realidade”, expressou.
Outra atividade formativa é a oficina de roteiro cinematográfico conduzida por Joel Pizzini, diretor conhecido por trabalhos que dialogam com literatura, artes visuais e cinema experimental.
Entre seus filmes estão Caramujo-Flor, inspirado na obra do poeta Manoel de Barros, além de Enigma de um Dia, Glauces e 500 Almas. Seus trabalhos já circularam por festivais como a Mostra Internacional de Cinema de Veneza, o Festival de Brasília do Cinema Brasileiro e o Festival Internacional de Cinema de Mar del Plata.
Na oficina, o diretor discute o roteiro como ferramenta de orientação para a criação cinematográfica. “O roteiro é uma rota, um manual de sobrevivência na selva criativa. Ele oferece pistas, caminhos, mas não pode ser uma obra fechada. Precisa ser aberto, lacunar, para que o filme se transforme durante o processo”, explicou.
Para ele, o cinema se constrói a partir do diálogo com diferentes linguagens artísticas. “O cinema é conhecido como a arte das artes. Ele dialoga com a pintura, com o teatro, com a literatura. O autor precisa se impregnar dessas referências para encontrar a sua própria voz”.
Joel Pizzini, que ministra oficina de Roteiro Cinematográfico | Foto: DivulgaçãoAlém do audiovisual, o festival reúne oficinas em literatura, tecnologia e poesia falada. Uma delas é a oficina de escrita criativa ministrada pela escritora e jornalista Monique Malcher, vencedora do Prêmio Jabuti, que propõe o uso da observação do cotidiano e da pesquisa etnográfica como base para a produção literária.
A programação também inclui a oficina de capacitação de mediadores de leitura com o historiador Vinicius Barbosa, voltada à formação de leitores e à divulgação de literatura nas redes sociais.
Na área de tecnologia, a oficina de criação de aplicativos para celular será conduzida por Giovanna Andrade e Maria Yasmim. A proposta é apresentar noções básicas de programação e permitir que os participantes desenvolvam protótipos de aplicativos.
Outra atividade é a oficina “SLAM: Vozes da Juventude”, conduzida pela multiartista Alessandra Coelho. A proposta é discutir a poesia falada e as batalhas de slam como forma de expressão artística.
“A proposta da oficina é pensar a pluralidade da poesia marginal contemporânea e o quanto a literatura possibilita posicionar nossos corpos e vozes no mundo. A poesia falada como uma ferramenta crítica ao sistema é um mecanismo de contra-ataque de vozes que antes eram silenciadas ou oprimidas”, afirmou.
Segundo Alessandra, o slam se consolidou como linguagem cultural ligada a movimentos de rua e espaços periféricos. “Acredito que, justamente por ser um movimento cultural de rua e periférico, o slam nasce da necessidade de escuta de vozes que no cotidiano normativo não costumam ser ouvidas”.
Shirley Cruz, que ministra a oficina Em Cena a Ação no Festival da Juvenude | Foto: Divulgação
Além das atividades formativas, o Festival da Juventude 2026 reúne shows, espetáculos e concursos culturais. Entre os convidados está o cantor Ney Matogrosso, que participa de uma palestra-show no Teatro Glauce Rocha, mediada por jovens do festival.
O evento também contará com apresentação do cantor Chico Chico com o espetáculo “Let It Burn – Deixa Arder”, além de concursos literários, batalhas de rima e o desafio audiovisual “1 minuto de cinema inspirado na literatura”. Essas atividades integram a proposta do festival de estimular tanto o acesso à cultura quanto a produção artística entre jovens.
As oficinas possuem vagas limitadas e oferecem certificação aos participantes.
O Festival da Juventude é uma realização do Instituto Curumins em parceria com a UFMS e com o Ministério da Cultura, que efetiva convênio por meio de emenda destacada pelo deputado federal Vander Loubet, além do apoio da Lei Federal de Incentivo à Cultura Lei Rouanet, Fundo Nacional de Cultura e Governo do Brasil. Tem o apoio da Secretaria de Estado da Cidadania, Subsecretaria da Juventude, Secretaria de Estado de Turismo, Esporte e Cultura, Secretaria de Estado da Educação, Fundação de Cultura, Educativa MS, Governo de MS, deputada federal Camila Jara e Águas Guariroba.







