A espera de quase três décadas chegou ao fim. Na noite deste domingo (15.mar.26), Paul Thomas Anderson foi o grande vencedor da 98ª edição do Oscar, levando as estatuetas de Melhor Filme e Melhor Direção por Uma Batalha Após a Outra.
A cerimônia no Dolby Theatre consagrou o cineasta americano pela 1ª vez nas categorias principais, corrigindo o que parte da crítica considerava uma dívida histórica da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas.
O longa adapta livremente elementos do romance Vineland, do recluso escritor Thomas Pynchon.
Na trama, Leonardo DiCaprio vive Bob, um ex-militante radical que leva uma vida isolada com a filha adolescente.
A aparente tranquilidade é rompida quando um oficial corrupto e paranoico, o Coronel Steven J. Lockjaw (Sean Penn), inicia uma caçada implacável contra o protagonista.
A perseguição desenterra fantasmas do passado, incluindo o envolvimento da ex-companheira de Bob (Teyana Taylor) em um violento ataque a um centro de detenção de imigrantes na fronteira dos Estados Unidos com o México.
Na imprensa americana, a obra dominou os debates muito antes de chegar à temporada de premiações.
O sucesso do filme nos EUA contratas com o atual clima político com os Estados Unidos da América sendo arrasado pela gestão do autocrata Donald Trump.
Anderson construiu um retrato da paranoia contemporânea, abordando o choque entre o autoritarismo de Estado e o radicalismo civil. A crise migratória e a desilusão com as instituições governamentais deixam de ser pano de fundo e assumem o centro da narrativa.
'Uma Batalha Após a Outra' ofereceu à audiência americana um diagnóstico indigesto.
O prêmio de Melhor Filme endossou essa leitura, mostrando que a Academia optou por premiar uma obra de urgência temática inegável.
Anderson, até então dono de um currículo de prestígio com títulos como Sangue Negro e Magnólia, acumulava indicações, mas esbarrava na preferência dos votantes por outros diretores.







