O bloco carnavalesco “Nada Sobre Nós, Sem Nós”, realizou no dia 7 de fevereiro, mais uma edição de seu desfile no Carnaval de Rua de Campo Grande, reunindo pessoas com e sem deficiência em uma ação voltada à acessibilidade, ao direito à cultura e à ocupação dos espaços públicos. A atividade ocorreu na Arena do Horto Florestal e contou com apresentações musicais e estrutura arquitetônica acessível.
Fundado em novembro de 2018, o bloco surgiu a partir da iniciativa do músico e atleta com deficiência visual Damião Zacarias Souza da Silva, durante uma conversa no Instituto Sul-Mato-Grossense para Cegos Florivaldo Vargas (ISMAC). A proposta era criar um espaço carnavalesco que reunisse amigos e valorizasse as marchinhas e o samba, com participação ativa de pessoas com deficiência. O primeiro cortejo aconteceu em 2019 e levou cerca de 600 pessoas à avenida.
Segundo Damião Zacarias, a criação do bloco começou de forma espontânea. “O bloco foi montado assim, numa brincadeira, aí o pessoal pegou gosto e tá aí hoje, há 8 anos”, afirmou.
Damião, presidente do bloco 'Nada Sobre Nós, Sem Nós' | Foto: Tero QueirozNatural de Corumbá, Damião também revelou a participação e a tradição familiar no carnaval:
“A minha família já vem do Unidos da Major Gama, minha mãe foi porta-bandeira, minha irmã é porta-bandeira, minha sobrinha é porta-bandeira, meu pai era um dos músicos bem renomados”.
Sobre a continuidade do bloco, disse: “Eu lancei a sorte, e graças a Deus todo o pessoal que eu convidei abraçou a causa”.
Também presente na festa, o intérprete de Libras Felipe Sampaio revelou à reportagem que o carnaval também foi um espaço de pertencimento.
“O Carnaval, principalmente assim, tem algo básico, que é o direito das pessoas serem respeitadas, estarem aqui e terem pertencimento”, explicou.
Intérprete de Libras Felipe Sampaio | Foto: Tero QueirozSegundo ele, o bloco “não é só de pessoas com deficiência, mas um bloco crítico de corpo e alma que as pessoas estão se divertindo”.
A presidente da Associação de Mulheres com Deficiência de Mato Grosso do Sul e uma das diretoras do bloco "Nada Sobre Nós, Sem Nós", Mirella Ballatore, ressaltou a importância da estrutura arquitetônica acessível.
“A sensibilidade não é só rampa e banheiro. É estar onde eu posso estar com segurança, autonomia e independência”, afirmou.
Diretora do bloco Nada Sobre Nós, Sem Nós, Mirella Ballatore. Foto: Tero Queiroz Ela comparou as primeiras edições com a atual. “A diferença é muito grande. Aqui tem espaço acessível, banheiro acessível e um ambiente acolhedor”.
Intérprete de Libras, Karen Martins, também presente na festa, destacou a dificuldade de encontrar iniciativas acessíveis na cidade.
“É tão difícil a gente encontrar [festa com acessibilidade arquitetônica] na Capital sul-mato-grossense, e hoje está sendo um acontecimento, todos juntos, com igualdade e direitos respeitados”, disse.
Intérprete de Libras, Karen Martins | Foto: Tero Queiroz
Com mais de 20 anos de atuação, o intérprete Cláudio Vasques definiu a participação como um retorno à comunidade.
“É um momento de devolução, levar oportunidades para as pessoas com surdez sentirem a alegria do Carnaval”, afirmou.
Intérprete Cláudio Vasques | Foto: Tero Queiroz
Além da festa, o bloco realizou concursos culturais, como o de marchinha — vencido por Vagner Coelho Catarinelli (Boróro) com a música “Que mundo é esse?” — e a escolha da Musa, do Muso (Suzana Vieira e Claudenilson) e da Princesinha do bloco (Maria Valentina).


















































Intérprete de Libras, Karen Martins | Foto: Tero Queiroz
Intérprete Cláudio Vasques | Foto: Tero Queiroz





