Com 168,04 pontos - um centésimo acima da segunda colocada - a Unidos da Vila Carvalho conquistou o 23º título e sagrou-se campeã do Carnaval 2026. O resultado foi anunciado na tarde desta 4ª.feira (18.fev.26), em transmissão ao vivo pelo YouTube da Liga das Entidades Carnavalescas de Campo Grande (Lienca).
A agremiação levou 240 integrantes à avenida e apresentou o enredo "O Canto da Arara Azul - um elo entre Pantanal e Amazônia, um chamado à vida", voltado à preservação ambiental e com destaque para o animal símbolo da escola. O desfile foi concluído em 46 minutos, sem penalizações.
Animal símbolo da Vila Carvalho foi representado no enredo da escola de samba | Foto: Tero QueirozEm entrevista ao TeatrineTV após o desfile, o presidente Wlauer Castro Carvalho, de 52 anos, explicou que o tema partiu da identidade da própria agremiação, que possui uma comissão de carnaval responsável pela construção do enredo. “A gente escolheu [o enredo] porque a arara-azul, se vocês olharem, é o símbolo da nossa escola. E aí, a gente tem mesmo que fazer sobre o meio ambiente por causa dessa depredação, essa devastação”.
O presidente da Vila Carvalho em entrevista ao TeatrineTV após desfile | Foto: Tero QueirozWlauer também explicou que o enredo dialoga com os impactos das mudanças climáticas. “Vocês estão vendo o que está acontecendo aí? A Terra está cobrando. Você viu a chuvarada? Não tem mais a certeza climática. Então, por isso a gente resolveu fazer sobre o meio ambiente”, justificou.
O presidente também afirmou que a escola entrou na avenida determinada a disputar o 1º lugar. “Se eu disser para você que qualquer escola que desfilar não vier para buscar, brigar pelo título, está mentindo. Então, a gente desfila sim em busca de um título”, declarou.
Um dos carros alegóricos apresentados pela Vila Carvalho | Foto: Tero QueirozMESES DE ENSAIOS
À frente da bateria esteve João Calazans, de 28 anos, que assumiu neste ano o posto de rei de bateria. Ele substituiu Jean Pierre, que ocupou o cargo por cerca de seis anos e agora desfila como destaque de passista. “Surgiu a oportunidade de eu substituir ele agora como rei de bateria. Esse é o meu primeiro ano”, explicou com entusiasmo.
João está na escola há sete anos, período em que desfilou como passista. “Todo ano é como se fosse a primeira vez. Nunca a gente se acostuma, cada vez é um tema novo, uma fantasia nova, um enredo novo”, declarou.
Advogado, ele contou que sempre teve ligação com a dança. “Sempre dancei desde criança. Quis cantar, mas não deu certo, meu negócio mesmo é dançar”, disse.
Sobre o desfile, João destacou a rotina intensa de ensaios. “São 50 minutos que você não para, não respira, não toma água. O ensaio ajuda muito, porque é quinta, sexta, sábado e domingo. Foram meses, acho que 6 meses, desde agosto só faltei um dia, que foi no meu aniversário”, relatou.
O rei da bateria da Vila Carvalho, João Calazans | Foto: Tero QueirozDERAM O SANGUE
Vindos de São Paulo, o 1º casal de mestre-sala e porta-bandeira da Vila Carvalho também falou sobre a preparação e os desafios do desfile. “A preparação dura o ano inteiro. Nós estamos em São Paulo, estamos vindo aqui, vamos ir lá em Guará (SP), então nada é assim, ‘vamos colocar roupa e já vamos’, não! Nós temos um preparo físico, um preparo de alimentação com o nutricionista. Temos o preparo mental para dar conta de tudo. Então, nada é tão simples quanto parece”, expressou Joice Prado.
1º Casal de mestre-sala e porta bandeira, Joice Prado e Gabriel Vullen | Foto: Tero QueirozAlém da intensa preparação, o mestre-sala Gabriel Vullen revelou que o compromisso com a escola também se manifesta diante dos imprevistos enfrentados na avenida. “A questão da preparação tem tudo isso, porquê imprevistos também acontecem. A roupa está linda, mas infelizmente aconteceu uma situação aqui [apontou para o vestido de Joice], o talabarte entrou um pouquinho onde fica a bandeira”, revelou.
Segundo Gabriel, o esforço para manter a apresentação vale à pena. “A gente dá o sangue porque pela Vila Carvalho a gente tem que fazer, a gente tem que entregar um bom trabalho. A comunidade merece, ralam o ano inteiro e a gente abraçou a ideia, então, literalmente, a gente deu o sangue na avenida”, concluiu.
O 1º casal de mestre-sala e porta-bandeiras da Vila Carvalho, Joice Prado e Gabriel Vullen | Foto: Tero Queiroz





