A sede da TMF Construções e Serviços fica em um bairro residencial de Cuiabá, segundo o Grupo de Atuação Especial contra o Crime Organizado.
A Secretaria de Estado de Cultura, Esporte e Lazer de Mato Grosso (Secel) aditivou um aumento de R$ 3,25 milhões em contrato mantido com a empresa TMF Construções, Incorporação e Serviços Ltda, administrada por Thiago Ronchi Adrien Eugenio, sob o CNPJ: 36.909.349/0001-98 (o cartão).
O valor saltou de R$ 13 milhões para R$ 16,25 milhões sob a gestão do ex-judoca David Moura no governo de Otaviano Pivetta (Republicanos), herdeiro do agora candidato ao senado por MT, Mauro Mendes (União Brasil).
O acréscimo corresponde a 25% do contrato original e foi formalizado por meio do primeiro termo aditivo, assinado em 3 de setembro de 2026.
O documento foi publicado no Diário Oficial do Estado e vincula a alteração ao Contrato nº 027/2025/SECEL, originado de uma ata de registro de preços decorrente de pregão eletrônico realizado pela Secretaria de Estado de Planejamento e Gestão (Seplag).
A justificativa técnica para o aumento consta na Manifestação Técnica nº 00366/2026/CONTAR/SECEL, mencionada no termo aditivo.
O extrato, porém, não detalha quais serviços ou quantitativos motivaram o acréscimo de R$ 3,25 milhões. Eis:
ALVO DO GAECO
O administrador da empresa beneficiada pela Secel, Thiago Ronchi Adrien Eugênio, já foi alvo de investigação do Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público de Mato Grosso (MPMT).
Em setembro de 2020, Ronchi foi apontado pelo Gaeco como responsável pela entrega de R$ 20 mil ao então secretário-adjunto de Administração Sistêmica da Casa Civil, Wanderson de Jesus Nogueira.
O dinheiro foi encontrado com o ex-secretário durante uma abordagem realizada pelos investigadores. À época, Nogueira afirmou que os R$ 20 mil seriam referentes à compra de uma suposta fábrica de gelo.
Segundo o MPMT, porém, a empresa relacionada à negociação existiria apenas formalmente. A investigação também relacionou o pagamento à disputa por um contrato de manutenção predial do Governo de Mato Grosso.
Naquele episódio, a TMF havia vencido lotes de uma licitação para manutenção predial após uma empresa que já prestava o serviço no Estado ser desclassificada.
O Ministério Público rescindiu posteriormente o contrato nº 89/2020, de R$ 1,2 milhão, firmado com a TMF para manutenção predial em unidades do órgão.
Seis lotes vencidos pela empresa foram revogados, segundo a publicação do MPMT. O episódio, portanto, antecede em seis anos o contrato atualmente mantido pela empresa com a Secel.