O cantor sertanejo Eduardo Henrique da Silva Souza, que se apresenta como "Henrique Souza", tem sido visto cantar em diversas festas pagas com dinheiro público desde o começo de 2026.
Desde março, Henrique fatura cachês fixos de R$ 13 a R$ 15 mil da Fundação de Cultura de Mato Grosso do Sul (FCMS), chefiada por Eduardo Mendes Pinto.
Vamos lembrar que a FCMS é um órgão vinculado a Secretaria de Estado de Turismo, Esporte e Cultura (Setesc). À frente dos cargos máximos estão Alessandro Menezes de Souza (o secretário) e foi nomeada adjunta na Setesc em junho desse ano a prima do governador Eduardo Riedel, Giovana Correa Ferreira.
Desde a nomeação dela, as contratações do cantor Henrique Souza dispararam. Até este dia 2 de setembro, o Portal da Transparência registra uma reserva de R$ 193 mil ao sertanejo. São 13 empenhos no total, sendo que apenas dois não foram liquidados. Sendo assim, a FCMS já pagou R$ 163 mil ao sertanejo e o deve R$ 30 mil. Eis a prova:
À este veículo de comunicação chegou um e-mail em que o leitor questionava se Giovana, atual adjunta da Setesc, de fato namorava um cantor sertanejo que estaria sendo beneficiado com contratos da FCMS. Leia a apuração abaixo.
CANTOR LEVOU MAIS DE MEIO MILHÃO
Desde que começou a trabalhar com música, Henrique já faturou R$ 554.962,30 em dinheiro público esgotado do cofre cutural.
E apesar do cachê alto, Henrique ainda tem uma carreira em início. Na principal plataforma de distrubição de músicas do planeta, o Spotfy, ele conta com apenas 20 ouvintes mensais. Eis a prova:
A reportagem do TeatrineTV apurou que Henrique e a secretária-adjunta na Setesc de fato estiveram namorando. Nas suas redes sociais, o cantor partilhou fotos românticas ao lado da secretária-adjunta. Veja:
Não existe uma data concreta desde quando Giovana e Henrique estariam juntos. Nas redes, eles realizavam publicação de casal desde 2020, conforme apuração.
A carreira musical de Henrique ganhou os cofres públicos após a união com Giovana. Antes de ele ter uma carreira solo, cantou ao lado de Jorge Lucas. Em junho de 2020, em sua rede social, Giovana já chamava o público a conhecer a dupla que realizaria uma live. Eis:
Em maio de 2022, Henrique recebeu seu 1º cachê (R$ 10 mil) na FCMS. Na época, Giovana conseguiu um cargo no governo de Reinaldo Azambuja, a quem ela chama de "eterno chefe" nas redes sociais. Eis:
Naquele ano, Giovana entrou "de cabeça" na campanha de Riedel para governador. Eis:
Depois de o governador ganhar, Giovana também garantiu seu cargo e saiu de Maracaju para morar na Capital. Formada em letras, primeiro foi da Secretaria de Governo e por fim conseguiu uma vaga na estrutura da Setesc.
Ao longo de 2022 o namorado dela recebeu R$ 75.304,00 por 7 shows. Henrique fechou o ano com um cachê de R$ 12 mil. Eis:
Já em 2023, com Riedel como governador e Giovana com mais força no governo, pois havia sido uma cabo eleitoral dedicada, Henrique garantiu 9 cachês públicos e chegou a faturar R$ 20 mil por um show. Ao todo, em 2023, Henrique faturou R$ 96.658,30 da FCMS. Eis:
No segundo ano da gestão Riedel, em 2024, Henrique faturou 8 contratos na FCMS, tendo abocanhado R$ 105.000,00 por shows musicais. Eis:
No terceiro ano de Riedel como governador e com a FCMS já sob Eduardo Mendes, Henrique faturou R$ 115.000,00. O valor foi distribuído em 8 shows. Eis:
O QUE DISSE A SECRETÁRIA-ADJUNTA
Procurada por telefone pelo repórter do TeatrineTV, Giovana iniciou a conversa apontando que acha que “crítica às vezes vem para construir”.
De acordo com a secretária-adjunta, de fato ela namorou o cantor, mas o relacionamento teria se encerrado.
“Na verdade, ele é meu ex, mas isso não quer dizer nada, porque o Henrique presta serviço para a Fundação de Cultura desde 2023, tá? Se você fizer um levantamento, você vai ter reconhecimento disso. Ele é um artista como todos os outros e eu acho que não impede”, argumentou.
Questionada se eles tiveram um relacionamento sério, Giovana sustentou:
“Eu nunca fui casada com ele. Ele é meu namorado. Foi meu namorado e tem um certo tempo, mas ele é meu, muito meu amigo. Hoje já, até hoje vai ser, é, independente...”.
O repórter insistiu em querer entender se a cronologia da apuração estava certa: se a servidora e Henrique teriam começado o relacionamento em 2020.
“Nossa, você sabe, eu tenho que ver quando que eu me separei, porque senão vai dar problema com meu ex-marido... Deixe eu pensar aqui”.
Enquanto pensava acerca disso, Giovana contou que, apesar de ser campo-grandense, morou 15 anos em Maracaju e que trabalhou com os dois últimos governadores.
“Eu trabalhei para o Riedel, para o Reinaldo. Eu era coordenadora da Casa Civil, então eu fazia a região sul do estado. E na gestão do Riedel que eu vim para a Fundação de Cultura”, contextualizou.
Então, o repórter insistiu em entender quando ela e Henrique teriam colocado fim ao namoro.
“Eu nem sei que ano que eu comecei a namorar com ele. Eu sei que eu terminei em 2026”, disse Giovana.
Por fim, Giovana explicou que o relacionamento com o artista não era um segredo para a gestão.
“Quando o Riedel me convidou, ele sabia que eu estava namorando com ele . Ainda na época, eu falei para o governador. Eu falei, mas ele não via problema nisso. Então, nunca escondi isso de ninguém, até hoje já não quase não tem mais nas minhas redes sociais, porque a gente terminou”, completou.
O QUE DISSE O CHEFE DA SETESC
Procurado nesta tarde de 2 de setembro, por telefone, pelo repórter do TeatrineTV, o secretário Alessandro Menezes disse desconhecer a situação que ocorre na pasta da qual é chefe.
“Não, não tenho conhecimento disso... Isso teve um incremento depois que ela virou adjunta?”, questionou Menezes.
O repórter informou então que sim, que houve um incremento de contratações após ela virar adjunta na Setesc. Ao que o secretário reforçou a indagação:
“Ele não tem nenhum contrato antes dela ser adjunta?”
Segundo a reportagem informou, no momento da ligação, havíamos localizado apenas um contrato. E dissemos ao secretário que ao menos um contrato ele já havia recebido da FCMS antes de a namorada ser chefe na Setesc.
“Bom, eu desconhecia essa informação”, concluiu o chefe da pasta sem informar se adotará alguma medida para apurar a situação.