Em diálogo com ativistas digitais como Emy Santos e Mafe, Ministro reconhece atraso da esquerda nas redes, mas aponta lideranças locais como chave para vencer a batalha ideológica. Foto: Tero Queiroz
Durante sua agenda oficial em Campo Grande na 5ª feira (5.fev.26), o Ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, reservou um momento estratégico para dialogar com quem está na linha de frente da disputa de narrativas na internet: os influenciadores digitais. A reunião contou com a presença de importantes vozes da comunidade trans sul-mato-grossense, incluindo a professora e multiartista Emy Santos, a influenciadora Maria Fernanda (Mafe) e Orlando Beraldo.
Durante mais de 20 minutos, Emy, Mafe e Orlando travaram com Boulos um debate aprofundado sobre a "batalha digital" contra a extrema direita e a defesa dos Direitos Humanos, com foco no combate à transfobia e à LGBTfobia.
Emy (de blusa roxa), Mafe e Boulos. Foto: Tero Queiroz Uma das protagonistas do diálogo foi Emy Santos. A multiartista questionou o ministro sobre as orientações do Governo Federal para o enfrentamento ao discurso de ódio online, que frequentemente ataca populações vulneráveis. Emy pautou a necessidade de uma postura firme na defesa de direitos básicos diante da máquina de desinformação extremista.
Emy e Mafe conversam com Guilherme Boulos. Foto: Tero Queiroz “A internet democratizou a informação, mas não formou contra a desinformação”, disse Emy durante a conversa.
Em resposta, Boulos fez uma autocrítica do campo progressista. O ministro argumentou que a batalha digital é, em essência, política e ideológica, e admitiu que a esquerda "saiu atrasada" na compreensão e ocupação desses espaços.
“Eles compreenderam como funciona o algoritmo, ou como driblar isso, algo que com certeza vocês lidam, já que trabalham com redes. Nós do campo progressista estamos entendendo esses mecanismos bem dizer agora”, explanou Boulos.
No entanto, ele ressaltou que o campo popular está descobrindo e fortalecendo "mecanismos orgânicos" para combater as mentiras da extrema direita, saindo da defensiva para a proposição de narrativas.
A FORÇA DO TERRITÓRIO
O ministro Guilherme Boulos em conversa com influenciadores. Foto: Tero QueirozA influenciadora Mafe trouxe para a roda a questão da mobilização social, questionando como as redes sociais podem ser ferramentas efetivas para aproximar as pessoas comuns da luta política, rompendo a bolha do ativismo. Algo que foi endossado por Orlando.
Foi neste ponto que Guilherme Boulos apresentou uma visão estratégica que valoriza a atuação regional. Concordando com as ponderações de Emy e Mafe, o ministro destacou que os influenciadores digitais que atuam no território — ou seja, que possuem vivência real nas comunidades e bairros — são, muitas vezes, "mais valorosos politicamente do que os grandes perfis da internet".
Os influenciadores de MS e o Ministro Guilherme Boulos. Foto: Tero QueirozPara Boulos, esses comunicadores possuem uma "influência orgânica" e uma credibilidade junto aos seus seguidores que os algoritmos dos grandes perfis não conseguem replicar. É nessa capilaridade e na confiança do "olho no olho" digital que reside a força para combater as fake news e o discurso de ódio.
COMPROMISSO EM BRASÍLIA
O saldo da reunião foi a abertura de um canal direto de diálogo. Reconhecendo a importância dessas vozes, Boulos comprometeu-se a organizar uma reunião em Brasília, convocando influenciadores digitais de todo o Brasil, com ênfase na diversidade e na atuação territorial. O objetivo será traçar estratégias conjuntas de comunicação para disputar a consciência da sociedade e fortalecer a democracia nas redes.





