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SÃO PAULO (SP)

Chavoso da USP 'esmaga' extrema direita e sai maior da CPI dos Pancadões

Na sessão de 28 de agosto de 2025, Rubinho Nunes tentou, sem sucesso, impor seu ritmo à conversa

Por TERO QUEIROZ • 29/08/2025 • 22:37
Imagem principal Chavoso da USP durante a CPI dos Pancadões. Foto: Douglas Ferreira | REDE CÂMARA SP

A CPI dos Pancadões, criada pelo extremista de direita Rubinho Nunes (União Brasil-SP), que supostamente teria como objetivo investigar a fiscalização de festas ilegais, transformou-se em um palco de vergonha para os extremistas de direita. Em uma tentativa frustrada de desqualificar a cultura periférica e o funk, os defensores da direita se perderam no compasso.

Para a composição sem ritmo, Rubinho convocou Thiago Torres Moura Santos, o Chavoso da USP, como depoente à Casa de Leis. Aos 25 anos, Chavoso é um professor conceituado, palestrante e youtuber, formado em Ciências Sociais pela Universidade de São Paulo (USP).

Durante a sessão realizada na 5ª feira (28.ago.25), Rubinho tentou, sem sucesso, impor seu ritmo na conversa. Em meio a chiliques e nervosismo, o vereador sem flow chegou a ameaçar dar “voz de prisão” ao youtuber, acusando-o de “testemunho falso”. Isso porque, ao ser questionado sobre a presença de crime nos bailes funk, Chavoso foi direto: “Existe crime em todo lugar, inclusive dentro desta Casa.”

Chavoso da USP durante a CPI dos Pancadões na quinta-feira, 28 de agosto, na Câmara de Vereadores de São Paulo.  Foto: Douglas Ferreira | REDE CÂMARA SPChavoso da USP durante a CPI dos Pancadões na quinta-feira, 28 de agosto, na Câmara de Vereadores de São Paulo.  Foto: Douglas Ferreira | REDE CÂMARA SP

A frase, certeira e provocadora, desestabilizou Rubinho e seus aliados de extrema direita, que perderam o ritmo e, sem argumentos, passaram a ameaçar o professor. Rubinho e seus aliados exigiam provas de quem seria o criminoso na Casa de Leis paulista, mas o jogo já estava perdido para eles.

RUBINHO DESMASCARADO

Rubinho Nunes deu chilique durante a CPI dos Pancadões após resposta de Chavoso da USP. Foto: Douglas Ferreira | REDE CÂMARA SPRubinho Nunes deu chilique durante a CPI dos Pancadões após resposta de Chavoso da USP. Foto: Douglas Ferreira | REDE CÂMARA SP

Ao tentarem criminalizar os bailes funk e a juventude periférica, os extremistas deram à Chavoso a oportunidade de sepultar os ataques fajutos à cultura. Chavoso, disse que a verdadeira ameaça nos bailes é a violência do estado, comprovada numa "CPI contra o funk". Ao invés de questionar as falhas na fiscalização, a comissão se tornou uma cortina de fumaça para esconder a corrupção que corre solta na política ocultando, assim, os erros grosseiros da prefeitura.  

Em um rápido e preciso discurso, Chavoso desmontou a tentativa de espetáculo midiático da direita e extrema direita, apontando que a CPI busca criminalizar a cultura e a liberdade da juventude. “Eles querem usar minha imagem para engajar seguidores, mas estão é criminalizando nossa arte e nossa liberdade”, disparou.

Diversas vezes, ao longo da CPI, Rubinho se mostrou perdido ao ser praticamente desmascarado pelas respostas de Chavoso. Numa delas, Rubinho diz que “tem um visão bastante diferente da realidade” de Chavoso da USP. “É porque você não mora na periferia”, respondeu o jovem. Logo após, Rubinho tenta dizer que não é “defensor de criminosos”. “Não? Você defende o Pablo Marçal e o Bolsonaro”, rebateu novamente Chavoso, destroçando os argumentos do vereador.  

A referência à Pablo Marçal, no caso de Rubinho, é pertinente, pois em maio deste ano, Rubinho Nunes foi condenado pela Justiça Eleitoral a oito anos de inelegibilidade e teve seu mandato cassado por uso indevido de meios de comunicação. A decisão apontou que Rubinho, junto ao candidato a prefeito Pablo Marçal (PRTB), divulgou informações falsas para atacar o então candidato Guilherme Boulos (PSOL), atribuindo a ele acusações sem provas de uso de drogas.

"ESTOU ACOSTUMADO A LIDAR COM LIXOS ASSIM"

Chavoso da USP deu aula de como lidar com extremistas de direita. Foto: Douglas Ferreira | REDE CÂMARA SPChavoso da USP deu aula de como lidar com extremistas de direita. Foto: Douglas Ferreira | REDE CÂMARA SP

Após a CPI, Chavoso disse que foi exitosa sua participação, porque sabia com que tipo de gente estava lidando. “Eu não me senti intimidado, mas era o objetivo dele (Rubinho Nunes) me intimidar e me colocar contra a parede, me incriminar, tentar, inclusive, gerar provas contra mim, fazendo perguntas sem cabimento e querendo induzir respostas”, disse.

“Em determinado momento, o Rubinho chegou a dizer que eu defendia criminosos. Claramente, ele queria me assustar, me amedrontar e me intimidar. Não fiquei assim porque estou acostumado a lidar com lixos assim. Eu sou uma pessoa forte e corajosa, estava bem amparado por dois advogados. Mas, claramente, ele tinha esse intuito”, completou Chavoso.

CHAVOSO SAI MAIOR

Com a verdade, Chavoso da USP dominou a narrativa e ganhou maior alcance nas redes. Foto: Douglas Ferreira | REDE CÂMARA SPCom a verdade, Chavoso da USP dominou a narrativa e ganhou maior alcance nas redes. Foto: Douglas Ferreira | REDE CÂMARA SP

E ao final do dia, o saldo foi de vitória para Chavoso. Até esta 6ª feira (29.ago), horas após o depoimento bombástico, o youtuber saltou para mais de 500 mil seguidores no Instagram, tornando o episódio um verdadeiro golpe de mestre em termos de visibilidade. A CPI, que deveria investigar falhas na fiscalização, virou mais uma dança ensaiada dos extremistas, que não sabem mais para onde ir quando o assunto é verdade.

Enquanto tentam criminalizar a juventude e esconder suas próprias falcatruas, o único “pancadão” real foi o de argumentos de Chavoso, que deixou a extrema direita dançando sozinha, sem passos para dar. A derrota foi toda deles, com Chavoso saindo vitorioso e com mais poder de influência.

Chavoso até ironizou Rubinho o agradecendo ao conquistar 500 mil seguidores.  Nesta sexta, Chavoso ironizou Rubinho o agradecendo ao conquistar a marca 500 mil seguidores no Instagram. 

 


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Tags: chavoso da usp, CPI dos Pancadões, cultura periférica, extremista de direita, FUNK, Rubinho Nunes, Thiago Torres Moura Santos

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