A 4ª edição do Sarau Delas, que seria realizada na noite deste sábado (29.ago.26), em Campo Grande (MS), foi embargada por agentes da Secretaria Municipal de Meio Ambiente (Semadur), Polícia Militar (PM/ROMU) e Guarda Civil Metropolitana (GCM).
O sarau, celebraria o Dia Nacional da Visibilidade Lésbica na Capital sul-mato-grossense.
Ao TeatrineTV, a produtora do evento, DJ Gikka, relatou que os agentes chegaram no momento da montagem da estrutura, por volta das 16h, exigindo um Alvará Ambiental.
"A gente sempre faz evento ali na rua, e os eventos nunca foram embargados nesse sentido, mas hoje era mais ou menos umas 4 horas, quando chegou a Guarda Civil solicitando um alvará ambiental da Semadur", explicou.
Segundo a produtora, o evento contava com as autorizações da Agetran e do Iphan. Ela também informou que haviam realizado as três edições anteriores sem que fosse exigida qualquer autorização ambiental.
"A gente não tinha conhecimento sobre esse alvará, e esse alvará não havia sido cobrado anteriormente, nenhum dos outros eventos. Mês passado teve o Julho das Pretas, teve a Copa do Mundo, poxa, inúmeros eventos ali, em nenhum momento foi solicitado esse alvará ambiental", acrescentou.
Ainda conforme a produtora, a ação causou estranhamento devido a quantidade de agentes armados no local.
"Eles chegaram em grande quantidade. Chegou uma viatura com quatro policiais fortemente armados também. Junto a eles chegou o pessoal da própria Semadur com alguns auditores, todos cobrando a mesma coisa", disse.
Gikka explicou que, ao perceber que o evento não poderia ser realizado, a organização decidiu pela desmontagem.
"Depois que a gente falou que encerraria o evento, que já estava iniciando a desmontagem, eu não sei se eles acionaram, ou o que aconteceu, mas começou a chegar um monte de viatura, de um monte de órgão. Chegou PM, chegou GCM, chegou a ROMU e quatro motos da PM. A gente entendeu que não teria o que fazer. Tentamos viabilizar o evento, vimos que não era possível e então a gente acatou a solicitação deles, mas mesmo assim chegou muita força policial e fortemente armada, totalmente incompatível com o que tava acontecendo ali naquele momento", disse.
Para a produtora, a atuação dos agentes assustou pela quantidade de força policial empregada durante a abordagem.
"A gente vê diversos outros eventos acontecendo que não são da diversidade e que não são embargados dessa maneira e muito menos de uma forma tão truculenta assim. O que mais nos assustou foi a quantidade de força policial. Qual foi a necessidade desse alvará, sendo que em nenhum dos outros eventos que a gente fez durante vários anos, nessa rua, foi necessário? A gente acaba entendendo isso mais como um apagamento da cultura, um apagamento da noite de Campo Grande. Eles realmente estão implacáveis, tá impossível da gente produzir cultura, de produzir a noite em Campo Grande. Eles criam cada vez mais empecilhos e estão cada vez mais em cima. Está bem complicado de produzir qualquer evento cultural em Campo Grande".
Gikka também afirmou que, em nenhum momento, a organização foi orientada sobre como obter o documento apontado pela fiscalização. Segundo ela, os agentes da Semade e da Planurb informaram que elas seriam notificadas e que poderiam ser multadas em R$9 mil caso o evento continuasse sem a documentação.
"Foi muito frustrante para nós, mas não iremos parar por isso", concluiu.