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PARTIDO ALTO

Em 2 anos, Sambacaos sai da 14 para palco do FIB

Sambistas de MS executam músicas autorais e sucessos do gênero em Bonito

Por TERO QUEIROZ • 29/08/2026 • 11:58
Em 2 anos, Sambacaos sai da 14 para palco do FIB (27.ago.2026) - Sambacaos executa o show Partido Alto no Palco Lua da 25ª edição do FIB.. Foto: Foto: Tero Queiroz

Em dois anos, o Sambacaos saiu das rodas de samba na Rua 14 de Julho, em Campo Grande, para o palco do 25º  Festival de Inverno de Bonito (FIB). Na noite de 27 de agosto, o grupo se apresentou antes do show de Ferrugem.

A banda apresentou sucessos do samba e também músicas autorais, com composições de integrantes do grupo. Foi a primeira vez que o Sambacaos fez um show fora da Capital em uma estrutura desse porte.

Logo após a apresentação, a reportagem do TeatrineTV conversou com os músicos sobre a experiência no festival, as músicas autorais e o acesso às políticas públicas de cultura.

(27.ago.2026) - Sambacaos executa o show Partido Alto no Palco Lua da 25ª edição do FIB. Foto: Tero Queiroz

Julian Bonessoni, músico e compositor, falou sobre o momento vivido pelo grupo após dois anos de trajetória.

“Olha, é a primeira vez que a gente faz esse show fora de Campo Grande, nesse nível, nesse tamanho. Eu acredito que, do mais experiente aqui até o menos experiente, a emoção de estar em cima desse palco é indescritível. A gente arrepia", introduziu. 

Ainda conforme Julian, estar no palco do FIB, foi satisfatório do início ao fim. 

"A cada momento a gente desfrutou desse momento, porque é um festival que valoriza a cultura, valoriza a arte. Nós, enquanto artistas independentes e com músicas autorais, chegar aqui e poder apresentar a nossa arte, para nós, é uma valorização imensa. É indescritível essa emoção", comentou. 

(27.ago.2026) - Sambacaos executa o show Partido Alto no Palco Lua da 25ª edição do FIB. Foto: Tero Queiroz

Vinícius Mena, músico, compositor e produtor executivo, lembrou da relação que o grupo já tinha com o festival antes de ser convidado para integrar a programação.

“Há mais de 10 anos do festival, poder estar aqui hoje como atração é realmente indescritível. É muito emocionante. Às vezes, dependendo do ano, a gente ficava sonhando em vir como público. Como é que vai vir? Vai dividir a carona, vai acampar, vai arrumar onde vai ficar? E hoje poder vir como artista e ser tratado como artista também é muito importante.”

Mena também destacou a relação estabelecida com profissionais envolvidos na realização do evento.

“Desde a passagem de som, o respeito com todo mundo, não só com os artistas, mas com a equipe técnica, que também é artista. É um respeito muito grande, o atendimento que a gente tá recebendo. Todo mundo envolvido em fazer o festival acontecer". 

Julian também salientou o valor artístico-profissional do trato da equipe do FIB. 

"Para nós, isso foi imenso. Para nós é uma honra inenarrável. É uma emoção. A gente tá aqui eufórico. A gente acaba de descer do palco e ainda vai comemorar bastante depois dessa entrevista. A gente vai se abraçar, vai gritar, vai pular e tomar alguma coisa", adiantou 

Os integrantes também celebraram sua equipe de bastidor.  

(27.ago.2026) - Sambacaos executa o show Partido Alto no Palco Lua da 25ª edição do FIB. Foto: Tero Queiroz

MÚSICA AUTORAL NO FIB 

Dilian Bonessoni, que comanda o Rebolo e também compõe para o grupo, falou sobre o processo de construção da relação com quem acompanha o Sambacaos.

“Eu acredito que, no início, o pessoal, há uma certa estranheza, né? Porque é a primeira vez que ouvem a música. Mas, com a experiência de Campo Grande, a gente já há 2 anos aí na caminhada, escrevendo, tentando. ‘Vamos levar, não vamos levar?’ O pessoal abraça. A gente vê que é aos poucos, é um processo. O pessoal vai decorando a letra, vai indo semana após semana. E você escrever algo e ver o pessoal cantando a sua música, pedindo, é difícil de descrever", apontou. 

(27.ago.2026) - Sambacaos executa o show Partido Alto no Palco Lua da 25ª edição do FIB. Foto: Tero Queiroz

Valdiney 7 Cordas, que como o próprio nome indica, coordena as cordas do Sambacaos, revelou que muitos dos seus seguidores já pedem as autorais. 

 As pessoas vêm para a roda de samba e já tão pedindo as músicas. Então, isso é maravilhoso, cara. Muito bom", disse valdiney.  

(27.ago.2026) - Sambacaos executa o show Partido Alto no Palco Lua da 25ª edição do FIB. Foto: Tero Queiroz

Vinícius salientou ainda que apresentação em Bonito colocou o grupo diante de um público novo. 

“Complementando, eu percebi, como a gente toca toda sexta-feira na rua, na 14, tem muito rosto conhecido. Mas aqui, que é outra cidade, tem muito rosto e hoje é quinta-feira, nem todo mundo que é de lá pode vir. A gente identificou alguns conhecidos ali, mas também viu gente nova pegando uma frase ou outra, prestando atenção para aprender. Isso é sem palavras", declarou.  

Ele ainda destacou a sensação em relação a reação do público às composições.  

“É um negócio que a gente fala: ‘Inventamos da nossa cabeça aqui essa letra e será que é bom?’. E a galera não só dança, como aprende a cantar. Isso é muito bom". 

(27.ago.2026) - Sambacaos executa o show Partido Alto no Palco Lua da 25ª edição do FIB. Foto: Tero Queiroz

POLÍTICA CULTURAL PARA O SAMBA DE MS

Ainda segundo Vinícius Mena, a chegada ao FIB é resultado de uma nova fase do Sambacaos, de buscar acesso ãàs políticas públicas para cultura.  

“A gente começou agora a procurar entender um pouco mais como funcionam essas políticas públicas e como poder participar. Poder participar dando opinião de como elas devem ser e também poder participar sendo contemplado". 

Para ele, a quantidade de oportunidades disponíveis não acompanha o número de artistas que buscam espaço por meio dos editais.

“Às vezes, de forma meio chula, parece que a gente tá concorrendo a um sorteio, porque tem muita gente boa fazendo música, não só o samba, outros gêneros também. E são poucas vagas para o tanto de gente boa que tem fazendo".

O músico também defendeU que a participação em festivais como o FIB não fique restrita a poucos artistas ou a um único evento.

“Dessa vez a gente tá aqui, queremos com certeza voltar. Nos outros festivais do Estado também. Quando a gente fala de política pública, não dá para pensar só no Mato Grosso do Sul. Nos outros festivais do país também, enfim, que têm esse fomento. Para a gente poder participar e poder contemplar mais trabalhos também em palcos como esse, para que isso vire a regra", prospectou. 

(27.ago.2026) - Sambacaos executa o show Partido Alto no Palco Lua da 25ª edição do FIB. Foto: Tero Queiroz

Para Vinícius, a estrutura de um festival permite que o músico tenha uma relação diferente com o próprio trabalho.

“Desde o palco ao tratamento nosso com a equipe toda. Hoje, desde cedo, a gente tá pensando só em festival. E consegue fugir um pouco daquela lógica, às vezes, lá do barzinho, da corrida da noite, que é duas tocadas no mesmo dia, três tocadas no mesmo dia e por aí vai, né? Hoje a gente tá aqui para fazer isso porque o fomento proporcionou". 

O músico observou que determinadas experiências não são viáveis apenas pelo mercado privado.

“Às vezes os outros contratantes não conseguem dar conta disso. Então tem que ser o poder público para investir. Se ficar dependendo de dono de bar para fazer isso, vai ser mais difícil. Vai ser impossível, na verdade".

(27.ago.2026) - Sambacaos executa o show Partido Alto no Palco Lua da 25ª edição do FIB. Foto: Tero Queiroz

Para Dilian, a política pública é o caminho para que diversos artistas ocupem os mesmos espaços.

“Acho que a palavra é oportunidade, né? Quanto mais pessoas, mais artistas puderem se desenvolver, mostrar o seu trabalho, eu acho que isso é muito importante, né? A gente tá aqui para desfrutar disso e, quanto mais pessoas puderem também, eu acho que é importante". 

Nesse sentido, surge a discussão sobre os cachês, para o grupo, é parte da ampliação do acesso aos festivais.

“Um grupo grande, um cachê, enfim, a gente espera que isso aumente, aumente e aumente para que possa abranger e abarcar não só nós que conseguimos hoje, mas todos os artistas que têm muita coisa boa para mostrar para o Estado e para o Brasil", disse Julian. 

(27.ago.2026) - Sambacaos executa o show Partido Alto no Palco Lua da 25ª edição do FIB. Foto: Tero Queiroz

DESEJO EM RELAÇÃO AO FIB

Antes de encerrar a entrevista, Vinícius apresentou uma sugestão relacionada a organização do FIB. 

“Eu queria também que a gente pudesse participar mais do festival. Eu sei que tudo isso envolve recurso e financiamento, mas chegar no primeiro dia e ir embora no último. Quem puder, né? Eu sei que tem gente que tem agenda mais corrida, mas acho que isso seria muito bom, assim. Ia dar mais cara até de festival, mais cara ainda de festival.”

A ideia, segundo o Vinícius, é que a participação não fique restrita a apresentação.

“Eu sei que tem muitas atrações rolando, dia inteiro de atração, amanhã de novo e tal. Mas eu acho que a gente poder vir para apresentar, mas também para curtir, ver o que tá rolando. Às vezes tem uma oficina, a gente participar também. Acho que essa troca seria muito massa", concluiu. 

FICHA TÉCNICA — SAMBACAOS

  • Vinícius Mena — músico, compositor e produtor executivo
  • Julian Bonessoni — músico e compositor
  • Valdiney 7 Cordas — músico e compositor
  • Manganga — músico e compositor
  • Dilian Bonessoni — músico e compositor
  • Gabriel Mendes — músico e compositor
  • Bira — músico e compositor
  • Jonathan dos Santos — diretor de palco
  • Nathália Maluf — assistente de produção
  • Mário Oshiro — audiovisual
  • Paula Chermont — audiovisual

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