Candidato ao governo de Mato Grosso do Sul, Fábio Trad, concede entrevista ao TeatrineTV. Foto: Aly Freitas
A previsibilidade dos editais, a valorização da cultura regional e a democratização do acesso às atividades culturais estão entre as principais propostas apresentadas pelo candidato ao Governo de Mato Grosso do Sul, Fábio Trad (PT), para o setor cultural.
Em entrevista ao TeatrineTV, o candidato afirmou que sua política para a área adotará um entendimento claro:
“Cultura não é luxo, é direito básico do cidadão, é insumo fundamental. Portanto, nós temos que ter editais previsíveis”, afirmou.
A declaração encontra respaldo no programa de governo apresentado pela candidatura à Justiça Eleitoral. No eixo dedicado à cultura, esporte e lazer, o documento aponta como uma das principais propostas o fortalecimento do Fundo de Investimentos Culturais (FIC), com ampliação gradual dos recursos e a meta de destinar até 1% do orçamento estadual para a cultura.
A proposta também prevê a manutenção de editais permanentes, a regionalização dos recursos, a simplificação burocrática, maior transparência e apoio a pequenos produtores culturais.
Para Trad, a valorização das expressões produzidas em Mato Grosso do Sul também deve ocupar posição central em sua eventual gestão.
“Nós temos que valorizar a cultura regional e nós temos que democratizar o acesso à cultura, justamente para que ela exerça o papel fundamental de educar e civilizar as pessoas”, disse.
Em seu programa de governo, Fábio reconhece a diversidade cultural de Mato Grosso do Sul, marcada, segundo o documento, pelas presenças indígena, pantaneira, fronteiriça, paraguaia, boliviana, sertaneja, preta e urbana. Ao mesmo tempo, o diagnóstico apresentado pela candidatura aponta dificuldades como a concentração de recursos, a burocracia, a falta de previsibilidade dos financiamentos e a desigualdade no acesso às políticas culturais entre Campo Grande e os municípios do interior.
Entre as propostas previstas está a elaboração de um novo Plano Estadual de Cultura e a criação do programa MS Cultura Viva, articulado com políticas nacionais, como a Política Nacional Aldir Blanc, a Lei Paulo Gustavo, os Pontos de Cultura e o Sistema Nacional de Cultura.
No campo da descentralização, o plano prevê prioridade para o interior, periferias, comunidades indígenas, quilombolas, regiões de fronteira e manifestações da cultura popular e tradicional.
Também estão previstas a criação de uma Rede Estadual de Centros Culturais e Comunitários, o fortalecimento dos Centros de Cultura Indígena, ações de valorização da cultura quilombola e a integração entre cultura e educação por meio da arte nas escolas, bibliotecas, bandas, fanfarras, orquestras e atividades de cultura digital.
Na área econômico-cultural, a candidatura propõe a criação de um Programa Estadual de Economia Criativa, voltado ao audiovisual, música, design, artesanato, games, produção digital, cultura urbana e empreendedorismo cultural.
Durante a entrevista, Fábio Trad também fez críticas à atual administração estadual e se apresentou como uma alternativa para o setor.
“Penso que o voto em nossa candidatura é importante para a cultura, porque o atual governador teve 12 anos para mostrar que a cultura era importante e não mostrou. Muito pelo contrário”, concluiu.
O programa de governo apresentado pela candidatura faz críticas semelhantes à atual condução das políticas culturais e sustenta que Mato Grosso do Sul enfrenta descontinuidade das ações, fragilidade no financiamento e concentração territorial dos investimentos.
Caso seja eleito, Fábio Trad terá como desafio transformar as propostas apresentadas no plano em políticas públicas permanentes, especialmente em um setor que há anos cobra maior previsibilidade dos editais, descentralização dos recursos e participação efetiva dos trabalhadores da cultura na formulação das políticas estaduais.
A entrevista concedida ao TeatrineTV, no entanto, resume em três pontos a direção defendida pelo candidato: editais previsíveis, valorização da cultura regional e ampliação do acesso da população às políticas culturais. Eis: