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PRÉ-ESTREIA

Espetáculo 'Beije Seu Preto em Praça Pública' ocupa as ruas na Capital de MS

Projeto conta com parceria da preparadora do longa 'A Melhor Mãe do Mundo' e do esptáculo 'Carvão'

Por TERO QUEIROZ • 16/01/2026 • 13:15
Imagem principal Os atores Leonardo Medeiros e Sofepoar estrelam o espetáculo 'Beije Seu Preto em Praça Pública'. Foto: Gabriella Thais

Uma intervenção artística que mistura teatro, política e afeto promete transformar a paisagem urbana de Campo Grande (MS) a partir desta semana.

O espetáculo Beije Seu Preto em Praça Pública inicia sua temporada com a proposta de levar para as ruas e praças da Capital uma narrativa sobre o amor negro como ato de resistência.

A programação é totalmente gratuita e começa antes mesmo da estreia oficial nas ruas.

Nos dias 20 e 21 de janeiro, o Teatro Aracy Balabanian abre as portas para ensaios abertos e uma roda de conversa focada na ancestralidade, permitindo que o público mergulhe no processo criativo da obra.

PREPARAÇÃO SP/MS

Diretora Ligia Tristão Prieto e a preparadora paulista Gal Martins. Foto: Gabriella ThaisDiretora Ligia Tristão Prieto e a preparadora paulista Gal Martins. Foto: Gabriella Thais

A preparação corporal do elenco teve um reforço de peso: a paulista Gal Martins, conhecida por seu trabalho no filme A Melhor Mãe do Mundo e no espetáculo Carvão.

Gal prepara os atores Leonardo Medeiros e Sofepoar para o espetáculo 'Beije Seu Preto em Praça Pública'. Foto: Gabriella ThaisGal Martins prepara os atores Leonardo Medeiros e Sofepoar para o espetáculo 'Beije Seu Preto em Praça Pública'. Foto: Gabriella Thais

Em Campo Grande, ela aplicou a metodologia da "Dança da Indignação", fundindo poesia e posicionamento político no movimento dos atores.

CARTAS DE SOBREVIVÊNCIA

Obra é escrita por Leonardo Medeiros. Foto:Obra é escrita por Leonardo Medeiros e Sofepoar que também estão em cena. Foto: Gabriella Thais

A trama gira em torno de Clara e Bento, personagens que constroem um laço profundo através da troca de cartas.

A narrativa epistolar (feita por correspondências) revela o cotidiano de dois corpos que vivem cercados pelas angústias da violência urbana, do desaparecimento de amigos e do medo constante.

No entanto, a peça subverte a lógica da tragédia. As cartas funcionam como um registro de esperança e desejo. A insistência em amar, diante de um mundo hostil, transforma o encontro dos personagens em um gesto de coragem radical.

DA DOR À LINGUAGEM POLÍTICA

A construção dramatúrgica foi guiada pela metodologia “A Escuta da Criação”, da diretora mestre Ligia Tristão Prieto.

Para o criador e um dos dramaturgos do espetáculo Leonardo de Medeiros, que traz sua bagagem do movimento estudantil para a cena, o objetivo era fugir dos estereótipos de sofrimento.

"Estamos acostumados a ver corpos pretos apenas sofrendo, morrendo ou sendo silenciados. Nós queremos o amor, mas também queremos a fúria. A metodologia me provoca a ir fundo no que me rasga, não como quem revisita a dor para se ferir novamente, mas como quem transforma essa ferida em linguagem, em presença e em gesto político", explicou Leonardo.

REVOLUÇÃO E ESTÉTICA DOURADA

A montagem conta com a participação da artista e ativista Sofepoar. A provocação central do processo — "o que muda quando o afeto vira um ato político?" — encontrou ressonância na vivência da artista.

“Percebi a força de afirmar que corpos pretos estão organizados, fazendo suas próprias revoluções e mostrando o quanto somos potentes quando decidimos nos movimentar”, afirmou Sofepoar.

Visualmente, a peça foi pensada para dialogar com o ambiente urbano. O cenário e os figurinos apostam em uma estética dourada, com o uso de estruturas de ferro e metal.

A escolha não é aleatória. Segundo a diretora Ligia Tristão Prieto, o metal representa a solidez necessária, enquanto a realeza simbólica reivindica a grandiosidade dos personagens.

"O elenco compôs a criação das marcações a partir da escuta de seus desejos de existências, partilhas e denúncias, o que torna a cena super delicada e sensível. Esse espetáculo é um convite ao respeito para tornarmos nossa convivência em sociedade possível para todas as pessoas, reivindicando a liberdade de existência e de felicidade a quem sempre teve a vida negada", completou a diretora.

O projeto recebeu R$ 40 mil de financiamento da Política Nacional Aldir Blanc (PNAB), via Ministério da Cultura (MinC), gerenciado localmente pela Prefeitura de Campo Grande. A íntegra.  

SERVIÇO E PROGRAMAÇÃO

Ensaios abertos e diálogos

  • Onde: Teatro Aracy Balabanian

  • 20 de janeiro: Ensaio aberto, das 16h às 17h.

  • 21 de janeiro: Ensaio aberto seguido de roda de conversa, das 16h às 18h.

  • Ingressos: Gratuitos (reserva pelo Sympla).

Temporada de rua (estreia)

  • 22 de janeiro (quinta): Orla Morena, às 19h.

  • 23 de janeiro (sexta): Praça Ary Coelho, às 19h.

  • 26 de janeiro (segunda): Plataforma Cultural, às 19h.


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Tags: A Escuta da Criação, A Melhor Mãe do Mundo, Beije Seu Preto em Praça, Carvão, Gal Martins, Ligia Tristão Prieto, Minc, Ministério da Cultura, PNAB, Política Nacional Aldir Blanc

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