O documentário Pantanal Negro, terá pré-estreia realizada na 5ª feira (7.mai.26), durante a 10ª edição do Salão do Turismo, em Fortaleza (CE).
Dirigido por Adriana Farias e Maxwell Polimanti, com direção artística de Thayná Cambará — que também assina a produção executiva —, o filme nasce como desdobramento de ações no campo do afroturismo e dialoga diretamente com a trajetória da Bela Oyá Pantanal, iniciativa idealizada por Thayná em Mato Grosso do Sul.
“O filme não é um produto isolado, é parte de uma trajetória. Ele nasce das relações construídas com as comunidades ao longo dos anos e se torna uma ferramenta de educação, sensibilização e posicionamento”, explicou Thayná.
Cena do documentário | Foto: Max PolimantiConforme a diretora, a proposta é deslocar o olhar tradicional sobre o Pantanal — frequentemente associado apenas à paisagem — e destacar a presença de comunidades, práticas culturais e relações construídas ao longo do tempo.
“Durante muito tempo, o Pantanal foi apresentado como um território vazio, sem gente, sem história. Mas o Pantanal é habitado, é vivido, é construído por pessoas”, disse.
Ainda segundo a diretora, a escolha de lançar o filme em um evento voltado ao mercado turístico insere a obra em um contexto estratégico.
“É ocupar um espaço voltado ao mercado e inserir ali uma narrativa que fala de memória, de ancestralidade e de pertencimento. Não existe destino sem história, não existe experiência sem cultura, e não existe desenvolvimento sem reconhecer quem são os sujeitos daquele território”, afirmou.
Documentário 'Pantanal Negro', dirigido por Thayná Cambará | Foto: Max Polimanti A obra também incorpora aspectos ligados à espiritualidade e às tradições afro-brasileiras, elementos que atravessam tanto a construção do filme quanto a experiência pessoal da diretora.
“Quando falamos de pertencimento, é impossível não olhar para o quanto essa cultura nos atravessa enquanto comunidade”, completou.
O lançamento ocorre em um momento de maior visibilidade institucional para iniciativas ligadas ao afroturismo. Thayná Cambará foi recentemente reconhecida na primeira edição do Prêmio Rotas Negras, promovido pelo Ministério da Igualdade Racial. Para ela, a exibição do filme em um evento internacional dialoga com um processo mais amplo.
“O afroturismo, para nós, não é apenas um segmento, é uma estratégia de desenvolvimento territorial. E esse reconhecimento mostra que esse caminho começa a ganhar escala, sem perder sua essência, que é o território, as pessoas e a ancestralidade”, concluiu.
Documentário de MS estreia em Fortaleza (CE) | Foto: Max PolimantiAlém de apresentar novas narrativas sobre o Pantanal, o documentário propõe uma aproximação com práticas culturais locais. Entre os elementos retratados está o Arraial do Banho de São João de Corumbá, reconhecido como Patrimônio Cultural do Brasil, além de manifestações ligadas às comunidades de terreiro.
Pantanal Negro foi realizado com recursos da Lei Paulo Gustavo, por meio do Ministério da Cultura, com execução do Governo do Estado via Fundação de Cultura de Mato Grosso do Sul, e conta com apoio da Pantanal Film Commission.
FICHA TÉCNICA
Direção: Adriana Farias e Maxwell Polimanti
Direção Artística e Produção Executiva: Thayná Cambará Beraldo
Direção de Fotografia: Maxwell Polimanti
Roteiro e Desenvolvimento Criativo: Adriana Farias
Fotos: Max Polimanti
ESTAGIÁRIO FERNANDO PRESTES SOB A SUPERVISÃO DA REDATORA ALY FREITAS*







