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3ª CANADENSE

Anne Carson vence o Nobel de Literatura 2026

Aos 76 anos, a poeta e ensaísta canadense é reconhecida pela Academia Sueca por romper as fronteiras entre poesia, prosa e tradição clássica

Por TERO QUEIROZ • 08/10/2026 • 04:19
Anne Carson vence o Nobel de Literatura 2026 Anne Carson é uma poetisa, ensaísta, professora de estudos clássicos e tradutora canadense. Seu primeiro livro, Eros the Bittersweet (1996), traça o conceito de eros desde a Grécia Antiga até os dias atuais. Foto: Don J. Usner

A escritora canadense Anne Carson, de 76 anos, levou o Nobel de Literatura de 2026 nesta 5ª.feira (08.out.26).

A Academia Sueca premiou a autora por sua capacidade de dialogar com a tradição clássica.

Com a sua obra, ela ajudou a moldar as formas e os rumos da literatura contemporânea.

O VENTO NA ISLÂNDIA

O anúncio oficial partiu de Ingrid Carlberg, atual secretária permanente da Academia.

“Há apenas alguns minutos, conversei com Carson pelo telefone. Ela foi pega de surpresa. Não tivemos muito tempo de falar, mas ela disse que estava na Islândia, onde estava ouvindo o vento. Ela estava surpresa, mas muito feliz. Eu pude perceber isso em sua voz”.

Carson é a terceira canadense a faturar a láurea. Antes dela vieram Alice Munro (2013) e Saul Bellow (1976).

Havia forte expectativa por uma mulher nesta edição. Desde 2018, o prêmio intercala gêneros, e 2025 foi do húngaro Laszlo Krasznahorkai.

TEXTO SEM AMARRAS

Poeta, ensaísta e tradutora, ela lecionou em universidades de peso, como Michigan e Princeton.

Sua escrita transgride regras. Carson costuma misturar o verso poético com o impulso do ensaio e a prosa.

Seu primeiro lançamento, o ensaio “Eros, The Bittersweet”, chegou ao mercado editorial do Brasil apenas em 2022.

A grande guinada ocorreu em 1995, com o livro de poemas “Glass, Irony, and God”, em que cravou sua linguagem.

Entre seus acertos está o romance em versos “Autobiografia do Vermelho” (1998), lançado no mercado brasileiro em 2021.

MÚLTIPLAS LINGUAGENS

Carson não se limita às prateleiras. Ela firma parcerias constantes com coreógrafos, diretores de teatro e criadores de ópera.

Para Anders Olsson, integrante da Academia Sueca, essas parcerias escancaram a força criativa da escritora.

“A liberdade com que se relaciona com as expectativas literárias e os sistemas de regras. É isso que está por trás da importância extraordinária que sua obra tem, desde os anos 1990, para o cenário internacional das artes e da literatura”.


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