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TUCANO MUDA DE COR?

Após reportagem, candidata “parda” volta a ser “branca”

Defesa se defende de acusação que nem sequer foi feita

Por TERO QUEIROZ • 18/08/2026 • 18:52
Após reportagem, candidata “parda” volta a ser “branca” A imagem à esquerda é usada no perfil do WhatsApp da candidata Viviane Luiza. A foto à direita é dela em campanha, em uma publicação na sua conta no Instagram. Foto: Reproduções

A candidata a deputada federal Viviane Luiza da Silva (PSDB), ex-secretária-adjunta da Secretaria de Estado de Turismo, Esporte, Cultura e Cidadania de Mato Grosso do Sul (Setesc), mudou sua autodeclaração racial no registro de candidatura em Mato Grosso do Sul.

Ela havia declarado ser "parda" ao Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso do Sul (TRE-MS). Eis:

Viviane dizia que era "parda" há cerca de dez dias.

Quase dez dias depois da reportagem do TeatrineTV abordar o caso, ela pediu para passar a constar como "branca".

O requerimento foi protocolado em 14 de agosto de 2026. Na mesma data, a Secretaria Judiciária do TRE-MS certificou a alteração no sistema CAND, num documento assinado pelo juiz eleitoral Fernando Nardon Nielsen. A prova.

A mudança aparece em uma petição apresentada pela própria candidatura (a prova). Nela, a defesa afirma que “parda” sempre foi a autodeclaração racial de Viviane. Diz ainda que a informação constava em sua Certidão de Nascimento, registrada há 46 anos.

O argumento da candidata é de que o documento foi produzido em um período em que não existiam os atuais mecanismos de autodeclaração racial utilizados pelas políticas públicas e pelo sistema eleitoral.

A defesa também afirmou, na petição, reconhecer a importância das políticas de igualdade racial e das ações afirmativas. 

No DivulgaCandContas, sistema da Justiça Eleitoral que reúne dados de candidatas e candidatos que concorrem às eleições em todo o país, Viviane já aparece con sua cor real. Eis:

TRE atualizou o perfil de Viviane Luiza nesta 3ª feira (18.ago.26), às 21h22.

SE DEFENDENDO DO QUE SEQUER FOI ACUSADA

Sem ninguém ter acusado a candidata de ter feito uso da cor para acessar a verba destinada exclusivamente a candidatos pardos e pretos, a defesa negou antecipadamente que isso tenha ocorrido. 

Na petição, o advogado de Viviane, Fernando Ortega, disse que a retificação busca evitar “quaisquer ilações quanto à utilização indevida de recursos financeiros” destinados a candidaturas de pessoas pretas e pardas.

O "temor" da defesa de Viviane, é devido ao fato de que a legislação eleitoral utiliza a autodeclaração de cor/raça para o cálculo da distribuição de recursos destinados a candidaturas negras. Ao passar de parda para branca, Viviane deixa de integrar esse grupo de referência.

É importante salientar, porém, que segundo o calendário eleitoral do TSE, Viviane pediu a troca de “parda” para “branca” apenas quatro dias antes deste dia 18 de agosto, data limite em que o TSE estabeleceu como referência para levantar o total de candidaturas usado no cálculo dos percentuais de repasse do FEFC. Em 20 de agosto, o Tribunal deve divulgar os percentuais de candidaturas negras por partido para orientar a destinação dos recursos.

FALTA EXPLICAÇÕES

Viviane Luiza se defende do que nem sequer foi acusada, mas não responde sobre sua contratação pelo Governo de MS no mesmo período em que disse estar na América do Norte.

É bem-vinda a explicação da candidata acerca do óbvio: quem é branco não é pardo e vice-versa.

Com esse ponto sanado, a reportagem do TeatrineTV insiste em buscar compreender outro ponto levantado na mesma reportagem: como Viviane pode ter sido contratada pelo Governo de MS em julho de 2022, se, em uma publicação sua na rede social, afirmou que voltou para o Estado em dezembro de 2022? 

Esse ponto do conteúdo segue em aberto. Seria importante a candidata, que foi procurada por este veículo, explicar ao seu possível eleitorado como poderia estar morando na América do Norte ao mesmo tempo em que ocupava um cargo público de alto escalão no Governo de Mato Grosso do Sul?

Outro dado curioso é que Viviane torrou diárias elevadas em julho de 2022, período em que, segundo ela mesma, ainda estava na América do Norte. Em uma suposta viagem de Campo Grande a Miranda (207 km de distância), Viviane gastou R$ 1.100,00 em diárias entre os dias 4 e 9 de julho de 2022. Depois, torrou mais R$ 1.650,00 entre 11 e 17 de julho para uma viagem da Capital de MS a Dourados. 

Tudo isso está provado na nossa reportagem anterior. Leia aqui


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