A imagem à esquerda é usada no perfil do WhatsApp da candidata Viviane Luiza. A foto à direita é dela em campanha, em uma publicação na sua conta no Instagram. Foto: Reproduções
A candidata a deputada federal Viviane Luiza da Silva (PSDB), ex-secretária-adjunta da Secretaria de Estado de Turismo, Esporte, Cultura e Cidadania de Mato Grosso do Sul (Setesc), mudou sua autodeclaração racial no registro de candidatura em Mato Grosso do Sul.
Ela havia declarado ser "parda" ao Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso do Sul (TRE-MS). Eis:
Quase dez dias depois da reportagem do TeatrineTV abordar o caso, ela pediu para passar a constar como "branca".
O requerimento foi protocolado em 14 de agosto de 2026. Na mesma data, a Secretaria Judiciária do TRE-MS certificou a alteração no sistema CAND, num documento assinado pelo juiz eleitoral Fernando Nardon Nielsen. A prova.
A mudança aparece em uma petição apresentada pela própria candidatura (a prova). Nela, a defesa afirma que “parda” sempre foi a autodeclaração racial de Viviane. Diz ainda que a informação constava em sua Certidão de Nascimento, registrada há 46 anos.
O argumento da candidata é de que o documento foi produzido em um período em que não existiam os atuais mecanismos de autodeclaração racial utilizados pelas políticas públicas e pelo sistema eleitoral.
A defesa também afirmou, na petição, reconhecer a importância das políticas de igualdade racial e das ações afirmativas.
No DivulgaCandContas, sistema da Justiça Eleitoral que reúne dados de candidatas e candidatos que concorrem às eleições em todo o país, Viviane já aparece con sua cor real. Eis:
SE DEFENDENDO DO QUE SEQUER FOI ACUSADA
Sem ninguém ter acusado a candidata de ter feito uso da cor para acessar a verba destinada exclusivamente a candidatos pardos e pretos, a defesa negou antecipadamente que isso tenha ocorrido.
Na petição, o advogado de Viviane, Fernando Ortega, disse que a retificação busca evitar “quaisquer ilações quanto à utilização indevida de recursos financeiros” destinados a candidaturas de pessoas pretas e pardas.
O "temor" da defesa de Viviane, é devido ao fato de que a legislação eleitoral utiliza a autodeclaração de cor/raça para o cálculo da distribuição de recursos destinados a candidaturas negras. Ao passar de parda para branca, Viviane deixa de integrar esse grupo de referência.
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