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"DARK HORSE"

Flávio negociou R$ 134 milhões com Vorcaro para filme de Bolsonaro (áudio)

'Irmão, estou e estarei contigo, sempre', prometeu o pré-candidato ao banqueiro que roubou o Brasil

Por TERO QUEIROZ • 13/05/2026 • 17:54
Imagem principal Liderados por Flávio, clã Bolsonaro negociou milhões com Vorcaro para Dark Horse. Fotos: Reprodução

O pré-candidato a presidência Flávio Bolsonaro (PL) negociou com o banqueiro Daniel Vorcaro para financiar "Dark Horse", uma espécie de campanha positiva sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro.

Segundo a investigação, Vorcaro garantiu US$ 24 milhões cerca de R$ 134 milhões na cotação da época para bancar a produção audiovisual ligada ao clã Bolsonaro.

Documentos, comprovantes bancários e conversas privadas indicam que pelo menos US$ 10,6 milhões, cerca de R$ 61 milhões, já haviam sido pagos entre fevereiro e maio de 2025.

A reportagem do The Intecept, publicada nesta 4ª feira (13.mai.26), revela que Flávio atuou diretamente nas negociações e pressionou interlocutores para destravar contratos e acelerar transferências financeiras.

Em uma das mensagens reveladas, o senador escreveu ao banqueiro:

"Irmão, estou e estarei contigo sempre, não tem meia conversa entre a gente. Só preciso que me dê uma luz! Abs!".

O material também mostra a participação do deputado federal, que tramou contra o Brasil nos EUA, Eduardo Bolsonaro, do deputado Mario Frias e do empresário Thiago Miranda, ligado ao Portal Leo Dias, nas articulações envolvendo o projeto cinematográfico.

Conforme o jornal investigativo, mensagens indicam que o dinheiro saiu de empresas associadas ao grupo de Vorcaro e teria sido enviado ao fundo Havengate Development Fund LP, no Texas, controlado por aliados de Eduardo Bolsonaro.

A investigação aponta ainda que Vorcaro acompanhava pessoalmente os pagamentos e cobrava prioridade máxima para o filme. Em uma das conversas obtidas pelo site, o banqueiro escreveu: "Nao pode falhar mais".

COBRANÇA DE FLÁVIO BOLSONARO A VORCARO

Num áudio (abaixo), Flávio Bolsonaro cobra Vorcaro com medo de que um calote nos atores Jim Cavizel  (que vive o papel de Jair Bolsonaro) e em Cyrus Nowrasteh (diretor e roteirista do filme) manche ainda mais a imagem do seu pai presidiário. No áudio, Flávio revela ter intimidade com Vorcaro. Leia a transcrição: 

Irmão, preferi te mandar o áudio aqui para você ouvir com calma. Bom, aqui a gente está passando por um dos momentos mais difíceis da nossa vida, né? Sei como é que vai ser daqui para frente, como é que isso tudo vai acabar, mas está na mão de Deus aí. E você também, eu sei que você está passando por um momento dificílimo aí também, essa confusão toda, não você sem saber exatamente como é que vai encaminhar isso tudo. E apesar de você ter dado liberdade, Daniel, de a gente te cobrar, eu fico sem graça de ficar te cobrando, tá?

Mas enfim, não É porque tá no momento muito decisivo aqui do filme e como tem muita parcela para trás, cara, tá todo mundo tenso e fico preocupado aqui com o efeito ao contrário do que a gente sonhou para o filme, né? Imagina a gente dando calote num Jim Caviezel, num num Syrus, os caras pô, renomadíssimos lá no no cinema americano mundial. Podia ser muito ruim, né?

Confira o áudio clicando AQUI

O FILME MAIS CARO DA HISTÓRIA 

O TeatrineTV já havia adiantado que a produtora de Karina Ferreira da Gama havia abocanhado R$ 113 milhões com repasses diretos oriundos dos cofres públicos. Sendo que os "empenhadores dos valores foram": o prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes; o deputado e ex-ator fracassado, Mário Frias; a deputada presa Carla Zambelli; e o deputado federal de Mato Grosso do Sul Marcos Pollon

Sendo assim, o filme abocanhou 76,4% do seu orçamento comprovado, R$ 174 milhões, dos cofres públicos. 

E essa campanha da história de Bolsonaro já é a produção audiovisual mais cara do país e a que mais incluem pessoas alvos de acusações contra o Brasil e contra o sistema financeiro brasileiro. 

Para se ter uma ideia, um dos filmes mais caros do Brasil é o Agente Secreto, que custou cerca de R$ 28 milhões, isso representa apenas 16,1% do orçamento do gasto da produção do filme de extrema direita.  

FLÁVIO MENTIU, CONFESSOU E MENTIU DE NOVO

Daniel Vorcaro está preso após em novembro de 2025 tentar de deixar o país. Um dia depois, o Banco Central liquidou o seu Banco Master, acusado de operar um esquema que provocou rombo bilionário no Fundo Garantidor de Crédito (FGC).

Apesar das mensagens e documentos citados pelo Intercept, Flávio Bolsonaro incialmente mentiu, alegando que o conteúdo do jornal não era real.

"De onde você tirou essa informação? É mentira".

Ao longo dessa 4ª, porém, ao se deparar com a robustez das provas, Flávio usou as redes sociais para confessar a confessa e minimizá-la:

"Toda essa história que tá sendo veiculada agora, nada mais é do que um filho procurando investidores privados para fazer um filme privado sobre a história do seu próprio pai". 

No vídeo, Flávio voltou a mentir dizendo que o filme não tem dinheiro público: 

"Zero de dinheiro público, zero de lei Rouanet, como esse governo gosta de fazer, gastar dinheiro público para fazer autopropaganda deles mesmos", disse. E curiosamente, é justamente isso que é o filme de Jair Bolsonaro, uma propaganda sobre o ex-mandatário condenado e preso por tentativa de golpe no Brasil.

No seu vídeo, Flávio sugere que o filme biográfico pode ter custado mais de R$ 174 milhões, já que após Vorcaro repassar apenas R$ 61 milhões, Flávio confessa que foram procurados novos investidores. 

"O que acontece é que com o passar do tempo, ele [o Daniel Vorcaro] simplesmente parou de honrar com as parcelas do contrato. Sim, tinha um contrato que ao ele [Daniel Vorcaro] não pagar essas parcelas, tinha uma grande chance de o filme sequer ser veiculado, o filme sequer ser concluído. Em função disso, inclusive, procuramos outros investidores para concluir esse esse filme",  revelou o pré-candidato.

Em nota enviada após a publicação da reportagem, a defesa de Mario Frias afirmou que as mensagens "refletem apenas uma relação legítima entre idealizador do projeto e um potencial apoiador privado da iniciativa" e negou "qualquer uso do mandato parlamentar para promoção de lobby privado ou favorecimento empresarial".

A defesa de Daniel Vorcaro não respondeu aos questionamentos até a publicação da reportagem. O Intercept informou que também procurou Jair Bolsonaro e Eduardo Bolsonaro.

 


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