Eduardo Riedel e seus aliados durante a edição 2025 do Festival América do Sul em Corumbá. Foto: Saul Schramm
Diferentemente do que havia sido comunicado no Diário Oficial (um aditivo de R$ 11 milhões) e repercutido aqui, na verdade, a Associação dos Artistas recebeu apenas R$ 5 milhões para a execução desta 19ª edição do Festival América do Sul (FAS). Isso significa que o governo de Eduardo Riedel retraiu o investimento próprio na Cultura sul-mato-grossense, aplicando R$ 1 milhão a menos no festival em relação à edição de 2025.
Segundo apurou a reportagem do TeatrineTV, a ausência de linguagens como Artes Visuais, Hip Hop, entre outras, no chamamento do festival, vinha chamando atenção à luz da publicação, em 27 de abril, no D.O., de que a Associação dos Artistas havia recebido o maior valor da história para o festival. A publicação equivocada.
A confusão se deu devido ao extrato do aditivo publicado pela Fundação de Cultura de Mato Grosso do Sul (FCMS) ter informado que o Termo de Colaboração com a Associação dos Artistas para a edição de 2026 do FAS era de R$ 11 milhões. No entanto, a publicação não detalhou a composição desse valor nem diferenciou o montante original do acréscimo. Assim, o texto consolidou um total global sem explicitar que se tratava de recursos somados de 2025 e 2026, o que induz à interpretação equivocada sobre o valor efetivamente aditado e, inclusive, compromete a transparência do ato administrativo.
A reportagem havia procurado a Associação dos Artistas para comentar se, de fato, havia recebido R$ 11 milhões, como sinalizava o Estado, mas não obteve retorno.
Diante disso, foi necessário esperar que o dinheiro fosse repassado à associação, o que aconteceu nos dias 6 e 12 de maio (há menos de uma semana do início do festival). No dia 6, a FCMS repassou R$ 3 milhões à entidade. Somente no dia 12 de maio, repassou os outros R$ 2 milhões. A prova.
O repasse "tão em cima da hora", claramente afetou não somente a organização, mas limitou a participação da classe artística.
"RUINDEL"
Vamos lembrar que, após ser eleito em 2023, Riedel havia prometido aos trabalhadores da Cultura corrigir as falhas do seu padrinho, Reinaldo Azambuja (ex-tucano, atual chefe do PL em MS). O que sucedeu, porém, foi mais uma gestão com o péssimo hábito de mentir aos trabalhadores da cultura.
Na época, Riedel prometeu que iria lançar anualmente editais para o Fundo de Investimento Cultural (FIC). Não cumpriu a promessa, já que, nos seus primeiros 4 anos de governo, o FIC teve apenas (02) editais, sendo que o último ainda não foi pago aos contemplados. Ele havia prometido também aumentar o valor do FIC para R$ 14 milhões e também não cumpriu.
Neste ano, inclusive, Riedel deve aplicar mais um movimento de desinvestimento na Cultura, já que não deve realizar a edição de 2026 do Campão Cultural, além de já ter aplicado calote nos recursos da Mostra Boca de Cena de Teatro e Circo – que deveria ter acontecido em março.
Outros projetos prometidos no evento político intitulado MS Cultural, sequer foram iniciados.
O único recurso que, de fato, está apoiando os artistas sul-mato-grossenses é oriundo da Política Nacional Aldir Blanc, do Ministério da Cultura (MinC), que, além de projetos individuais, tem financiado programas como o Circula Cultura MS e Rota Cine.
Riedel ainda deve comparecer à classe trabalhadora da Cultura para explicar o porquê de um estado que divulga ser "tão rico" ter dificuldades de cumprir as promessas do governador com programas relativamente baratos em relação ao PIB sul-mato-grossense (R$ 227 bilhões. Estimativa de 2025 do próprio governo Riedel). A expectativa, ainda viva em parte da classe, é de que o governador ao menos não apresente mais promessas vazias.
Repetindo o passado, nos bastidores da cultura, assim como seu padrinho, que era conhecido pelo apelido pejorativo de "Azambucha" por não ter um diálogo com os trabalhadores da cultura, o governador de MS ganhou o apelido negativo de "Ruindel", devido à gestão ruim para o setor.







