A aldeia Panambizinho, em Dourados (MS), recebe a 5ª edição do Festival de Música Indígena, com programação de 5ª.feira (15.out.26) a sábado (17.out.26). Entre as atividades está a inauguração da Casa de Reza Ongusu, marcada para 6ª.feira (16.out.26), às 13h30.
O espaço é destinado às práticas espirituais e comunitárias do povo Guarani Kaiowá, com rezas, cantos, danças e transmissão de conhecimentos entre gerações.
Conhecida também como óga pysy, a casa de reza está ligada ao Tekoha, território tradicional onde o povo Guarani Kaiowá mantém seu modo de vida, e ao Teko porã, princípio associado à convivência harmoniosa entre a comunidade e a natureza.
ESPIRITUALIDADE E RESISTÊNCIA
A inauguração ocorre após episódios de incêndios em casas de reza em Mato Grosso do Sul. Em 2024, construções foram destruídas em Caarapó e Japorã. Em agosto de 2025, outro incêndio atingiu uma casa de reza na Reserva Indígena de Dourados. O caso foi investigado pela Polícia Federal sob suspeita de ação criminosa.
O festival é realizado em parceria entre o Espaço de Cultura e Arte Casulo e o povo Guarani Kaiowá. A iniciativa promove o encontro entre comunidades indígenas e não indígenas por meio da música, da arte e dos saberes tradicionais.
Segundo Julia Aissa, coordenadora do Casulo, mais de 300 indígenas de outras comunidades participam desta edição.
“A parceria é essencial para construir pontes entre diferentes realidades e ampliar o reconhecimento das culturas originárias. Além disso, as ações contam com a participação de mais de 300 indígenas de outras comunidades que vieram de ônibus para participar”, destacou.
A artista Cris Lossate Kaiowá ressaltou a importância do evento para o reconhecimento dos artistas indígenas e de sua produção cultural.
“Como mulher indígena Guarani Kaiowá, digo que o Festival de Música Indígena é muito importante, porque fortalece os artistas indígenas, que muitas vezes não são valorizados lá fora. Nossa programação veio exatamente para que os artistas indígenas se sintam acolhidos e valorizados pela comunidade”, afirmou.
OFICINAS E INAUGURAÇÃO
A programação começou na 5ª.feira (15.out.26), com oficinas de saberes tradicionais, artesanato, vestimentas tradicionais, grafismo corporal, construção com taquara, enfeites da Casa Kaiowá e audiovisual. As atividades ocorreram na Casa de Reza Ongusu, sob coordenação de Cris Lossate Kaiowá.
Às 16h, o Itan Grupo de Teatro apresentou o espetáculo Luma e a Estrela Mágica.
Nesta 6ª.feira (16.out.26), a agenda prevê plantio coletivo, às 8h, e inauguração da Casa de Reza Ongusu, às 13h30, com participação dos anfitriões Ñanderu Nivaldo e Nhandesi Feneida.
Chefe da Divisão Técnica do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional em Mato Grosso do Sul (Iphan-MS), Aline Di Salvo comentou a participação do Casulo na preservação do patrimônio cultural.
“Vamos participar do festival como convidados para este momento de celebração. E o festival conta com o trabalho do Casulo, que possui um papel fundamental na proteção e difusão do patrimônio cultural no Estado de Mato Grosso do Sul”, disse.
RODAS DE CONVERSA E APRESENTAÇÕES
No sábado (17.out.26), das 13h30 às 17h30, a Casa de Reza Ongusu recebe rodas de conversa sobre o Protocolo de Consulta com Comunidades Indígenas, com o professor Sebastian, da Faculdade Intercultural Indígena da Universidade Federal da Grande Dourados (FAIND/UFGD).
A programação também inclui discussão sobre o Inventário Nacional das Referências Culturais e o Inventário Nacional da Diversidade Linguística, com participação do Iphan, de pesquisadores indígenas e do Casulo.
À noite, a partir das 19h, o Espaço Cultural Tembólo recebe a Noite Cultural. Rozelaine Souza Guarani se apresenta às 21h, seguida pelo DJ Jhones, às 23h.
Rozelaine mencionou a relação entre música, identidade e preservação cultural.
“O Festival de Música Indígena é muito importante porque fortalece nossa cultura, valoriza nossos artistas e mantém vivos nossos cantos, nossa língua e nossos conhecimentos ancestrais. É um espaço para mostrar ao mundo que nossa música é identidade e a voz dos nossos povos indígenas”, declarou.
O festival recebe recursos da Política Nacional Aldir Blanc (PNAB), do Ministério da Cultura (MinC), e é executado por meio da Fundação de Cultura de Mato Grosso do Sul (FCMS).
A iniciativa conta ainda com apoio do Núcleo de Arte e Cultura da UFGD (NAC/UFGD), da UEMS de Dourados, da ADUEMS, da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) e da Escola Municipal Indígena Pai Chiquito.
SERVIÇO
5ª edição do Festival de Música Indígena
- Data: 5ª.feira (15.out.26) a sábado (17.out.26)
- Local: Aldeia Panambizinho, Dourados (MS)
- 5ª.feira (15.out.26): oficinas de saberes tradicionais, artesanato e práticas Kaiowá, das 8h30 às 11h30 e das 13h30 às 17h30. Apresentação de Luma e a Estrela Mágica, às 16h.
- 6ª.feira (16.out.26): plantio coletivo, às 8h, e inauguração da Casa de Reza Ongusu, às 13h30.
- Sábado (17.out.26): rodas de conversa, das 13h30 às 17h30. Noite Cultural, a partir das 19h, no Espaço Cultural Tembólo, com show de Rozelaine Souza Guarani, às 21h, e apresentação do DJ Jhones, às 23h.
Mais informações: Instagram @casulodourados.