Novo espetáculo de Ligia Tristão Prieto estreia com sessões esgotadas em Campo Grande. Foto: Hevo Mídia
O espetáculo A Menina e o Fim estreou ontem (14.out) e segue sendo apresentado nesta 5ª.feira (15.out) e 6ª.feira (16.out), sempre às 19h30, no Grupo Casa, no bairro Amambai, em Campo Grande (MS).
Não há mais ingressos disponíveis, pois os tíquetes para todas as sessões se esgotaram rapidamente. O Grupo Casa chegou a anunciar uma sessão extra para 6ª.feira, mas os ingressos também se esgotaram.
A reportagem do TeatrineTV apurou que haverá, em frente a sede do grupo, uma fila de espera caso alguém que reservou o ingresso no Sympla falte. Então, essa será uma possível oportunidade para aqueles que não conseguiram reservar os ingressos.
Mesmo diante de uma intensa chuva que aconteceu no momento da estreia, o espetáculo lotou o teatro do Grupo Casa.
Escrito e dirigido por Ligia Tristão Prieto, o trabalho conta com seis intérpretes criadores que passaram meses em imersão cênica no método “A Escuta da Criação”, desenvolvido por Ligia, que é mestre e pesquisadora teatral.
Com isso, será levado ao público o resultado desses encontros, que contaram com a preparação corporal de Livia Lopes e a preparação vocal de Sofia Maciel.
A narrativa do espetáculo A Menina e o Fim acompanha Maria (Kiohara), uma criança que perde a casa e foge com a família. Ao longo da dura jornada, a garota vai perdendo seus familiares.
“A Maria perde todos os pontos de apoio da sua vida, o avô, a avó, o pai, a mãe, a boneca, mas não perde a possibilidade de sonhar, de imaginar, porque sempre foi muito amiga dos livros, e isso é algo que ninguém nunca vai poder tirar dela”, salientou Ligia.
Na parte da “realidade” do espetáculo, a mãe é vivida por Livia Lopes e o pai, por Leonardo de Medeiros. Já o avô é interpretado por Tero Queiroz e a avó ganha vida com Zyan Nalrad (Anna Burton). Este último também assina a criação dos figurinos originais.
Em meio à dor da perda, a peça costura a tragédia com um forte universo de fantasia. Ao longo da trama, Maria se depara com a magia de seres apresentados em grandes proporções e também com cabeças de papietagem.
É nessa travessia que surgem a boneca Buzuza (Lethícia Rodrigues) e o Rato (Tero Queiroz). A Avó (Zyan Nalrad) reaparece em tamanho gigante, e a garota ainda encontra a Borboleta (Sofepoar Minott).
Para chegar ao País dos Sonhos, a personagem usa “dentes-de-leão” como realizadores de desejos.
Segundo a autora, o texto foi escrito há dez anos, inspirado nos relatos de fuga da guerra das irmãs Lispector.
“Este espetáculo é livremente inspirado na infância das irmãs Lispector e de sua fuga da Ucrânia para o Brasil em 1922, em consequência da Guerra Civil Russa e dos violentos pogroms (perseguições e massacres contra a população judia) ocorridos entre 1917 e 1921. A história real da fuga é descrita por Elisa Lispector no livro No Exílio, a partir do ponto de vista de quem viveu a história como uma menina de 9, 10 anos de idade”, introduziu Ligia.
Após a leitura da obra de Clarice, Ligia disse ter sido impactada pela violência do que uma infância pode vivenciar. E daí nasceu o desejo de escrever o espetáculo, que acabou sendo referenciado também por um poeta sul-mato-grossense.
"UM GRITO DE AMOR DA ARTE"
Objetivamente, o espetáculo foi escrito por Ligia em 2017, época em que a presidente do Brasil, Dilma Rousseff, havia tido seu mandato cassado, e no encalço do surgimento do movimento de extrema direita que elevou os índices de violência contra mulheres no país.
“Ainda não vivíamos a pandemia, tínhamos recém vivido o impeachment da primeira mulher eleita presidente do Brasil, e o nosso país era governado pelo Temer. Essa história brotou como uma necessidade de colocar luz sobre a arte como a única forma possível para conseguirmos lidar com as perdas da vida, que para uma menina, são inúmeras. Começamos com 64 meninas sendo abusadas por dia no Brasil , eu fui uma delas, perder a infância é um dos maiores crimes que podemos cometer contra uma criança, para além disso a pandemia deixou mais de 284 mil crianças órfãs no Brasil. A infância é tomada por perdas absurdas e insistimos em não falar sobre isso. Mas para meninas que perdem tudo já no começo da vida, não falar não significa não viver”, introduziu a dramaturga e diretora.
Ligia também relatou como outras leituras contribuíram para a criação do espetáculo.
“Nesse mesmo período eu li o livro Margem de Papel do poeta Emmanuel Marinho, de Dourados, que me arrebatou também com sua poesia política e afetuosa. Tudo que li falava também sobre mim, eu que encontrei na arte minha única possibilidade de existência. Eu acredito na arte como possibilidade de sonho, de construção de uma vida possível, por isso escrevi A Menina e o Fim, como um grito de amor da arte para a infância. O espetáculo tem classificação livre, mas acredito que por tudo isso ele seja mais voltado para pessoas adultas, para pais ausentes, para mães, para tios, tias, avós, avôs, para professores, para todas as pessoas que convivem com uma criança, é um convite a sermos adultos melhores diante daquilo que temos de mais precioso, a infância”, avaliou a autora.
Ainda de acordo com a diretora, o projeto, que conta com uma grande equipe, só pode ser viabilizado graças à Política Nacional Aldir Blanc (PNAB), do Ministério da Cultura (MinC).
“Quando eu escrevi o texto não tinha possibilidades de levantar o projeto para a construção do espetáculo, por falta de políticas públicas locais, e também por falta de editais que atendessem a nossa região, é caro levantar um espetáculo de teatro, este tem 26 profissionais envolvidos, o trabalho de todo mundo é de imensa importância e precisa ser devidamente pago. Só foi possível realizar este projeto graças a PNAB que se tornou inclusive uma política permanente de financiamento e incentivo à cultura durante o governo Lula, com o objetivo de descentralizar o apoio à cultura, estamos numa região que nada chega, é preciso não só fazer chegar, como também permanecer para podermos contar novas histórias”.
Para a dramaturga e diretora, o espetáculo chega ao público em um momento crucial.
“Acho que a necessidade urgente de trazer essa montagem agora além dos números alarmante de violência contra a infância no Brasil é que ainda estamos em guerra, a guerra de independência da Ucrânia foi em 1920, e agora o mesmo território segue em guerra, e 3.946 crianças tiveram sua morte ou ferimentos formalmente verificados pela ONU desde o começo deste último conflito que teve início em 2014”, apontou.
DIREITO À "MENINICE"
Dando vida à protagonista Maria, Kiohara comentou o impacto desse que é seu primeiro trabalho junto ao já reconhecido Grupo Casa na sua formação pessoal e profissional.
“Dar vida à uma menina, sendo uma mulher que, assim como várias, foi tolhida de experimentar a ‘meninice’ do seu jeito mais puro e inocente é um vivência que é até meio difícil de se distanciar a intérprete da personagem”, iniciou.
Então, Kiohara detalhou a reação diante da direção da mestre Ligia, baseada no método A Escuta da Criação.
“A direção, totalmente nova para mim, que respeita o processo criativo e não é uma direção imposta, acaba fazendo com que a gente acesse lugares internos muito bonitos e muito profundos. O que, no começo, trouxe bastante conflito e curiosidade, pois sempre fui acostumada a viver, enquanto atriz, numa direção totalmente imposta, condutiva, e sempre acreditei que o melhor caminho para mim seria esse. E aí, quando me deparo com algo novo me sinto menina, curiosa, sapeca, que quer experimentar, brincar, relaxar nesse lugar”, disse.
Sobre a sua personagem, Kiohara citou como a retratação de uma “meninice” retraída em cada ser humano.
“Acredito que a Maria é a personificação humana para tudo o que sentimos em algum momento da vida e que, por um ou vários motivos, vamos deixando de lado. Como se não fosse possível assumir a meninice dentro da vida adulta. A Maria vem e prova que é possível sim esses dois mundos coexistir, que podemos ver o mundo com cor sem perder a noção da realidade. Que a realidade pode doer, muitas vezes, mas que sempre existirão novos caminhos, novas pessoas, novos lugares que nos trarão aconchego e o impulso para continuar”, comentou.
Para a protagonista, um dos desafios centrais do projeto é a preparação musical para o espetáculo.
“O maior desafio para mim, enquanto intérprete e experimentação, foi a parte do canto, pois não se trata apenas de ‘não saber cantar’ ou ‘não gosto da minha voz’, acessa (posso considerar que acessava) um lugar muito profundo de trauma. E então, me deparei com uma diretora, com colegas de cena, com uma musicista que segurou minhas mãos com delicadeza e trouxe um chão firme para eu pisar. E essa é a parte que mais emociona, porquê, não foi mais a intérprete entregando algo interno para a personagem, foi a personagem existindo e entregando para a intérprete diversas possibilidades”.
PATERNIDADE SEM DOÇURA
Intérprete do “Pai” de Maria no espetáculo, o integrante do Grupo Casa, Leonardo Medeiros, revelou detalhes sobre o processo de construção de um adulto exausto em conflito com o universo fantasioso de uma criança. Como foi para ele, criar essas camadas.
“Eu sou uma pessoa que cresceu sem pai, então meu primeiro impulso foi tentar identificar naquele homem alguma coisa que me atravessasse pessoalmente. Existe, sim, o pragmatismo de um adulto exausto, de alguém que precisa lidar com a sobrevivência e que já não tem tempo, ou condições, de responder a todas as perguntas da filha. Mas eu também fui identificando uma tentativa de proteção, ainda que ele não saiba exatamente como fazer isso”, apontou.
Ainda segundo Medeiros, a história faz uma espécie de protesto pelo direito à leitura na infância.
“Quanto mais a Maria lê, mais ela pergunta, mais ela tenta compreender aquilo que está acontecendo ao redor dela e ele é um homem que já não consegue oferecer respostas. Ao mesmo tempo, existe uma contradição muito bonita nessa relação, durante a fuga, ele pega as coisas dela. Então, de alguma maneira, ele reconhece a importância daquele universo que a filha construiu, ele pode não conseguir entrar na fantasia com ela, mas também não a abandona completamente”, disse.
No caso desse personagem, Medeiros disse que a busca foi justamente por remover características de uma paternidade dócil.
“Meu trabalho foi justamente tentar não transformar esse pai num homem insensível, nem justificar todas as suas atitudes pelo sofrimento. Ele é um homem limitado pelas circunstâncias, que tenta proteger a filha com os recursos emocionais que ainda possui”, anotou.
PROCESSO NOS BASTIDORES
Segundo Zyan, os figurinos se inspiram em referências como o Vyshyvanka, que é um bordado ucraniano com padronagens regionais e de crenças familiares.
“Além de vários outros significados dependendo do padrão e cor, o envelhecimento que também usei nas peças, afinal, estamos contando a história, ainda que numa ficção baseada em uma época vivida no pós-guerra russo, então peças desbotadas, manchadas e com uma aparência de desgaste também farão parte, em contrapartida temos peças com design contemporâneo compondo essa dualidade de tempo”, explicou.
Ainda segundo o ator-figurinista, as cores das peças estão sendo usadas de formas pensadas em estudo para gerar sentimentos, tudo muito bem “calculado” para trazer essa história da melhor forma, pensando também nos intérpretes da cena que farão parte usando essas peças.
“Enfim, todas essas informações e pesquisas também ajudarão na atuação, pois, nesses estudos vemos especificidades que moldam os personagens ajudando a criar e desenvolver a atuação. Então, o personagem trás essa necessidade de figurino de acordo com sua história e narrativa inspirando a criação em si num processo natural”, opinou.
Como grande diferencial, o espetáculo amplia a encenação com cabeças de papietagem. A técnica é comandada pela direção de arte de Rafael Mareco.
O artista destacou que, durante o processo de criação, a diretora já tinha em mente a ideia dos bonecos gigantes, bonecos que tivessem uma proporção fora do comum. Com o andamento dessa criação, precisavam construir um boneco leve, que fosse possível transportar e manipular de forma fácil.
“O uso da papietagem casou bem nesse projeto porque apesar de ser leve traz a estética do papel, do reciclável, algo que acrescenta muito no visual do espetáculo. Os bonecos poderiam ser feitos de outra forma, usando espuma ou eva, mas a papietagem junto ao papelão compõe o visual que o espetáculo pede”, anotou.
Ele ainda citou que o resultado final é a superação de um grande desafio da engenharia de arte.
“Sem dúvida o maior desafio aqui é construir grandes bonecos que sejam leves, expressivos e compõe a cena de forma conjunta. Colocar todas essas técnicas e ampliar a esse tamanho é um desafio na minha trajetória como artista”, cravou.
A atmosfera da peça ganha força com a trilha sonora executada ao vivo por Eduardo Martinelli e Sofia Maciel. A direção musical do espetáculo é assinada pela própria Sofia.
De acordo com a musicista, desde que entrou no projeto a preocupação foi que a música não fosse apenas um acompanhamento, mas que participasse da narrativa, ajudando a traduzir as vivências dos personagens e a transitar entre as diferentes atmosferas do espetáculo.
“Nos meus encontros com os atores, pensei em preservar a identidade de cada um, seus próprios timbres, deixando a emoção e a espontaneidade prevalecerem. Nosso processo tem sido muito bonito, com trocas e experimentações de timbres, ritmos e sonoridades. E acho que é um trabalho que nunca está pronto; a cada ensaio vem uma coisa nova. A música, os sons, também respondem ao que acontece naquele dia, às emoções que vão surgindo e à maneira como os atores vivem cada cena. O "ao vivo" é uma das coisas que mais me encantam no teatro, pois a mesma peça nunca é exatamente igual de um dia para o outro”.
Sobre as trilhas de “A Menina e o Fim”, Sofia revelou detalhes acerca dos desejos sonoros para o trabalho.
“Estamos usando instrumentos acústicos, percussões, sons produzidos pelo próprio corpo e pequenos motivos musicais que reaparecem em diferentes momentos, acompanhando principalmente as mudanças vividas por Maria. Na canção de Maria, por exemplo, temos um arranjo mais melancólico e introspectivo, que vai crescendo aos poucos. Já no encontro com o Rato, a proposta foi criar outra atmosfera, com uma sonoridade mais próxima do blues, trazendo humor, movimento e uma mudança na energia do espetáculo. E assim vamos buscando uma sonoridade própria para cada personagem”, adiantou.
Ainda conforme a música tem como objetivo criar essa relação próxima com os atores, para respirar com a cena, acompanhar os movimentos, as pausas e os silêncios.
“E, no teatro, isso é muito mágico, pois é como se o público estivesse — e está! — ali, participando da cena, vivendo junto o que acontece naquele instante e sentindo também os sons e suas vibrações. Acho que buscamos, acima de tudo, uma identidade sonora que tivesse delicadeza e força, mas que fosse, principalmente, verdadeira nas emoções e nos sentimentos que acompanham cada personagem. Conhecer mais de pertinho esse elenco incrível tem sido muito especial. E trabalhar com a Ligia e o Eduardo é uma honra para mim”, declarou.
Outro grande diferencial está na criação de iluminação, conduzida por Anderson Lima. O iluminador detalhou que o encontro com a mestre e diretora Ligia Tristão Prieto foi de uma conexão direta, diante da clareza da proposta da diretora para o projeto.
“Eu acho que essa luz, cara, ela é um desafio…, quanto mais artesanal a coisa, mais desafiadora ela é e também mais instigante para fazer, satisfatória. Eu acho que o importante é que a Ligia tem um processo muito bem estabelecido, então a coisa fica muito, muito clara, o direcionamento que ela quer. Isso facilita muito quando se tem um processo e dá o caminho do que quer”, citou.
O iluminador comentou a importância do projeto do ponto de vista narrativo e o que espera do resultado.
“A gente vê que a Ligia assumiu um processo de atuação também dentro do trabalho, porque tem a questão, por exemplo, do papel que se repete, como se fosse uma brincadeira que as crianças tivessem feito, mas é uma coisa séria, apesar disso. Então, é bem desafiador e eu acho que vai ficar bem gratificante, o resultado”.
"É PRECISO ESCUTAR A INFÂNCIA"
A diretora Ligia Tristão Prieto considerou, por fim, que somente a experiência teatral permitirá ao público observar por um espectro diferente a infância.
“Criança sente dor, criança sente solidão, criança sente medo, criança sente saudade, criança sente coragem também, e esses sentimentos percorrem o nosso corpo durante toda uma vida, é preciso escutar a infância que mora na gente e que mora no outro, ela ainda marca a forma como nos olhamos e como nos colocamos diante do mundo. É preciso um certo distanciamento para ver melhor, e o teatro propõe esse movimento, por isso é tão necessário à humanidade”, concluiu.
SERVIÇO
O Grupo Casa está localizado na Rua Visconde de Taunay, 306, no Bairro Amambaí, no Centro de Campo Grande (MS).
FICHA TÉCNICA
- Direção e Dramaturgia – Ligia Tristão Prieto
- Produção Executiva – Jessica Santos
- Produção Geral – Grupo Casa Produções
- Produção – Zuri Oliveira
- Assistente de Produção – Leonardo de Medeiros
- Direção de Arte e Cenografia – Rafael Mareco
- Assistência de Arte – Fannyah, Kyane Bravo e Lethícia Rodrigues
- Cabeças de Papietagem Personagens Ato I – Sarah Caires e Said Danilo
- Cabeças Gigantes Personagens Ato II – Rafael Mareco
- Figurino e Beleza – Zyan Nalrad
- Direção Musical – Sofia Maciel
- Composição Musical Autoral – Ligia Tristão Prieto, Sofia Maciel, José Maciel e Eduardo Martinelli
- Trilha Sonora – Eduardo Martinelli e Sofia Maciel
- Elenco – Kiohara, Leonardo de Medeiros, Lethícia Rodrigues, Lívia Lopes, Sofepoar Minott, Tero Queiroz e Zyan Nalrad (Anna Burton)
- Preparação de Elenco – Lívia Lopes
- Preparação de Equilíbrio – Bibi Gonçalves
- Contrarregragem – Jessica Santos e Rafael Mareco
- Sonoplastia e Direção de Som – Alex Cavalheri
- Iluminação – Anderson Lima
- Direção de Palco – Douglas Luiz
- Interpretação em Libras – Comunique Acessibilidade
- Assessoria de Imprensa – Mariana Castelar e Tero Queiroz
- Assessoria de Comunicação – Hevo Mídia – Mario Oshiro e Paula Chermont
- Social Media – Marcelo Henrique
- Design Gráfico e Animação – Sudório