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"LUZ ALERTA"

Festival CineSur despreza o cinema de MS

Realizado pela Associação Amigos do Cinema e da Cultura, o festival tem Nilson Rodrigues e Andrea Freire à frente

Por TERO QUEIROZ • 05/08/2026 • 07:13
Festival CineSur despreza o cinema de MS (31.jul.26) - Abertura da sessão do filme 'Filhos do Litoral Central', para um público de pouco mais de 20 pessoas no Bonito CineSur. Foto: Tero Queiroz

O que muitos não querem falar, mas é preciso, é que o Bonito CineSur – Festival de Cinema Sul-Americano, realizado em Bonito (MS), destina total desprezo às produções cinematográficas sul-mato-grossenses.

A reportagem do TeatrineTV esteve acompanhando in loco os dois últimos dias da 4ª edição do festival (31 de julho e 1º de agosto).

Na ocasião, o repórter acompanhou a sessão das 16h30 do filme "Filhos do Litoral Central", dirigido por Pedro Mello. Além de vazia de público (pouco mais de 20 pessoas assistindo), a exibição foi afetada por uma falha técnica na luz do palco, que ficou piscando durante ao menos dois minutos, atrapalhando a imersão no filme. Confira: 

A luz piscando me soou como um alerta: era preciso comentar como são tratadas em casa as produções cinematográficas.

Realizado pela Associação Amigos do Cinema e da Cultura (AACIC), com Nilson Rodrigues e Andrea Freire à frente, o CineSur parece ter repetido uma velha escolha que ainda atravessa parte da sociedade brasileira: a chamada "síndrome de vira-lata". O termo, cunhado em 1950 pelo jornalista Nelson Rodrigues, define a postura de quem despreza a própria produção e enxerga maior valor naquilo que vem de fora.

Mais do que opinionismo, pode-se trazer à baila situações flagrantes de desprezo vistas nos dois dias finais.

Por exemplo, a escolha do horário para exibir as produções de MS. Como o festival acontece ao longo da semana, a maior parte do público comparece no período da noite, fora do horário de trabalho. No entanto, todos os filmes da Mostra Competitiva Sul-Mato-Grossense foram exibidos às 16h30 e, pelo que apuramos, a maioria teve sessão esvaziada.

Outro sinal de desprezo está no ineditismo negativo do CineSur: ser, aparentemente, o único festival de cinema consolidado do Brasil em que curtas-metragens competem diretamente com longas-metragens..., mas essa disputa entre formatos distintos ocorre apenas dentro da Mostra Competitiva Sul-Mato-Grossense. Nas demais categorias, o festival separa as produções por formato e até mesmo por "temática": Longa-Metragem Sul-Americano; Curta-Metragem Sul-Americano; Longa-Metragem Ambiental Sul-Americano; e Curta-Metragem Ambiental Sul-Americano.

Em termos de premiação, também a fatia menor é para os sul-mato-grossenses. O curta ou longa que conquistar o prêmio de "Melhor Filme Sul-Mato-Grossense" leva um troféu e R$ 7,5 mil. Na mesma equivalência, mas tratado como diferencial, o longa vencedor do prêmio de Melhor Filme Sul-Americano recebe R$ 20 mil e o troféu.

A alegação ventilada por toda boca no Centro de Convenções de Bonito, onde os filmes são exibidos, é de que a organização do CineSur, leia-se Nilson Rodrigues, justifica que não há "filmes suficientes produzidos em MS" para que exista uma mostra de curta e outra de longa-metragem das produções de MS.

Podemos trazer aqui dados levantados pela reportagem que confrontam diretamente essa afirmação. Somente pela Lei Paulo Gustavo foram financiados 15 filmes de longa-metragem sul-mato-grossenses, com o valor total de investimento federal de R$ 9,5 milhões, gerenciados pela Fundação de Cultura (FCMS). No total, a LPG financiou 145 projetos audiovisuais em todo o Estado.

Além disso, a Política Nacional Aldir Blanc (PNAB) também ampliou o fomento ao audiovisual sul-mato-grossense. Apenas em recursos estaduais da PNAB, o setor recebeu R$ 3,5 milhões destinados à produção, finalização e difusão de obras audiovisuais, incluindo curtas e longas-metragens.

Então, o CineSur não está sendo íntegro. Há produções, há demanda, mas falta é respeito com os trabalhadores do cinema de casa e a luz alerta no palco apenas escancarou isso.   

 


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