Tempestade destrói a Plataforma Cultura e a Glaeria de Vidro em Campo Grande durante exposição sobre abandono de espaços públicos. Foto: Tero Queiroz
O vendaval que afetou a Capital sul-mato-grossense na tarde e noite da 5ª feira (10.set.26) escancarou o abandono estrutural da cidade.
O único equipamento cultural aberto da cidade, a Plataforma Cultural, onde está a Galeria de Vidro, teve sua cobertura de zinco arrancada pela ventania.
Segundo o Centro de Monitoramento do Tempo e do Clima de MS (Cemtec), as rajadas de vento atingiram máximas de 87 km/h em Campo Grande.
O prédio histórico que pertence ao Complexo Ferroviário, que inclui o Armazém Cultural e a linha férrea, está há muito tempo carente de uma restauração.
De responsabilidade da Fundação de Cultura de Campo Grande (Fundac), o local não passou pelas intervenções necessárias e, além do telhado, teve parte do madeiramento do teto arrancado.
Quando a tempestade começou, por volta das 17h da tarde, os servidores que estavam no prédio se uniram para resgatar obras de arte de Gisele Della Barba e Fernando Anghinoni que estavam sendo expostas na Galeria de Vidro desde 2 de setembro e ficariam expostas até 13 de setembro.
De acordo com Fernando, a exposição “Fragmentos e Cicatrizes da Arquitetura Urbana” denunciava justamente a situação de abandono de equipamentos culturais e históricos da cidade.
"Por sorte os funcionários conseguiram retirar todas as obras e colocar em local seguro", introduziu.
Ainda conforme o artista visual, havia cerca de 25 obras expostas na Galeria.
"Na próxima semana seria uma exposição da Lúcia Monte Serrat, mas, pelo visto, todas as exposições vão ser canceladas até o final do ano", lamentou Fernando.
O artista ainda salientou a importância do equipamento em questão para a cidade, já que é o único prédio dedicado à história e às artes ainda aberto na Capital.
"Será que a prefeitura vai restaurar? Ali aconteciam também oficinas, aulas de yoga, além das exposições. Isso vai demorar anos para voltar", alertou o artista.
Para Fernando, a situação é o agravante de um abandono continuado.
"Não pode ser esquecido assim como a estrutura do teto foi. Estava deteriorada. E o vagão de trem que estava lá acho que virou pó, mas não foi por conta da tempestade, já estava abandonado", denunciou.
O QUE DISSE A FUNDAC
Procurado pela reportagem do TeatrineTV na tarde desta 6ª feira (11.set.26), o diretor-presidente da Fundac, Valdir Gomes, disse, de fato, não ter qualquer previsão de restauração e entrega do equipamento.
"Tem uma comissão do patrimônio cuidando disso. Local sem condições de uso", respondeu o chefe da Fundac.
A reportagem o questionou sobre o motivo de a restauração no prédio não ter sido feita antes, já que a estrutura estava danificada.
"Projeto dela já pronto, estava em fase de licitação", disse.
O repórter questionou sobre prazos, de quando sairia a fatídica licitação e quando as obras de restauração teriam início. O chefe da Fundac, porém, jogou essa responsabilidade para a pasta de obras.
"Agora secretaria de obras para te informar. Quem é responsável pela execução é a Sesep (sic)", alegou Valdir Gomes.
Sobre o projeto que seria licitado, Valdir disse que terá que ser refeito pela Sisep, mas não indicou um prazo para início das obras.
Na Secretaria Municipal de Infraestrutura e Serviços Públicos (SISEP), a responsável pelo projeto será a arquiteta e urbanista Perla Yassuraia Braga Larsen.
Ela possui especialização voltada para o Patrimônio Histórico, Técnicas de Conservação e Restauro e é sócia-administradora da empresa Restaura Arquitetura Ltda.
Ao TeatrineTV, Perla explicou que ainda também não consegue estimar um prazo exato de entrega do projeto, licitação, obras e quando o espaço será devolvido à cidade.
"Não sabemos informar sobre prazos ainda, no meio desse caos que ficou lá. Não sei se vc esteve lá. Nesse momento, estamos tentando restabelecer energia, retirar os escombros e só então poderemos compreender a extensão dos danos. Só depois disso, estimar prazos!", concluiu.