A Fundação de Cultura de Mato Grosso do Sul (FCMS) contratou os shows de Seu Jorge e Léo Foguete por R$ 950 mil para a programação da 25ª edição do Festival de Inverno de Bonito (FIB), que acontecerá de 26 a 30 de agosto, na cidade turística sul-mato-grossense.
Conforme publicado no Diário Oficial (a prova), o órgão ratificou duas inexigibilidades de licitação para as apresentações, justificadas pela "inviabilidade de competição", conforme previsto na Lei Federal nº 14.133/2021.
O cantor Seu Jorge foi contratado por R$ 500 mil para um show de 90 minutos, marcado para 29 de agosto, às 22h, na Rua Pilad Rebuá, em frente à Rádio Bonito FM.
A contratação foi feita por meio da empresa Black Service Shows LTDA, apontada como representante exclusiva do artista Jorge Mario da Silva, nome artístico Seu Jorge.
Já o cantor Léo Foguete terá cachê de R$ 450 mil pela apresentação prevista para 28 de agosto, também às 22h, no mesmo local.
O contrato foi firmado com a empresa Léo Foguete Produções LTDA, indicada como empresária exclusiva do cantor Mayrllon de Castro Souza, de 22 anos.
Das atrações musicais anunciadas, falta apenas a ratificação da contratação de Ferrugem (Jheison Failde de Souza), que deve se apresentar na noite de 27 de agosto.
Seguindo o padrão de desinvestimento na Cultura do governo de Eduardo Riedel, neste ano, o valor total do Festival será de R$ 2.054.250,00, conforme o 1º Termo Aditivo ao Termo de Colaboração nº 4755/2026, firmado entre a FCMS e a Associação dos Artistas. A prova.
Sendo assim, somados, os cachês dos artistas de fora correspondem a cerca de 46% do orçamento total previsto para o FIB 2026.
Vale lembrar que a gestão Riedel já havia reduzido R$ 1 milhão em investimento no Festival América do Sul, como destacamos aqui.
Agora, Eduardo Riedel também reduziu o orçamento do 25º FIB, que em 2025 teve investimento de R$ 6,8 milhões. Isso significa uma redução de R$ 4,75 milhões no orçamento do festival. Ou seja, neste ano, o governo Riedel investe 70% menos que no ano passado.
"RUINDEL"
Vamos lembrar que, após ser eleito em 2023, Riedel havia prometido aos trabalhadores da Cultura corrigir as falhas do seu padrinho, Reinaldo Azambuja (ex-tucano, atual chefe do PL em MS). O que sucedeu, porém, foi mais uma gestão com o péssimo hábito de mentir aos trabalhadores da cultura.
Na época, Riedel prometeu que iria lançar anualmente editais para o Fundo de Investimento Cultural (FIC). Não cumpriu a promessa, já que, nos seus primeiros 4 anos de governo, o FIC teve apenas (02) editais, sendo que o último ainda não foi pago aos contemplados. Ele havia prometido também aumentar o valor do FIC para R$ 14 milhões e também não cumpriu.
Neste ano, inclusive, Riedel deve aplicar mais um movimento de desinvestimento na Cultura, já que não deve realizar a edição de 2026 do Campão Cultural, além de já ter aplicado calote nos recursos da Mostra Boca de Cena de Teatro e Circo – que deveria ter acontecido em março.
Outros projetos prometidos no evento político intitulado MS Cultural, sequer foram iniciados.
O único recurso que, de fato, está apoiando os artistas sul-mato-grossenses é oriundo da Política Nacional Aldir Blanc, do Ministério da Cultura (MinC), que, além de projetos individuais, tem financiado programas como o Circula Cultura MS e Rota Cine.
Riedel ainda deve comparecer à classe trabalhadora da Cultura para explicar o porquê de um estado que divulga ser "tão rico" ter dificuldades de cumprir as promessas do governador com programas relativamente baratos em relação ao PIB sul-mato-grossense (R$ 227 bilhões. Estimativa de 2025 do próprio governo Riedel). A expectativa, ainda viva em parte da classe, é de que o governador ao menos não apresente mais promessas vazias.
Repetindo o passado, nos bastidores da cultura, assim como seu padrinho, que era conhecido pelo apelido pejorativo de "Azambucha" por não ter um diálogo com os trabalhadores da cultura, o governador de MS ganhou o apelido negativo de "Ruindel", devido à gestão ruim para o setor.