A Fundação de Cultura de Mato Grosso do Sul (FCMS) prorrogou por mais um ano uma série de contratos para fornecimento de estruturas destinadas a eventos.
Os 11 termos aditivos publicados nesta 4ª feira (9.set.26) no Diário Oficial somam R$ 88.633.229,53. A prova.
As prorrogações mantêm contratos originalmente celebrados em 2022 e, em praticamente todos os casos, estendem a vigência até setembro de 2027.
Os documentos foram assinados entre 2 e 7 de setembro de 2026 com carimbo do diretor-presidnete da FCMS, Eduardo Mendes Pinto e com isso, sob o aval do governador Eduardo Riedel (PP).
EMPRESÁRIOS MILIONÁRIOS SOB RIEDEL
O maior aditivo da gestão Riedel está no contrato com a Ednelson Guerra Niz Ltda., que passa a ter valor de R$ 22.730.162,00. O contrato foi prorrogado de 9 de setembro de 2026 a 8 de setembro de 2027.
A Ednelson atua sob o CNPJ 11.641.350/0001-53 (o cartão) e tem como sócio-administrador Ednelson Guerra Niz.
O empresário ficou conhecido pela relação com o pastor Denílson Fonseca, líder da igreja Aliançados. Ednelson deu uma Land Rover ao religioso.
Ele também apareceu como pagador de parte do terreno de R$ 13,5 milhões negociado pela igreja.
Foram identificados três Pix de R$ 1 milhão feitos por Ednelson, totalizando R$ 3 milhões. O empresário afirmou que os valores não eram dele e que tinham origem em um consórcio da igreja
Ao longo dos 4 anos da gestão Riedel, a empresa de Ednelson faturou contratos de pouco masi de R$ 110,3 milhões. Desse valor, R$ 35.551.663,54 foram capturados com carimbos da FCMS e os outros R$ 67.079.939,24 carimbados pela Segov. Eis:
Na sequência aparece a K. S. M. Estruturas para Eventos Ltda., com R$ 19.545.621,14. O aditivo também prevê vigência de 9 de setembro de 2026 a 8 de setembro de 2027.
A K. S. M. atua sob o CNPJ 03.707.171/0001-43 (o cartão) e tem como proprietário Raphael Nunes Cance.
O nome de Cance já apareceu em investigações e processos em Mato Grosso do Sul. Ele foi citado na Operação Lama Asfáltica, no núcleo familiar de André Cance, e é sobrinho de ex-secretário-adjunto da Secretaria de Estado de Fazenda (Sefaz).
Raphael e o irmão, Thiago Nunes Cance, também foram investigados pela Polícia Federal por supostas irregularidades envolvendo desvios no Departamento Estadual de Trânsito de Mato Grosso do Sul (Detran-MS).
Segundo a investigação, o esquema destinaria recursos ao ex-secretário-adjunto, que receberia 1% dos valores desviados.
Cance também foi acusado de atirar um copo de whisky contra o então promotor Sergio Harfouche durante a fiscalização de um evento. O episódio envolveu ainda suspeitas de falsificação de dados do alvará.
Segundo o Portal da Transparência, de 01/01/2022 a 09/09/2026, a KMS faturou apenas FCMS R$ 28.197.378,78. Além disso, no mesmo período a empresa faturou mais R$ 58.041.466,55 na Secretaria de Estado de Governo e Gestão Estratégica (SEGOV). Eis:
A Mega Stands Ltda., CNPJ 05.394.356/0001-70 (o cartão), tem como nome fantasia Mega Projetos e Montagens. A empresa tem como sócios-proprietários Luis Paulo Delfino e Irani Borges de Freitas.
Delfino é ex-proprietário de um clube de poker em Campo Grande e ficou conhecido por acusações de jogadores que afirmaram ter sido vítimas de golpe.
Nos quatro anos de Riedel, Delfino faturou R$ 5.088.014,24 apenas na FCMS. De acordo com o Portal da Transparência, o valor total capturado pela empresa no período de 01/01/2022 a 09/09/2026 é de R$ 29.731.758,46, sendo dois contratos de poucos mais de R$ 2 milhões no Fundo Especial de Saúde e um mega-contrato de R$ 22.421.044,22 na Segov. Eis:
No ranking de quem mais fatura com a verba cultural, a próxima colocada é a a Energe Energia e Eventos Ltda. teve dois contratos prorrogados, que juntos somam R$ 10.230.932,06.
A Energe atua sob o CNPJ 15.798.089/0001-50 (o cartão) e tem como sócia-proprietária Nayara dos Reis Martins.
Nos quatros de Riedel a Energe faturou R$ 46.100.684,61 por meio de três contratos: dois com a FCMS e um com a segov. Eis:
Em seguida aparece a CJR Empreendimentos Comerciais Ltda. atua sob o CNPJ 22.839.362/0001-03 (o cartão) e tem como sócia a Meridian Administração e Participações Ltda., ligada a Luiz Gonzaga Crosara Junior.
A empresa teve dois contratos prorrogados pela FCMS. Juntos, os instrumentos chegam a R$ 9.562.500,00.
Crosara aparece em denúncias recentes envolvendo contratos do Sistema S em Mato Grosso do Sul. O empresário ocupa a vice-presidência da Federação das Indústrias de Mato Grosso do Sul (Fiems) e foi citado em reportagens sobre suspeitas envolvendo empresas ligadas à direção da entidade.
A Controladoria-Geral da União (CGU) confirmou que as denúncias poderiam subsidiar auditorias sobre o Sistema S no Estado.
Ao longo desses quatros anos de gestão Riedel, a FCMS fechou dois contratos com Crossara, sendo cada de R$ 5,4 e R$ 5,6 milhões. Além disso, o empresário conquistou um contrato de R$ 16,9 milhões na Segov. Portanto, o empresário abocanhou pouco mais de R$ 28 milhões dos cofres públicos no período de 1 de janeiro de 2022 e 9 de setembro de 2026. Eis:
A Ekobox Locações Eireli EPP aparece contrato aditivado em R$ 8.013.565,00. A empresa atua sob o CNPJ 15.353.437/0001-86 (o cartão) e tem como proprietário Leonardo de Paula Maravieski.
De 2022 a 2026 a empresa faturou R$ 13.186.975,45 sob a gestão Riedel. O valor está distribuído em dois contratos na FCMS, um na Secretaria de Educação e um na Segov. Eis:
Há ainda R$ 4.256.340,13 aditivados para Rodrigo Borges de Jesus Eireli que atua sob o CNPJ 11.801.565/0001-94 (o cartão) e utiliza o nome fantasia Start Stands e Eventos. A empresa tem como único sócio-proprietário e faturou R$ 20.144.279,71 nos primeiros 4 anos de Riedel. Eis:
A FCMS aditivou R$ 2.882.287,70 para MT Estruturas para Eventos Eireli - EPP. A empresa atua sob o CNPJ 02.173.439/0001-41 (o cartão) e tem como sócios-administradores Camila Tosi Rosa e Antonio Inacio Rosa.
Ao longo dos 4 anos de Riedel a empresa faturou 8.479.828,23, sendo dois contratos com a FCMS, um com o Detran e outro com a Segov. Eis:
Já para a Marca 2T Eventos Ltda., nome fantasia Marca 2T, atua sob o CNPJ 14.675.871/0001-10 (o cartão), que tem como sócio-proprietário Leonardo da Silva Medeiros, a FCMS aditivou o contrato em R$ 1.550.230,00. Ao longo de quatro anos, essa empresa faturou R$ 6.882.293,41 em contratos com a getsão Riedel. Eis:
COMPARAÇÃO COM AÇÕES
Para se ter uma ideia do tamanho da disparidade com que os trabalhadores das artes são tratados pela FCMS em comparação com os empresários afamados na Justiça, a reportagem observa o investimento do governo Riedel no único mecanismo público de financiamento de projetos ainda realizado pelos ex-tucanos: o Fundo de Investimentos Culturais (FIC).
Nos primeiros 4 anos de Riedel, apenas dois editais do FIC foram lançados: um em 2022, de R$ 8 milhões, e o segundo em 2024, de R$ 11 milhões. Portanto, nesses 4 anos, Riedel investiu R$ 19 milhões na única política pública cultural existente em MS.
Esse valor representa apenas 5,44% do que foi faturado pelos empresários famosos.
Nos 4 anos de Riedel, os ricaços acima faturaram juntos quase R$ 349 milhões com a gestão de Eduardo Riedel.