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LUTO NAS ARTES

Morre Juarez Machado; obra atingiu o Centro-Oeste

Artista catarinense construiu carreira entre pintura, desenho, escultura, caricatura e televisão

Por TERO QUEIROZ • 06/10/2026 • 15:09
Morre Juarez Machado; obra atingiu o Centro-Oeste Juarez Machado é um dos artistas brasileiros mais prolíficos e versáteis, reconhecido por sua habilidade de transitar entre diversas formas de expressão artística.

O artista plástico Juarez Machado morreu nesta 3ª feira (6.out.26), aos 85 anos, em Vassouras, no interior do Rio de Janeiro. Natural de Joinville (SC), ele construiu uma carreira de mais de seis décadas marcada pela atuação em diferentes linguagens das artes visuais, além de passagens pela televisão, imprensa, teatro e cinema. A causa da morte não foi divulgada.

Embora tenha construído sua trajetória principalmente entre Joinville, Rio de Janeiro e Paris, a produção de Juarez Machado também circulou pelo Centro-Oeste brasileiro. Registros localizados em Mato Grosso do Sul, Distrito Federal e Goiás mostram diferentes momentos em que suas obras chegaram à região.

Em Campo Grande, gravuras do artista foram utilizadas na ambientação do Lounge Bar da Casa Cor MS, realizada em 2014. O espaço foi montado no prédio que posteriormente recebeu o Hospital de Câncer e teve as paredes compostas por trabalhos de Juarez Machado. À época, cada gravura utilizada no ambiente era avaliada em cerca de R$ 3,5 mil.

A presença da obra do artista também alcançou Brasília. Em 2015, a CAIXA Cultural Brasília recebeu a exposição “Soixante-Dix”, criada em comemoração aos 70 anos de Juarez Machado. A mostra reuniu 41 trabalhos, entre pinturas a óleo, desenhos, esculturas e trajes, e fazia parte de uma circulação que havia passado por outros espaços no Brasil e no exterior.

OBRA VOLTOU AO CENTRO-OESTE EM 2026

A mais recente presença documentada de Juarez Machado na região ocorreu em Goiânia. De maio a julho deste ano, dez gravuras do artista integraram a exposição “4 Mestres da Arte”, na Vila Cultural Cora Coralina.

A mostra reuniu 60 gravuras de Juarez Machado, Carybé, Antônio Poteiro e Siron Franco. Com apoio do Governo de Goiás, por meio do Programa Goyazes, a exposição apresentou trabalhos produzidos entre as décadas de 1960 e 2000 e propôs um recorte sobre diferentes formas de representação do Brasil.

No conjunto apresentado em Goiânia, a produção de Juarez apareceu ao lado de artistas ligados a diferentes territórios e matrizes culturais brasileiras. Siron Franco e Antônio Poteiro têm trajetórias diretamente relacionadas a Goiás, enquanto Carybé ficou conhecido pela representação de elementos da cultura afro-brasileira e Juarez desenvolveu uma produção marcada pelo cotidiano urbano, humor, ironia e surrealismo.

A presença em Goiás ocorreu poucos meses antes da morte do artista e encerra, ao menos no registro encontrado, uma circulação de sua obra pelo Centro-Oeste que também alcançou Mato Grosso do Sul e o Distrito Federal.

MAIS DE 60 ANOS DE PRODUÇÃO

Juarez Machado começou a pintar em 1960 e realizou sua primeira exposição individual em 1964. Ao longo da carreira, trabalhou como pintor, desenhista, escultor, caricaturista, cartunista, ilustrador, fotógrafo, cenógrafo e figurinista.

No Rio de Janeiro, onde viveu durante parte da carreira, tornou-se conhecido também pelo trabalho na imprensa. Foi chargista de jornais como o Jornal do Brasil e ganhou projeção nacional na televisão.

Nos anos 1970, participou do Fantástico, da TV Globo, onde apresentou um quadro de humor no qual atuava como mímico e interagia com desenhos produzidos por ele próprio. A experiência fez parte de uma trajetória que transitou entre as artes visuais, a televisão e outras linguagens.

A partir do final dos anos 1970, passou a se dedicar principalmente às artes plásticas. Na década seguinte, mudou-se para Paris, onde instalou um ateliê e ampliou a circulação internacional de sua produção.

O Museu Oscar Niemeyer, ao apresentar uma retrospectiva do artista, classificou sua trajetória como marcada pela diversidade de linguagens, reunindo desenhos, pinturas, esculturas, charges, cartuns, fotografias, gravuras, ilustrações, cartazes, cenários, figurinos e outras formas de criação.

LEGADO

Apesar da projeção internacional, Joinville permaneceu como um dos principais pontos de referência da trajetória de Juarez Machado. Em 1998, o mural cerâmico “O Grande Circo” foi instalado no Centreventos Cau Hansen, na cidade.

Em 2014, foi inaugurado o Instituto Internacional Juarez Machado, dedicado à preservação e difusão de sua produção. O acervo reúne pinturas, esculturas, gravuras, fotografias, cartazes e publicações relacionadas a mais de seis décadas de carreira.

A circulação de seus trabalhos por diferentes regiões do país, incluindo o Centro-Oeste, deixa registros de uma produção que ultrapassou os espaços tradicionais de formação e consolidação das artes visuais brasileiras.

As informações sobre o velório e a cerimônia de despedida ainda não haviam sido divulgadas até a última atualização desta reportagem.


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