Logo Teatrine TV
AUDIOVISUAL

Nexa Cine vê “enorme potencial” no Centro-Oeste

Grupo inicia mapeamento do mercado audiovisual da região

Por TERO QUEIROZ • 12/08/2026 • 13:57
Nexa Cine vê “enorme potencial” no Centro-Oeste Empresa começa pesquisa sobre o audiovisual da região Centro-Oeste do Brasil.

A AfroRec, iniciativa criada em 2019 para formar e ampliar a entrada de profissionais negros, periféricos e indígenas no mercado audiovisual, passou a integrar, em maio de 2026, o Grupo Nexa Cine.

A mudança de posicionamento marcou a entrada da empresa no mercado B2B. O faturamento foi estimado em R$ 192 mil em 2025, com projeção de R$ 336 mil para 2026 e valuation de R$ 1,1 milhão.

A nova estrutura foi apresentada durante a Rio2C 2026, realizada até 31 de maio, no Rio de Janeiro (RJ).

A nova estrutura reúne, além da AfroRec, a Nexa Tech, a Nexa Eventos e a Nexa Studios, ampliando a atuação do grupo para áreas como tecnologia, pesquisa, dados, eventos, conteúdo e produção audiovisual.

Segundo Mill Müller, fundador da AfroRec e CEO do Grupo Nexa Cine, a integração representa uma mudança na estrutura de atuação da empresa, que passa a reunir formação profissional, tecnologia, pesquisa, eventos e produção audiovisual.

Como parte dessa nova estrutura, o grupo pretende criar uma plataforma digital para reunir profissionais do audiovisual, produtoras, empresas e marcas. A primeira versão prevê cadastro profissional, perfil técnico, portfólio, disponibilidade e networking. Outras ferramentas, como marketplace de serviços e relatórios de mercado, estão previstas para etapas posteriores.

Em entrevista ao TeatrineTV, Müller destacou que a AfroRec surgiu com foco na formação e inclusão de profissionais que enfrentam barreiras de entrada no audiovisual. Segundo ele, a criação do Grupo Nexa permitirá à empresa buscar relações comerciais com marcas e empresas.

A esquerda da imagem, Mill Müller.

Questionado sobre como preservar a autenticidade das narrativas negras, periféricas e indígenas diante das demandas do mercado, Müller argumentou:

“Temos certeza que autenticidade e mercado não são conceitos opostos. O grande desafio é construir relações onde as narrativas não sejam adaptadas para caber em expectativas externas, mas valorizadas justamente por sua originalidade", introduziu.  

A relação entre produção cultural e mercado também aparece na estratégia comercial anunciada pelo grupo, que pretende aproximar profissionais do audiovisual de empresas, marcas e produtoras.

“O Grupo Nexa Cine entende que diversidade não é apenas uma pauta social, é também inteligência de mercado. O público busca cada vez mais identificação, pertencimento e experiências conectadas com vivências reais. Quando marcas compreendem isso, as relações se tornam mais equilibradas e os resultados mais relevantes para todos os envolvidos", afirmou.

Müller explicou que a empresa pretende utilizar a base de profissionais também para produzir informações sobre comportamento e intenção de uso. A Nexa Tech ficará responsável por essa frente.

OUTROS CAMINHOS

AfroRec passou a integrar o Grupo Nexa Cine em maio de 2026.

Levantamento apresentado pela empresa aponta que 41,8% dos profissionais pesquisados não tiveram oportunidade de cursar faculdade ou se profissionalizar por meio de cursos na área audiovisual.

A questão colocada a Müller foi sobre como a entrada desses profissionais pode interferir nas linguagens, nos temas e nas estéticas produzidas no país.

“Esse dado mostra que existe muito talento circulando fora dos caminhos tradicionais de formação. O audiovisual brasileiro sempre foi construído por pessoas de diferentes trajetórias, mas hoje existe mais visibilidade para profissionais que aprenderam através da prática, da internet, de coletivos, experiências comunitárias e iniciativas independentes".

AfroRec mantém os programas de formação dentro da nova estrutura.

A entrada desses profissionais, segundo Müller, também modifica os repertórios disponíveis para o setor.

“Isso amplia repertórios, referências e formas de olhar o mundo. Quando mais pessoas conseguem acessar o setor, surgem novas perspectivas sobre território, identidade, comportamento, consumo e relações humanas, enriquecendo a produção audiovisual brasileira como um todo", comentou.

Entre os demais dados apresentados pela empresa estão 21,6% de profissionais trabalhando em regime CLT e 18,4% como pessoa jurídica.

O levantamento também indica que 84,9% dos entrevistados utilizariam produtos e equipamentos aos quais tiveram contato durante as formações da AfroRec.

ACÚMULO DE FUNÇÕES

Iniciativa reúne profissionais negros, periféricos e indígenas do audiovisual.

A pesquisa também identificou profissionais que atuam em diferentes funções dentro do audiovisual.

Questionado sobre o resultado que mais chamou sua atenção no levantamento, Müller disse:

“Foi justamente perceber o quanto o audiovisual brasileiro é impulsionado por profissionais que, muitas vezes, construíram suas trajetórias sem acesso a formações tradicionais ou caminhos formais de entrada no setor". 

O levantamento também apontou a presença de profissionais que acumulam diferentes funções na cadeia audiovisual.

“Também observamos uma forte presença de profissionais atuando de forma multidisciplinar, acumulando funções e desenvolvendo carreiras híbridas. Isso revela um mercado extremamente criativo, adaptável e empreendedor, mas também evidencia desafios relacionados à profissionalização, empregabilidade e sustentabilidade das carreiras", avaliou.

A plataforma anunciada pela empresa terá, inicialmente, ferramentas para cadastro, apresentação de portfólio, identificação de habilidades técnicas, disponibilidade e networking.

Segundo Müller, em etapas futuras poderão ser acrescentados marketplace de serviços, relatórios de mercado, dados e trilhas profissionais.

PRODUÇÕES PARA ALÉM DO SUDESTE

Integração reúne formação, tecnologia, eventos e produção audiovisual.

No levantamento de 2025, 48,1% dos profissionais estavam no Sudeste e 25,1% no Nordeste.

A presença de profissionais de diferentes regiões foi outro tema da entrevista. Müller foi questionado sobre o que muda quando pessoas que vivem realidades diferentes das capitais do Sudeste passam a participar mais da produção audiovisual nacional.

“O potencial dessas regiões sempre existiu. O que mudou foi o aumento da visibilidade, do acesso às ferramentas de produção e das possibilidades de conexão com o mercado nacional". 

AfroRec contabilizava mais de 2,5 mil profissionais formados.

A mudança, segundo ele, também interfere na própria construção das narrativas produzidas pelo setor.

“Quando profissionais de diferentes regiões participam da construção do audiovisual, ampliamos repertórios, perspectivas e formas de contar histórias. Isso não beneficia apenas a representação cultural, mas também a capacidade do setor de dialogar com um país que é extremamente diverso. O audiovisual brasileiro fica mais conectado com a realidade do próprio Brasil", declarou.

A empresa mantém o Nordeste entre as regiões que pretende atender com ações de formação e conexão profissional.

No caso do Centro-Oeste, a estratégia ainda está em fase de levantamento.

CENTRO-OESTE ESTÁ SENDO MAPEADO

Dados apresentados pela AfroRec apontam diferentes perfis de atuação no setor.

Müller afirmou que a empresa iniciou uma pesquisa para conhecer o perfil dos profissionais da região, as formas de produção e o comportamento do mercado audiovisual local.

Para Müller, a região no coração da América do Sul é essencial para o avanço do cinema brasileiro.

“Enxergamos o Centro-Oeste com enorme potencial criativo e estratégico. Assim como aconteceu em outras regiões do país, acreditamos que ampliar visibilidade, acesso e conexão com o mercado será fundamental para fortalecer ainda mais a produção local". 

Apesar da avaliação, a atuação da empresa na região ainda não passou da etapa de pesquisa.

“Estamos atualmente em fase de pesquisa e mapeamento da região para compreender melhor o perfil dos profissionais, as dinâmicas de produção e os comportamentos do mercado audiovisual local. A partir desses dados, poderemos desenvolver estratégias mais alinhadas às necessidades e potencialidades do território". 

Centro-Oeste está na etapa de pesquisa e mapeamento do Grupo Nexa Cine.

A possibilidade de expansão é tratada pelo grupo como parte de uma estratégia nacional.

“O Grupo Nexa Cine tem interesse em ampliar sua presença nacional e entende que o desenvolvimento do audiovisual brasileiro depende de uma visão que considere todas as regiões como parte ativa da construção do setor".

Até o momento, porém, a Nexa não tem uma sede ou operação específica no Centro-Oeste. O trabalho informado por

Müller está na etapa de pesquisa e mapeamento a distância.

DIVERSIDADE NO AUDIOVISUAL

Müller relacionou diversidade à ampliação de perspectivas no audiovisual.

A entrevista também abordou a presença de profissionais negros, indígenas e periféricos em funções criativas, técnicas e de decisão.

“Quando ampliamos a presença de profissionais diversos em funções criativas, técnicas e de decisão, ampliamos também as referências, os pontos de vista e as camadas que compõem uma narrativa audiovisual". 

A avaliação de Müller envolve ainda a relação entre diversidade nos bastidores e posicionamento no mercado.

“O Grupo Nexa Cine entende o audiovisual como uma ferramenta de posicionamento, influência e geração de valor. Nosso objetivo é transformar comportamento e conexão em oportunidades de mercado. A diversidade nos bastidores amplia possibilidades de olhar". 

Müller defendeu maior presença de diferentes trajetórias no audiovisual.

Ele também fez uma ressalva sobre a relação entre identidade e autoria.

“Não significa que apenas determinadas pessoas possam contar determinadas histórias, mas que experiências diferentes ajudam a construir representações mais complexas, plurais e próximas da realidade".

A AfroRec continua responsável, dentro da nova estrutura, pelos programas de formação. A Nexa Tech concentra tecnologia e dados; a Nexa Eventos, eventos e ativações; e a Nexa Studios, conteúdo e produção audiovisual.

FORMAÇÃO E MERCADO NORDESTINO

Grupo prevê formação e novas conexões com o mercado nordestino.

A base da AfroRec possui presença significativa de profissionais do Nordeste. A empresa afirmou que pretende ampliar ações de capacitação, bolsas e conexões com oportunidades na região.

Müller explicou como a Nexa pretende trabalhar nesse mercado:

“O Grupo Nexa Cine possui uma base expressiva de profissionais no Nordeste e mantém como diretriz ampliar o acesso à formação e oportunidades nessas regiões". 

Entre as ações citadas estão bolsas e programas de capacitação.

“Nosso trabalho contribui através de ações específicas designadas para a região, como bolsas de estudo, programas de capacitação, conexões com o mercado e geração de oportunidades profissionais". 

A empresa também relaciona essas ações à tentativa de aproximar profissionais de outros agentes do setor.

“Acreditamos que o fortalecimento do audiovisual brasileiro passa também pela valorização dos talentos que já existem em diferentes territórios e pela criação de pontes que aproximem esses profissionais de empresas, produtoras e projetos".

A empresa também informou que 60% das vagas são destinadas a mulheres, pessoas trans, travestis e pessoas com deficiência. Outros 40% são reservados para profissionais das regiões Norte e Nordeste.

PROSPECÇÃO DE UMA DÉCADA

AfroRec promove formação de cineastas negros no audiovisual brasileiro. AfroRec promove formação de cineastas negros no audiovisual brasileiro. AfroRec promove formação de cineastas negros no audiovisual brasileiro. AfroRec promove formação de cineastas negros no audiovisual brasileiro. AfroRec promove formação de cineastas negros no audiovisual brasileiro. AfroRec promove formação de cineastas negros no audiovisual brasileiro. AfroRec promove formação de cineastas negros no audiovisual brasileiro. AfroRec promove formação de cineastas negros no audiovisual brasileiro. AfroRec promove formação de cineastas negros no audiovisual brasileiro. AfroRec promove formação de cineastas negros no audiovisual brasileiro. AfroRec promove formação de cineastas negros no audiovisual brasileiro. AfroRec promove formação de cineastas negros no audiovisual brasileiro. AfroRec promove formação de cineastas negros no audiovisual brasileiro. AfroRec promove formação de cineastas negros no audiovisual brasileiro. AfroRec promove formação de cineastas negros no audiovisual brasileiro. AfroRec promove formação de cineastas negros no audiovisual brasileiro. AfroRec promove formação de cineastas negros no audiovisual brasileiro. AfroRec promove formação de cineastas negros no audiovisual brasileiro. AfroRec promove formação de cineastas negros no audiovisual brasileiro. AfroRec promove formação de cineastas negros no audiovisual brasileiro. AfroRec promove formação de cineastas negros no audiovisual brasileiro. AfroRec promove formação de cineastas negros no audiovisual brasileiro. AfroRec promove formação de cineastas negros no audiovisual brasileiro. AfroRec promove formação de cineastas negros no audiovisual brasileiro. AfroRec promove formação de cineastas negros no audiovisual brasileiro.

Por fim, o TeatrineTV questionou Müller acerca dos objetivos do Grupo Nexa Cine para a próxima década.

Conforme o CEO, a empresa pretende ampliar sua estrutura tecnológica, manter os programas de formação da AfroRec, expandir eventos e desenvolver novas soluções de conteúdo. Também estão nos planos novas operações na Bahia, Minas Gerais e Rio de Janeiro.

“Nossa meta é consolidar o Grupo Nexa Cine como uma das principais plataformas de inteligência e conexão do audiovisual brasileiro. Queremos ampliar a estrutura tecnológica da Nexa Tech, fortalecer os programas de formação da AfroRec, expandir as experiências e ativações da Nexa Eventos e desenvolver novas soluções de mídia e conteúdo através da Nexa Estúdios". 

A expansão territorial também aparece entre os planos apresentados pelo CEO.

“Também buscamos ampliar nossa atuação nacionalmente, com expansão de operações e sedes na Bahia, Minas Gerais e Rio de Janeiro, além de fortalecer nossos programas de bolsas de estudo e formação nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste, ampliando acesso, oportunidades e conexão com o mercado audiovisual brasileiro". 

Para os próximos anos, Müller associa a expansão da estrutura à integração entre tecnologia, formação e negócios.

“Nos próximos anos, queremos contribuir para um audiovisual mais conectado, estratégico, tecnológico e acessível, integrando inteligência de mercado, formação e geração de negócios dentro do setor", concluiu.

A nova estrutura mantém a AfroRec na área de formação e incorpora outras frentes de atuação empresarial.

Para o Centro-Oeste, porém, ainda não há um modelo definido. Segundo Müller, a empresa está primeiro levantando informações sobre profissionais e sobre o funcionamento do mercado audiovisual da região.

A definição de possíveis ações deverá ocorrer a partir desse mapeamento.

 


Siga no Google News

Veja Também

Nos apoie:
Chave PIX:

27.844.222/0001-47

QR Code para doação