A rapper indígena MC Anarandà iniciou, no começo de maio, a turnê “Ohenoi”, que passa por cinco cidades de Mato Grosso do Sul com apresentações gratuitas sempre aos sábados, às 19h. Clique aqui.
O projeto reúne música, espiritualidade e a presença de mulheres indígenas de diferentes povos, propondo um encontro entre gerações e territórios.
A circulação começou no dia 2, em Amambai, e segue por Antônio João (9.mai.26), Dourados (16.mai.26), Ponta Porã (23.mai.26) e Campo Grande (30.mai.26). Em cada etapa, a artista recebe convidadas de outras regiões do país, ampliando o diálogo entre culturas indígenas contemporâneas.
A abertura ocorreu na Aldeia Guapoy, onde Anarandà nasceu. O show aconteceu na quadra da escola municipal e contou com a participação da cantora Rozelaine Souza, da etnia Guarani Nhandewa, que se apresentou pela primeira vez no estado. O início da noite foi marcado por rezas tradicionais conduzidas pelas Nhandesy Lulu e Ilma, inserindo a apresentação no contexto espiritual da comunidade.
Além do caráter artístico, a ação também teve um tom de reencontro, reunindo familiares, parceiros de trajetória e moradores da aldeia. “Essa é a realização de um sonho antigo: tocar nas comunidades, cantar e levar alegria para o meu povo, que tem sofrido muito com as violações de direitos humanos. Quero que todas e todos venham somar voz e ecoar nosso canto de reza, luta e celebração”, afirmou a artista.
Rapper indígena MC Anarandà | Foto: Divulgação / FCMSO nome da turnê vem do guarani: “Ohenoi” pode ser traduzido como “chamado” ou “convite”, no sentido de convocação coletiva. A proposta é ampliar a escuta para as vozes femininas indígenas, articulando música, memória e resistência.
Entre as convidadas estão Siba Puri (Povo Puri), Kae Guajajara (Guajajara) e as artistas Katu Mirim (Boe Bororo) e Serena (Guató), que participam em diferentes cidades do circuito.
MC Anarandà é Guarani Kaiowá, nascida em Amambai, e atua como cantora, compositora, escritora e professora de língua materna. Neta de rezadores tradicionais, utiliza a música como ferramenta de expressão política e cultural, com foco na realidade das mulheres indígenas. Sua trajetória inclui apresentações em vários estados brasileiros e também no exterior, como Alemanha e Paraguai. Recentemente, recebeu prêmio de melhor videoclipe pela obra “Che Machu Mandu Akuemi”.
O projeto foi viabilizado por meio do edital de Música da Política Nacional Aldir Blanc (PNAB), com apoio da Fundação de Cultura de Mato Grosso do Sul. A iniciativa busca dar visibilidade à produção artística indígena e fortalecer redes entre mulheres de diferentes povos.
SERVIÇO
Antônio João
9 de maio, 19h
Terra Indígena Cedro – Assembleia Kuñangue Aty Guasu
Participações: Siba Puri e Nhandesy da Kuñangue
Dourados
16 de maio, 19h
Sucata Cultural – Rua Onofre Pereira de Matos, 815
Participações: Kae Guajajara e Nhandesy Claudiene
Ponta Porã
23 de maio, 19h
Horto Florestal – Seletiva Estadual Batalha de Rimas
Campo Grande
30 de maio, 19h
Estação Teatro do Mundo – Rua Barão de Melgaço, 177
Participações: Katu Mirim, Serena e Nhandesy Adelaide
Mais informações podem ser obtidas pelo telefone (67) 98116-7472.
ESTAGIÁRIO FERNANDO PRESTES SOB A SUPERVISÃO DA REDATORA ALY FREITAS*







